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Perda de força, resistência e risco de lesão são observados no Sport após paralisação

O departamento de fisiologia do clube traça um paralelo entre os três meses de paralisação e quando acontece apenas um mês de férias

Karoline Albuquerque
Karoline Albuquerque
Publicado em 29/06/2020 às 9:29
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ANDERSON STEVENS/SPORT
O elenco rubro-negro treina há duas semanas. - FOTO: ANDERSON STEVENS/SPORT
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O tempo sem treino por causa da pandemia do novo coronavírus foi três vezes maior do que as férias dos jogadores ao final da temporada. Por isso, o departamento de fisiologia do Sport observa uma perda maior de força e resistência entre os atletas do clube, duas semanas após o retorno dos treinos no estado de Pernambuco. Se de dezembro a janeiro são 30 dias sem atividades, a quarentena exigiu 90 dias sem os trabalhos do dia a dia, apesar de alguns exercícios possíveis fora do centro de treinamento.

De acordo com o fisiologista rubro-negro Inaldo Freire, já há base científica para traçar um paralelo comparando os períodos, com estudos randomizados. Em média, os atletas perdem 3% nos níveis de força e resistência. Calculando nas 12 semanas que passaram, chega-se a um percentual de 36%. Utilizando o mesmo elenco avaliado pelo departamento em janeiro e agora, pós-quarentena, o fisiologista percebeu um decréscimo em torno de 30% na resistência dos jogadores.

 

"Nos níveis de força, um decréscimo de apenas 18%. A gente conclui que os trabalhos remotos foram bastante eficientes na diminuição das perdas nos níveis de força, na parte neuro-muscular. Porém, na parte cardiovascular, na resistência, os trabalhos remotos foram pouco eficientes, até porque a grande maioria não tinha espaço para desenvolver esse tipo de trabalho", explicou Inaldo.

Por isso, uma grande preocupação do profissional do Sport, e também de outros clubes, é quanto as lesões. Inaldo cita como exemplo a Premier League e a Bundesliga. Na competição inglesa, as primeiras rodadas registraram aumento de 25% nas lesões, enquanto na alemã o acréscimo foi de 32%. "Acredito que a gente não vai ser diferente. Por isso, inclusive, a Federação Pernambucana coloca também em seu protocolo as cinco substituições, para tentar minimizar isso. Mesmo assim, acreditamos que as lesões vão acontecer", emendou.

Para minimizar, o departamento de fisiologia do Leão utiliza uma metodologia de prevenção. Diariamente, os jogadores respondem a um questionário via aplicativa sobre cansaço e dor, além de análises mais detalhadas, que vão do exame clínico com o departamento médico à termografia e bioquímica da CK. Assim, quando o futebol voltar a equipe de Inaldo poderá definir quem deve ser poupado para reduzir as perdas durante o calendário apertado que está por vir.

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