PROTESTOS

Mulher baleada durante invasão ao Congresso norte-americano morreu

Segundo o jornal The Washington Post, a vítima levou um tiro no ombro

JC
AFP
Estadão Conteúdo
Publicado em 06/01/2021 às 23:26
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ELEIÇÕES Grupo tentou interromper sessão que daria vitória a Biden - FOTO: AFP
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Uma mulher baleada nesta quarta-feira (6) no Capitólio dos Estados Unidos, onde apoiadores do presidente Donald Trump causaram estragos por várias horas, morreu, disse à AFP a porta-voz da polícia Alaina Gertz.

O chefe da Polícia de Washington, Robert Contee, informou em entrevista coletiva que uma investigação foi aberta, sem dar detalhes sobre as circunstâncias da tragédia. Segundo o jornal The Washington Post, a polícia informou que a vítima era uma mulher branca com um tiro no ombro. 

Invasão ao Congresso e caos em Washington

A prefeita de Washington, Muriel Bowser, ordenou um toque de recolher em toda a cidade nesta quarta-feira (6), depois que apoiadores do presidente Donald Trump invadiram o Capitólio dos Estados Unidos para protestar contra sua derrota nas presidenciais de novembro, interrompendo a sessão conjunta convocada para certificar a vitória de Joe Biden.

Bowser determinou um toque de recolher a partir das 18h locais (20h no horário de Brasília), depois que milhares de manifestantes pró-Trump entraram no Congresso e forçaram os legisladores a declarar um recesso quando iniciavam o processo de confirmação de Biden como o próximo presidente dos EUA.

A medida permanecerá em vigor até as 6h de quinta-feira.

O congressista Jim McGovern declarou o recesso "sem objeções", batendo o martelo enquanto se ouviam gritos e distúrbios nas galerias públicas.

Funcionários do Capitólio declararam fechadas as instalações e legisladores reportaram no Twitter que estavam refugiados em seus escritórios, enquanto via-se os manifestantes, alguns deles com bandeiras de Trump, caminhando no edifício.

Segundo um congressista, "gás lacrimogêneo" foi usado no Capitólio. Um fotógrafo da AFP descreveu uma substância esfumaçada no ar no grande espaço circular sob a cúpula do Capitólio enquanto cem ou mais pessoas se reuniam.

"A polícia nos pediu para usar máscaras de gás, pois gás lacrimogêneo foi usado na rotunda", escreveu o representante democrata Jim Himes no Twitter.

A polícia precisou sacar armas na direção dos apoiadores do presidente que tentavam invadir a Câmara de Representantes dos Estados Unidos, disse um congressista.

"Responsáveis pela segurança da Câmara e da polícia do Capitólio sacaram suas armas enquanto manifestantes batiam na porta principal da Câmara", tuitou o legislador democrata Dan Kildee de dentro do Congresso.

"Pediram que nos jogássemos no chão e colocássemos máscaras de gás", contou.

Pelo Twitter, o presidente Donald Trump pediu aos manifestantes que protestassem de forma pacífica, após a invasão ao Capitólio.

O caos se seguiu a uma manifestação na qual Trump pediu que os legisladores rejeitassem a certificação da vitória de Biden.

"Por favor, apoiem nossa Polícia do Capitólio e os agentes da lei", tuitou Trump mais de uma hora antes de os manifestantes violarem o cordão de segurança do Congresso.

"Eles estão verdadeiramente ao lado do nosso país", disse Trump. "Mantenham-se pacíficos!".

Mais cedo, Trump também recorreu à rede social para criticar seu vice-presidente, Mike Pence, que presidia a sessão conjunta do Congresso e afirmou em um comunicado que não impedirá a certificação da vitória de Biden.

"Mike Pence não teve a coragem de fazer o que deveria ter sido feito para proteger nosso país e nossa Constituição", declarou Trump. "Os EUA exigem a verdade!".

Polícia retira manifestantes e afirma que Congresso dos Estados Unidos está seguro

Após horas de tensão, a polícia retirou os manifestantes e anunciou que o prédio do Congresso dos Estados Unidos, conhecido como Capitólio, está seguro.

Segundo a imprensa americana, os sargentos de armas da Câmara dos Representantes e do Senado afirmaram que o Capitólio estava seguro, cerca de quatro horas após o início do ataque.

Um toque de recolher noturno foi decretado pela prefeita de Washington, Muriel Bowser, que pediu a ajuda da Guarda Nacional para restabelecer a ordem na capital do país.

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