Comércio

SÃO JOÃO 2022: o que o comércio do Recife perde se a festa não for realizada

Fecomércio-PE analisa o impacto da suspensão das festas juninas em várias cidades do estado

Edilson Vieira
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Edilson Vieira
Publicado em 02/06/2022 às 16:19 | Atualizado em 02/06/2022 às 16:24
Leo Motta/Acervo JC Imagem
Festas juninas movimentam o comércio formal e informal no meio do ano - FOTO: Leo Motta/Acervo JC Imagem
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Apesar de não ser uma data marcada pela troca de presentes, como Natal ou Dia das Mães, o ciclo junino tem sim, sua importância para o comércio das cidades do interior e também da capital. A prefeitura do Recife suspendeu a realização dos festejos juninos oficiais por conta das consequências das fortes chuvas ocorridas no final do mês de maio. O prefeito João Campos chegou a anunciar que os R$ 15 milhões de investimento público na festa seriam revertidos para apoiar as famílias desabrigadas pelas chuvas.

Com a reação negativa por parte da classe artística que alegou prejuízos para a grande cadeia de trabalho e renda que os festejos juninos geram, a prefeitura decidiu fazer uma espécie de São João fora de época, e deve anunciar na próxima semana o novo formato e o novo cronograma festa.

E para o comércio, será a mesma coisa?  

Para Ademilson Saraiva, assessor econômico da Fecomércio-PE, acredita que grande parte da população nordestina aguardava ansiosa pela retomada das festividades juninas em 2022. Apesar de não ter a mesma magnitude que o Carnaval para a RMR e litoral, o São João também tem papel relevante na economia local, especialmente para o varejo. Em cenário de retomada das atividades presenciais e de fragilidade no comércio varejista, as festas juninas são vistas nesse momento como uma oportunidade relevante para o setor terciário.

Ele diz que, embora as manifestações populares relacionadas a essa época do ano tenham maior expressividade nas regiões interioranas, os festejos juninos costumam movimentar a economia dos estados do nordeste em toda a sua extensão. "Mesmo nas regiões litorâneas, o período que se estende de 12 de junho, véspera de Santo Antônio, a 29 de junho, dia de São Pedro, mobiliza diversas atividades de serviços na realização de arraiais públicos, competição de quadrilhas e eventos privados embalados pelo ritmo do forró. São atividades que vão desde a montagem de estruturas, produção audiovisual e serviços de manutenção, até produção de alimentos típicos e confecção de vestuários e adereços", analisa Saraiva.

ADIAMENTO

Para Ademilson Saraiva, existe uma certa preparação do comércio para o São João, principalmente do comércio, que aposta nos estoques de roupas e calçados adequados à época. A indefinição em relação a realização ou não ou mesmo o adiamento, gera dúvidas nos comerciantes "Existe aquela procura por roupas juninas, roupas de frio, calçados fechados, como botas... principalmente nas grandes redes que conseguem atender uma demanda maior de público, elas sempre fazem uma segmentação dos produtos e isso [a indefinição] pode trazer alguma perda", diz Saraiva.

O economista pondera que a perda talvez não seja tão significativa, para os segmentos de modas e calçados, se o cancelamento ou adiamento do ciclo junino ficar restrito ao Recife. "A festa vai continuar acontecendo nas cidades do interior. Existe uma grande expectativa para Caruaru, depois de dois anos sem festa. Então para o público de lá, ou que vai sair do Recife para lá, haverá uma demanda e, obviamente uma oferta por parte do comércio".

O adiamento da festa é melhor que o cancelamento?

O analista da Fecomércio-PE, acha que o adiamento do São João na capital, pode levar a perda de interesse por parte da população mas " o pessoal não vai deixar de curtir, o que vai gerar demanda para os setores de alimentação e bebidas. Já para o setor de vestuário e calçados, o adiamento não parece tão interessante porque a motivação principal da data já teria se perdido", diz Saraiva.

Ainda em relação às decisões sobre cancelamentos e suspensões dos festejos juninos em algumas cidades, a Fecomércio comunica que apóia a iniciativa dos gestores municipais, entendendo que esse é o momento de preservar o bem estar das famílias atingidas e seus sobreviventes. "Nesse sentido, a instituição também buscou fazer a sua parte, realizando ações de assistência à população menos favorecida como o fornecimento de refeições nas cidades do Recife, Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe e a arrecadação de donativos em todo o estado de Pernambuco", divulgou a entidade. 

A Federação diz ainda que "buscará o diálogo com os governos municipais e estadual de forma a encontrar alternativas e oferecer oportunidades aos segmentos do varejo e serviços das cidades fortemente atingidas e que não realizarão eventos públicos de São João – eventos esses que movimentam atividades formais e também atividades informais, que contribuiriam gerando renda para uma população bastante afetada pelo elevado desemprego".

 

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