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Seca e incêndios sem precedentes causam estragos no centro da América do Sul

A principal causa foram os longos meses de uma seca inédita, em níveis nunca vistos em 47 anos no Pantanal, a maior área úmida do mundo, que cobre partes do Brasil, Paraguai e Bolívia

AFP
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Publicado em 22/10/2020 às 10:26
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MAYKE TOSCANO/SECOM MT
No Pantanal brasileiro, santuário único da biodiversidade, as imagens de árvores queimadas, crocodilos, pássaros, ou serpentes, carbonizados rodaram o mundo - FOTO: MAYKE TOSCANO/SECOM MT
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Afetadas por uma seca histórica, regiões inteiras da Argentina, Paraguai, Bolívia e do sul do Brasil sofreram nesses últimos meses com incêndios devastadores que destruíram imensas superfícies cobertas de vegetação e de pântanos de uma biodiversidade excepcional.

À medida em que se aproxima a hora de um balanço anual desta região central da América do Sul - bacia hidrográfica formada pelos grandes rios Paraguai, Paraná e Uruguai -, os observadores apontam que o problema dos incêndios foi particularmente agudo em 2020.

"Neste ano, a quantidade de incêndios foi dramaticamente mais alta. Na Argentina, houve um aumento de mais ou menos 170%, é muito grave", explica Elisabeth Möhle, pesquisadora em políticas ambientais da Universidade Nacional de San Martín (UNSM).

A principal causa foram os longos meses de uma seca inédita, em níveis nunca vistos em 47 anos no Pantanal, a maior área úmida do mundo, que cobre partes do Brasil, Paraguai e Bolívia.

As quedas no nível de água do Paraná, um dos maiores rios do planeta, que nasce no Brasil e deságua na foz do Rio da Prata, não eram tão grandes desde 1970.

Em Rosario, no centro-leste da Argentina, o nível foi de 80 centímetros em agosto, contra cerca de 3 a 4 metros normalmente para essa época do ano. A mesma situação ocorre no rio Paraguai, com quedas no nível da água "sem precedentes em meio século", segundo a direção nacional de Meteorologia.

No Paraguai, "os incêndios, os focos de calor do final de setembro e da primeira semana de outubro, quebraram todos os recordes. Os eventos chuvosos acontecem de maneira dispersa", disse à AFP Eduardo Mingo, da direção nacional de Meteorologia.

Segundo as autoridades, a quantidade de incêndios aumentou 46% em 2020.

Por conta da intensidade dos incêndios, a capital paraguaia, Assunção, e várias cidades do nordeste da Argentina e do sul do Brasil ficaram vários dias, ou várias semanas, expostas à fumaça gerada pelas queimadas.

Sem as chuvas que geralmente inundam as terras, as áreas úmidas foram especialmente atingidas.

No Pantanal brasileiro, santuário único da biodiversidade, as imagens de árvores queimadas, crocodilos, pássaros, ou serpentes, carbonizados rodaram o mundo. Um quarto da área foi devastada pelas chamas entre janeiro e setembro. A parte paraguaia já havia sido seriamente afetada em 2019.

Além da seca e dos incêndios descontrolados, menciona-se repetidamente em todas essas regiões a responsabilidade das queimadas voluntárias voltadas para o desmatamento e para a expansão da agricultura, uma das principais fontes de renda para todos esses países.

No Brasil, houve uma queda de 58% da contratação de bombeiros mobilizados contra os incêndios, destaca Alice Thuault, da ONG Instituto Centro de Vida, ao denunciar as políticas desrespeitosas ao meio ambiente por parte do governo do presidente Jair Bolsonaro.

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