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Biden recebe família de George Floyd, mas lei contra violência policial continua pendente

Assassinado em 25 de maio de 2020 em Minneapolis durante sua detenção por quatro policiais, Floyd se tornou um símbolo nos Estados Unidos e no mundo

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Publicado em 25/05/2021 às 23:52
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EUA Questão racial ganhou novo impulso com protestos mundo afora provocados pelo caso George Floyd - FOTO: AFP
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No primeiro aniversário do assassinato do afro-americano George Floyd por um policial branco, sua família pediu uma reforma radical da polícia durante uma reunião nesta terça-feira (25) com o presidente Joe Biden e a vice-presidente Kamala Harris.

Biden e Harris, a primeira vice-presidente negra na história dos Estados Unidos, deram as boas-vindas a vários parentes de Floyd na Casa Branca, que antes se reuniram com legisladores para pressionar pelo progresso na reforma da polícia, que está emperrada no Senado.

"Se você pode fazer leis federais para proteger os pássaros, a águia careca, você pode fazer leis federais para proteger as pessoas de cor", disse Philonise Floyd, irmão mais novo de George, quando eles deixaram a reunião a portas fechadas, que durou mais de uma hora.

Terrence, outro dos irmãos Floyd, disse que foi encorajado pela "conversa produtiva" em que Biden e Harris estavam ansiosos para "ouvir nossas preocupações".

A mãe de Floyd, os irmãos e a filha Gianna, junto com os advogados da família, se encontraram anteriormente no Capitólio com a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, e outros legisladores.

Enquanto os adultos discutiam suas esperanças de reforma policial, foi Gianna, de sete anos, que, abraçando sua mãe Roxie Washington, falou eloquentemente sobre o legado duradouro de seu falecido pai, afirmando que ele "mudaria o mundo".

"Ele fez", disse Biden em um comunicado após a reunião. "A família Floyd demonstrou uma coragem extraordinária, especialmente sua filha Gianna, que vi novamente hoje", acrescentou Biden, que já os havia encontrado antes do funeral de George.

Assassinado em 25 de maio de 2020 em Minneapolis durante sua detenção por quatro policiais, Floyd se tornou um símbolo nos Estados Unidos e no mundo.

Na cidade do Nordeste do país, a tensão continuou alta nesta terça-feira: uma pessoa foi ferida a tiros no local da morte de Floyd, onde as pessoas se reuniram no aniversário de um ano do crime.

Pouco antes das 10h00 locais, várias detonações semearam o pânico e as pessoas correram para se abrigar, observou um fotógrafo da AFP. Várias vitrines foram destruídas por balas.

A morte de Floyd provocou uma mobilização sem precedentes, e sua última frase "não consigo mais respirar" se tornou um grito de guerra contra os abusos da polícia.

A justiça avança: Derek Chauvin, o policial que se ajoelhou sobre o pescoço de Floyd, pressionando-o por quase dez minutos, foi condenado por assassinato.

A sentença será anunciada em 25 de junho, mas os membros da família Floyd, que se transformaram em porta-vozes desta luta, insistem que as coisas devem mudar profundamente e pressionam para que o Congresso aprove um projeto de reforma abrangente da polícia que leva o nome deles.

Embora não tenha avançado nos prazos esperados por Biden, a congressista Karen Bass, coautora do projeto de lei de reforma George Floyd Justice in Policing Act, reiterou sua disposição de chegar a um acordo entre democratas e republicanos.

"Este projeto de lei chegará à mesa do presidente Biden" para promulgação, disse Bass na reunião com os Floyd. "Trabalharemos até que a tarefa seja concluída, será feito em consenso" com os republicanos, acrescentou.

 

Mas, por enquanto, o executivo dos EUA busca destacar a empatia do presidente em vez da agenda legislativa, onde as coisas estão mais lentas.

A reforma visa modificar a atuação das polícias, que segundo as críticas estão cada vez mais violentas em todo o país.

Biden diz que uma cultura subjacente de impunidade e racismo tornou tragédias como a morte de Floyd cada vez mais comuns, embora os opositores da reforma acreditem que a polícia, que geralmente opera em comunidades fortemente armadas, é um bode expiatório.

Em um sinal de que Biden quer enfrentar o que considera ser racismo sistêmico, a Casa Branca anunciou que o presidente viajará a Oklahoma no dia 1º de junho para comemorar o centenário do massacre racial de Tulsa, no qual cerca de 300 homens, mulheres e crianças negras foram assassinadas.

O texto da reforma, adotado pela Câmara dos Representantes, prevê particularmente a proibição do estrangulamento e tem como objetivo limitar a ampla imunidade ("imunidade qualificada") da qual os policiais desfrutam.

A medida de maior alcance seria acabar com a proteção legal vigente que bloqueia as ações civís contra policiais acusados de má conduta.

Embora nada seja fácil em um Congresso fortemente dividido, Bass, o senador democrata Cory Booker e o senador republicano Tim Scott emitiram uma declaração conjunta na segunda-feira citando "progresso em direção a um acordo".

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