EMPREGOS E CARREIRAS

Vacina contra o desemprego: avanço na imunização reacende esperança de quem busca trabalho

Segundo Seteq-PE, as agências do trabalho do Estado já sentem o aumento da procura da população pelo serviço

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 25/07/2021 às 8:00
Notícia
LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEM
O sistema de emprego estadual atendeu cerca de 95 mil pessoas, sendo um terço desses atendimentos apenas em julho - FOTO: LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEM
Leitura:

Após um período de dificuldades nunca antes experimentadas para quem estava em busca de uma vaga de emprego, visto que pouquíssimas eram ofertas de vagas em decorrência dos efeitos da pandemia de covid-19 sobre o mercado, trabalhadores voltaram a ter esperança na conquista de uma nova oportunidade profissional e já lotam as agências do trabalho do Estado, graças ao avanço da vacinação contra o novo coronavírus.

De acordo com o secretário Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco, Alberes Lopes, nos seis primeiros meses do ano, o sistema de emprego estadual atendeu cerca de 95 mil pessoas, sendo um terço desses atendimentos apenas em julho.

“Nossa maior esperança para que as atividades fossem retomadas era a vacina. Observe que o número de internamentos em leitos de UTI é o menor em seis meses. Agora, a indústria, os serviços, o comércio, enfim, tudo vai começar a voltar ao seu ritmo normal e consequentemente a abertura de novas vagas”, diz o gestor.

PEDRO MENEZES/DIVULGAÇÃO
"Agora, a indústria, os serviços, o comércio, enfim, tudo vai começar a voltar ao seu ritmo normal e consequentemente a abertura de novas vagas", defende Lopes - PEDRO MENEZES/DIVULGAÇÃO

Já há até quem conseguiu recentemente emprego mesmo sem ter recebido uma das doses. É o caso de Elisângela Lins, 26 anos, que foi contratada recentemente por uma arena de tênis na Zona Sul do Recife, que já observa um aumento na procura pelo espaço. “Eu ainda não fui imunizada, mas já fui beneficiada pela vacinação. À medida que mais pessoas são vacinadas, a economia vai melhorando e mais vagas, como a que ela conquistou, vão surgindo para todos”, afirma ela, que teve a oportunidade intermediada pelo Instituto JCPM de Compromisso Social.

A percepção da jovem não está errada, segundo o economista e professor do UniFBV Paulo Alencar. O especialista avalia que, com o aumento da vacinação contra a covid-19, aliada às flexibilizações, a economia do país deve melhorar nos próximos meses. E, consequentemente, as taxas de desemprego devem ter alguma recuperação já no segundo semestre do ano. “Com a ampliação da vacinação, que é o antídoto para essa crise que enfrentamos, teremos uma recuperação bem robusta já neste semestre. No entanto, só podemos falar em crescimento, de fato, em 2022”, diz.

Questionado sobre o porquê de o nível de desemprego continuar nas alturas, mesmo após o início da imunização da população economicamente ativa, Alencar explica que, naturalmente, o mercado de trabalho sempre reage de maneira mais lenta que a economia. No ano passado, havia a expectativa de que o emprego voltasse a ter algum resultado positivo já no primeiro semestre. “Como tivemos um início de ano muito mais complicado, com dificuldade, a taxa de desemprego aumentou, mas tende a apresentar alguma melhora agora, a partir deste terceiro trimestre de 2021”, expõe o professor.

Arquivo Pessoal
Professor Paulo Alencar - Arquivo Pessoal

Ele observou que o impacto inicial da pandemia de covid-19 foi abrangente e ocorreu em todos os setores, afetando trabalhadores formais, informais e empresas. Segundo Paulo Alencar, os setores de serviços prestados às famílias, como alimentação fora de casa, hotelaria e transportes, foram prejudicados, mas já sinalizam para uma recuperação e novas contratações.

“Havia uma cautela natural das pessoas pela questão do vírus e, também, porque muitas medidas restritivas que afetavam o funcionamento dos estabelecimentos estavam em vigor. Mas as coisas estão melhorando com a população voltando a consumir, o que traz um efeito imediato com o retorno das contratações de novos trabalhadores”, pontua o especialista, lembrando que há uma expectativa de abertura de 630 mil vagas de empregos temporários até setembro. “Um número muito maior que no ano passado”, conclui.

Vacina para evitar demissão

Além de ajudar na retomada da economia, abrindo novos caminhos para quem busca emprego, a vacinação também pode ser preponderante para que trabalhadores já contratados possam evitar demissões. É o que explica o advogado trabalhista Ariston Flávio, que também é professor de Direito na Unit-PE. 

“A recusa em tomar vacina pode ser automaticamente uma demissão por justa causa. No entanto, todos conhecemos que recebem diariamente fake news sobre vacinas e, por isso, muitos empregadores têm primeiro escolhido conscientizar seus colaboradores antes de partir para a dispensa, que é uma medida mais severa", diz o jurista.

 

ACERVO PESSOAL
Advogado trabalhista Ariston Flávio, que também é professor de Direito na Unit-PE - ACERVO PESSOAL

Ele lembra que toda empresa precisa incluir em seu Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) o risco de contágio de covid-19 e considerar a vacina no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), a exemplo do uso de máscaras, que já se tornou obrigação básica no ambiente de trabalho desde o começo da pandemia. "Não são meros protocolos de papel, eles têm que ser levados a sério. É obrigação do empregador ter o fator covid-19 como risco ambiental e a vacina como meio de prevenção", argumenta.

Ariston enfatiza que a exigência da vacina no trabalho deve seguir a disponibilidade dos imunizantes em cada região e o Plano Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, que determina quais grupos têm prioridade na fila da vacinação.

Comentários

Últimas notícias