PECUÁRIA

Bois mais magros e menos leite; entenda como a mosca-dos-estábulos afeta Pernambuco

Produtores têm relatado aumentando do número de moscas nos pastos, podendo comprometer parte da produção

JC
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Publicado em 27/10/2021 às 14:05
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Produtores buscam soluções para avanço da mosca-dos-estábulos em Pernambuco - FOTO: Foto: Reprodução/Internet
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Com informações da TV JORNAL 

Produtores de municípios pernambucanos estão preocupados com o avanço da mosca-dos-estábulos. A praga pode trazer problemas sérios à produção da pecuária leiteira e de corte no Estado e tem demandado ações especiais do Instituto de Pesquisas Agronômicas (IPA) e a da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária (Adagro) em Pernambuco.  

Uma picada pode transmitir diversas doenças, além de causar feridas e extremo incômodo ao animal. Em grande número, a atuação das mosca-dos-estábulos pode levar até a morte dos animais, o que traz impactos negativos na cadeia produtiva. Estima-se que cerca de 20% do ganho de peso e até 50% na produção de leite podem ser perdidos por conta da ação das moscas. 

"Primeiro que causam irritabilidade. Você tem uma vaca leiteira, a produção cai. Um equino, por exemplo, não consegue parar de agitar a calda na busca de afastar as moscas, e elas também são hepatopatas (causando doenças hepáticas). Em grande quantidade infestam os animais, que podem ser levados até ao óbito", esclarece o médico veterinário João Teobaldo.

Ainda no mês de setembro, a Adagro já tinha intensificado a fiscalização para evitar que a cama de aviário, mais conhecida como “cama de frango”, seja utilizada como alimento para ruminantes, como os bois. O composto é obtido pela mistura de palha e esterco de aviários, sendo utilizado como fertilizante em culturas de inhame, cará e banana.

A prática da alimentação é proibida pela legislação federal e estadual, que também regulamenta o transporte e a utilização correta do produto como adubo orgânico, justamente para tentar evitar a incidência das moscas. 

A questão é acentuada pela crise econômica, já que muitos produtores passaram a fazer uso do composto em função da carestia do saco de adubo. “Precisamos buscar soluções. Se os produtores tiverem que deixar de usar a ‘cama de frango’, que opção terão? Comprar um saco de adubo a R$ 120? Estamos vendo o cará sendo vendido por R$ 10 a arroba. Desse jeito, nem vão mais querer colher na roça”, afirmou o secretário de Meio Ambiente de Gravatá, Luiz José da Silva, em audiência pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para discutir o tema. 

Na busca de tentar amenizar o problema, o IPA já deu início em setembro a uma força-tarefa para controle das moscas-dos-estábulos.  Os municípios de Barra de Guabiraba, Bonito, Camocim, Sairé e Gravatá foram alguns dos alvos. Além de ações educativas sobre manejo e higienização, também estão no roteiro visitas técnicas e mapeamento das áreas atingidas. 

Ainda assim, os relatos de proliferação da praga têm crescido entre os municípios da Zona da Mata e Agreste do Estado. "É preocupante, porque no momento que você para de produzir por conta disso gera um problema social, com desemprego, carne e leite mais caros. É danoso para produtores e para o Estado", avalia o agropecuarista João Tavares.

O que diz a Adagro

De acordo com a Adagro, as regiões da Mata Sul e Agreste são as que mais têm registros de frequências de moscas, com problemas pontuais nos municípios de Barra de Guabiraba, Bonito, Gravatá, Camocim, Cortês e Amaraji. No entanto, não há registro de queda na produção de leite no estado, já que a bacia leiteira pernambucana está localizada nas regiões do Agreste Meridional e Sertão do Araripe, áreas onde não há registro de infestação pela mosca-dos-estábulos. As áreas afetadas ficam restritas a algumas localidades sem tradição de grandes criações de gado de leite e de corte.

Além disso, a Agência afirmou que, diariamente, equipes de fiscais vistoriam as granjas para averiguar se a cama está recebendo o tratamento adequado, visitam as propriedades em áreas onde há registro das moscas para orientar os produtores e montam barreiras sanitárias nas principais rodovias e nas proximidades das feiras de gado para verificar se o transporte está ocorrendo dentro da legalidade.

"Essas ações estão no planejamento diário, contudo não podem ser divulgadas para não atrapalhar a fiscalização. De janeiro até agora, mais de 60 propriedade foram visitadas nas áreas afetadas e cerca de 70 fiscalizações volantes foram realizadas nas rodovias e nas proximidades das feiras de gado", disse a Adagro.

Por fim, a Agência informou que um grupo de trabalho foi formado por ela e pelo e IPA para estudar as possíveis causas para a manifestação em apenas alguns municípios. Condições climáticas da região e o tipo de cultura estão sendo estudadas.  

 

 

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