HISTÓRIA

RAINHA ELIZABETH II MORRE: veja imagens da visita da monarca ao Recife

A monarca fez uma parada na capital pernambucana durante viagem ao Brasil

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Cadastrado por

Augusto Tenório

Publicado em 08/09/2022 às 15:00 | Atualizado em 08/09/2022 às 16:46
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Falecida nesta quinta-feira, oito de setembro, a rainha britânica Elizabeth II já esteve em terras pernambucanas. Foi em 1968, durante a ditadura militar. Na ocasião, ela visitou o Palácio Campo das Princesas, à época ocupado pelo governador biônico Nilo Coelho (ARENA).

Elizabeth II faleceu aos 96 anos. Ela estava sob cuidados no Palácio de Balmoral, na Escócia. "A rainha morreu pacificamente em Balmoral esta tarde. O rei e a rainha consorte permanecerão em Balmoral esta noite e retornarão a Londres amanhã", diz comunicado.

Texto original da visita da Rainha Elizabeth II ao Recife

Texto: Mariana Araújo

O ano de 1968 ficou conhecido como “o ano que não terminou”. Foram 365 dias intensos, com fatos como os assassinatos de Martin Luther King e os protestos contra a Guerra do Vietnã. O Brasil, que estava sob o regime militar, vivenciou uma das ações mais importantes (e severas) da época – a instituição do Ato Institucional 5 (AI-5), pelo presidente Costa e Silva. Mas no Recife, 1968 foi marcado por um motivo nobre, no sentido mais literal: a passagem da Rainha Elizabeth II pela cidade. A majestade britânica esteve em solo pernambucano duas vezes. Há uma grande expectativa dos fãs brasileiros da série The Crown, do Netflix, que a visita seja mostrada na próxima temporada.

Elizabeth II pousou no Recife com o avião oficial em 1º de novembro de 1968 fazendo jus à fama da pontualidade britânica, chegando 1 minuto antes do previsto, às 16h29. Do aeroporto, seguiu em carro aberto pelas ruas da capital pernambucana até o Palácio do Campo das Princesas, onde foi oferecida uma recepção. Na sede do governo estadual, passou 59 minutos, 18 além do previsto.

Foto: Acervo Pessoal/Família Coelho
A Rainha Elizabeth II desembarcou no Recife após o voo vindo de Londres - Foto: Acervo Pessoal/Família Coelho
Foto: Acervo Pessoal/Família Coelho
A Rainha Elizabeth II desembarcou no Recife após o voo vindo de Londres - Foto: Acervo Pessoal/Família Coelho
Foto: Acervo JC
Após deixar o aeroporto, a monarca foi até o Palácio do Campo das Princesas em carro aberto - Foto: Acervo JC
Foto: Acervo JC
Após deixar o aeroporto, a monarca foi até o Palácio do Campo das Princesas em carro aberto - Foto: Acervo JC
Foto: Acervo JC
Após deixar o aeroporto, a monarca foi até o Palácio do Campo das Princesas em carro aberto - Foto: Acervo JC
Foto: Acervo JC
Durante a recepção no Palácio, uma gafe: faltou energia elétrica - Foto: Acervo JC
Foto: Acervo JC
A Rainha Elizabeth II acena para pessoas ao deixar o Palácio do Campo das Princesas - Foto: Acervo JC

O Jornal do Commercio fez uma ampla cobertura da visita. O colunista social Alex, falecido em 2015, descreveu a majestade como “uma figura encantadora” e também detalhou as joias usadas por Elizabeth II: “colar de pérolas, brincos formados por uma pérola imensa. A joia mais linda: um broche imenso, de brilhantes, do lado direito.

A visita real ainda está na mente de quem esteve no Palácio. O pintor, escultor e ceramista Francisco Brennand participou da recepção e cumprimentou Elizabeth II. Dias antes da visita, o então governador Nilo Coelho esteve na oficina do artista e levou um vaso para presentear a Rainha. Além do elogio de Elizabeth II, ele se lembra também do comentário do príncipe Phillip, que aparentemente gostou mais da embalagem da peça de cerâmica de 1,20m do que do próprio presente. “Ele, solitariamente ao meu lado, elogiou várias vezes a qualidade soberba da embalagem onde o vaso estava e não disse uma palavra sobre o vaso”, lembra.

No entanto, o artista afirmou que não ficou chateado, pois também tomou como um elogio, já que a embalagem era uma caixa de madeira feita de maneira artesanal e trazia a pintura das bandeiras do Brasil e da Inglaterra. Além da cerâmica, a Rainha levou de presente também o quadro Sombra Verde, de Lula Cardoso Ayres.

FALTA DE ENERGIA

Brennand recorda, ainda, do imprevisto que ocorreu. Durante 25 minutos, faltou energia no Recife, justo na hora em que a Rainha estava no Palácio. “Ficou uma situação desagradável do ponto de vista da etiqueta. Poderia parecer um atentado. Na época, não se falava em terrorismo. O príncipe Phillip foi um dos primeiros a pegar um candelabro e percorreram as dependências do Palácio”, lembra.

O escritor Leonardo Dantas, que na época era repórter do JC, guarda a credencial da cobertura da visita e o souvenir de uma caixa de fósforo com a foto da soberana, comemorativa à visita. “Foi uma revolução na cidade para esperar a Rainha. A lembrança é marcada pela ansiedade de se contemplar de perto uma soberana e a espera, os preparativos, o tempo que se viveu na redação. É como tivesse se vivendo um conto de fadas. Uma rainha que chega com pompa e circunstância e toda a sociedade fazendo questão de ser apresentada”, recorda. Cada convidado era apresentado a Elizabeth II pelo então secretário da Casa Civil, Paulo Fernando Craveiro.

Ana Maria Coelho, cunhada do ex-governador Nilo Coelho e viúva do ex-deputado Oswaldo Coelho, lembra de detalhes da decoração do Palácio, feita com plantas típicas do Nordeste, como as flores bougainville e grande flora. Ela ajudou a ex-primeira-dama Maria Tereza Coelho nos preparativos e considera o momento com a soberana especial. “Eu disse que tinha estudado na Inglaterra. Ela perguntou onde eu tinha estudado e disse que gostava muito do lugar e conhecia o colégio. Foi muito rápido, mas eu pude falar com ela”, recorda.

João Alberto, colunista social do Diário de Pernambuco, afirma que essa foi uma das principais coberturas da sua carreira. “Foi a primeira grande cobertura que fiz. Dois meses antes eu tinha assumido a coluna. Havia uma expectativa enorme da presença da Rainha”, diz.

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