Barco desenvolvido por curso da Unicap monitora qualidade da água em tempo real

Embarcação desenvolvida no curso de Engenharia da Complexidade, da Unicap, pode auxiliar em diversas ações, inclusive em parceria com o poder público

Publicado em 11/07/2024 às 0:00

Condutividade, pH e turbidez: com esses três dados, um barco desenvolvido pelo curso de Engenharia da Complexidade da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) consegue monitorar a qualidade da água em tempo real e ajudar em várias ações, como garantir a navegabilidade da região.

O projeto, que está nas últimas fases de desenvolvimento, será utilizado na medição das águas do Porto do Recife. “Estudamos os problemas do porto e encontramos alguns problemas, e o mais importante tem duas origens. A necessidade de um equipamento que pudesse dar o conhecimento da profundidade do canal para evitar que, quando um navio fosse atracar, ficasse preso”, explica o coordenador e professor do curso de Engenharia da Complexidade da Unicap, Fernando Arthur Nogueira.

“A segunda seria controlar a qualidade do ar em torno do porto porque ele descarrega material granulado, o que pode causar uma interferência no ar e na água. Isso pode afetar o parâmetro de qualidade, que ele é obrigado a seguir”, acrescenta.

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O coordenador e professor Fernando Arthur Nogueira e o professor Hilário Jorge acompanham os projetos do curso de Engenharia da Complexidade da Unicap - GUGA MATOS/JC IMAGEM

O projeto começou a ser desenvolvido em 2021, antes mesmo da parceria com o porto, e foi aperfeiçoado no decorrer dos anos. "Esse barco hoje em dia está no estágio de evolução tecnológica, já passou pela prova do conceito e foi testado em várias circunstâncias, como em condições de luz no porto. Em breve, vai ser testado em situações reais."

Com a tecnologia, o porto pode otimizar as operações. “Medir em tempo real a profundidade do calado, que é a profundidade do canal, e também controlar a qualidade da água. Isso dá mais informações para quem toma decisões no processo de operação usual do porto do país ou do mundo”, conta Arthur.

"Normalmente as operações de verificação do calado são feitas uma ou duas vezes por ano, sem informação entre uma análise e outra e custa caro. A proposta do nosso barco é dar dados para que o porto possa tomar decisões em momentos quando não há muita informação sobre a profundidade do calado", complementa.

Funcionamento

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O barco utiiza energia verde para funcionar de forma mais sustentável - GUGA MATOS/JC IMAGEM

O professor de Engenharia da Complexidade da Unicap Hilário Jorge detalha o funcionamento da tecnologia: “O barco que faz essa análise é capaz de operar de modo autônomo entre quatro e seis horas de funcionamento. Basta ter alguém acompanhando em alguma sala do porto a emissão dos relatórios.”

“A embarcação fica parada por alguns segundos, faz a coleta e descarta a água que foi analisada. Para isso, nós carregamos a embarcação com soluções padronizadas que foram produzidas em laboratório. Esse barco foi produzido para funcionar usando baterias estacionárias que são alimentadas por painéis solares. Os circuitos que consomem menos energia serão alimentados por energia verde, utilizando células de hidrogênio. Então, inicialmente ele é alimentado pela energia dos painéis solares, mas o nosso próximo passo será utilizar um sistema híbrido”, acrescenta.

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Controle utilizado para conduzir o barco - GUGA MATOS/JC IMAGEM

O professor também conta os passos seguintes do projeto: “No próximo semestre, receberemos mais alunos franceses nesse programa e iremos implementar algoritmos de inteligência artificial para gerar um relatório com os resultados.”

Outras funções

Além da aplicação no porto, o barco pode ser útil em outras propostas, como ajudar em políticas públicas. “O barco não se restringe ao Porto do Recife, pode ser usado para outras situações onde essas medidas sejam relevantes”, explica o coordenador Arthur.

A tecnologia poderia ser explorada, por exemplo, em projetos que explorem a navegabilidade do Rio Capibaribe, como o Rios da Gente. "O Governo de Pernambuco tentou tornar navegável o rio, oferecendo um meio de transporte para reduzir o engarrafamento nas cidades. O problema é justamente o assoreamento (acúmulo de terra, lixo e matéria orgânica no fundo de um rio)”, detalha o coordenador.

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Protótipo de barco desenvolvido no curso de Engenharia da Complexidade da Unicap em 2020 - GUGA MATOS/JC IMAGEM

“Esse barco poderia ser usado porque ele pode acompanhar em tempo real o nível de assoreamento e indicar pontos onde é necessário uma dragagem ou uma operação mais específica. Ele oferece informações que auxiliam o poder público a operar de forma mais segura", complementa.

Engenharia da Complexidade

O curso de Engenharia da Complexidade da Unicap foi recentemente avaliado com nota máxima pelo Ministério da Educação (MEC). Unindo teoria e prática desde o começo, o curso foge do tradicional e explora vários domínios do conhecimento, como Engenharia de Tecnologia da Informação e Automação, Engenharia Elétrica e Eletrônica, Mecânica e Engenharia de Materiais e Ciências do Meio Ambiente e Energias, além de Línguas Estrangeiras.

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Entre os outros projetos do curso, estão drones que podem auxiliar em operações de resgate - GUGA MATOS/JC IMAGEM

Os estudantes podem passar até dois anos de sua formação em outras cidades ao redor do mundo: na França, em Camarões, na República Democrática do Congo, e no Equador. 

“Conhecer a cultura de outro país, ter contato com empresas locais, trabalhar a questão técnica e uma criar uma rede de conhecimento diferenciada”, o coordenador do curso elenca as vantagens. “Assim, a perspectiva de atuação é muito mais abrangente e aumenta as chances de empregabilidade”, finaliza o coordenador.

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