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Três anos após incêndio, catedral de Notre-Dame recupera sua beleza aos poucos

Antes do incêndio, a catedral recebia quase 12 milhões de visitantes, 2.400 missas e 150 concertos por ano

Ana Maria Miranda
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Ana Maria Miranda
Publicado em 13/04/2022 às 10:13
Fabien Barrau / AFP
Catedral de Notre-Dame pegou fogo no dia 15 de abril de 2019 - FOTO: Fabien Barrau / AFP
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Da AFP

Três anos após o incêndio que a devastou, a catedral de Notre-Dame de Paris recuperou sua cor original graças ao trabalho diário de um exército de artesãos e deve reabrir em 2024.

"A limpeza do interior das abóbadas, das paredes e do piso", que deverá estar concluída em breve, bem como a preparação das abóbadas para a sua reconstrução, "devolveram a catedral à sua brancura original", afirma o órgão público responsável pelo projeto de restauração.

O terceiro aniversário do incêndio acontece na próxima sexta-feira. Antes do incêndio, a catedral recebia quase 12 milhões de visitantes, 2.400 missas e 150 concertos por ano.

Em 15 de abril de 2019, um gigantesco incêndio atingiu esta obra-prima da arte gótica, provocando o colapso de sua armação, de sua famosa agulha, seu relógio e parte de sua abóbada, destruída pelas chamas, diante do olhar atônito de milhões de pessoas ao redor do mundo.

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Catedral de Notre-Dame, em Paris, está sendo revitalizada após incêndio - COLIN BERTIER / AFP
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Serviços de recuperação da Catedral de Notre-Dame, em Paris - COLIN BERTIER / AFP
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Serviços de recuperação da Catedral de Notre-Dame, em Paris - COLIN BERTIER / AFP
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Trabalhadores fazem restauração na Catedral de Notre-Dame - COLIN BERTIER / AFP
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Catedral de Notre-Dame pegou fogo no dia 15 de abril de 2019 - Fabien Barrau / AFP
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Foto tirada no dia 16 de abril de 2019 mostra destruição após incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris - LUDOVIC MARIN / AFP
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Foto de 24 de novembro de 2020 mostra trabalho de reconstrução na catedral - MARTIN BUREAU / AFP

O enorme buraco deixado no prédio foi substituído por andaimes que também cobrem as laterais.

A restauração titânica começou em abril de 2019 com obras para garantir a estabilidade do edifício, incluindo a colocação de estruturas reforçadas nos 28 contrafortes, o desmonte dos andaimes que rodeavam a agulha, a remoção de entulho e a descontaminação de 450 toneladas de chumbo, que em parte acabou na atmosfera.

Essa "etapa importante" foi realizada sob medidas de segurança significativas e concluída em meados de 2021, com um custo total de 151 milhões de euros (US$ 163 milhões).

A catástrofe desencadeou uma onda de generosidade sem precedentes, com quase 844 milhões de euros (913 milhões de dólares) em doações até agora, provenientes de 340.000 doadores em 150 países, segundo o órgão público responsável pelo projeto de restauração.

Paralelamente aos trabalhos na catedral, a restauração continua em oficinas em toda a França.

O grande órgão, de de 1733 e o maior da França, foi poupado do incêndio, mas ficou coberto de pó de chumbo.

Foi então desmontado, assim como os vitrais, e está sendo limpo, assim como 22 pinturas de grande formato dos séculos XVII e XVIII, enquanto várias estátuas, agora restauradas, estão expostas no museu Cité de l'Architecture et du Patrimoine de Paris.

A reconstrução da estrutura medieval da nave e do coro e da torre de Viollet-le-Duc, com sua sólida estrutura de carvalho, só começará no início de 2023, segundo a instituição pública. Já foram serrados mil carvalhos de florestas públicas e privadas.

Outra etapa fundamental do projeto começa nesta quarta-feira: a extração de pedras para reconstruir as abóbadas destruídas ou danificadas.

Entre setembro de 2020 e abril de 2021, foram realizados dois testes nas capelas interiores da catedral, 24 no total, para definir as técnicas que lhes permitirão devolver as cores originais.

No início de março, as escavações preventivas trouxeram uma grande surpresa, a descoberta de um sarcófago de chumbo e os restos da antiga galeria da catedral, feita de pedra e que separava o coro litúrgico da nave e do fieis.

A diocese quer aproveitar a restauração de Notre-Dame para dar nova vida ao seu interior, integrando arte contemporânea aos antigos mestres como os irmãos Le Nain e Charles Le Brun.

Também está prevista mais luz, bancos móveis para substituir as cadeiras e frases bíblicas projetadas nas paredes.

A cripta, localizada sob a catedral, também será utilizada como espaço de armazenamento com fácil acesso através da instalação de um elevador.

Quando retornarem à famosa catedral em 2024, turistas e fiéis entrarão pela grande porta central em vez das portas laterais.

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