MULHER NO PODER | Notícia

México é mais uma exceção

Nova presidente eleita pelos mexicanos se destaca no cenário político, onde a predominância de líderes continua sendo masculina

Por JC Publicado em 04/06/2024 às 0:00

A primeira mulher na presidência do México assume o governo para um mandato de seis anos, 90 anos após essa duração ter sido implantada, em 1934. A tradição dominada pelos homens na política vem sendo questionada nas últimas décadas, com as mulheres buscando maior representatividade nos parlamentos e nas chefias do Executivo municipais, estaduais e nacionais. A realidade, contudo, permanece de feições, nomes e atitudes masculinas no poder, na América Latina de Claudia Sheinbaum e no mundo. Em levantamento feito no ano passado pela União Parlamentar Internacional, em 151 países, somente 17 tinham mulheres no comando. Entre os que jamais tiveram mulheres na presidência, vale recordar os Estados Unidos e a França – que teve apenas uma primeira-ministra – que são referências da democracia exercida majoritariamente pelos homens.
Sheinbaum é a oitava mulher que chega à presidência na América Latina através das urnas, numa lista que se inicia apenas em 1990 com Violeta Chamorro, na Nicarágua, e passa por Michelle Bachelet, no Chile, Cristina Kirschner na Argentina e Dilma Rousseff, no Brasil. A situação no continente, como no resto do planeta, se reflete dentro das nações, com a representatividade feminina, em geral, aquém da proporção das mulheres na população. As tradições locais têm se renovado, com presença maior das mulheres em cargos de gestão, com mais prefeitas, por exemplo, do que no século passado. Mesmo assim, a discrepância continua, e a diferença nos mais altos escalões dos governos indica a permanência de lideranças políticas masculinas.
E mesmo quando despontam, algumas mulheres exercem o poder sem atuar por bandeiras consideradas feministas, por causa do machismo que vigora, também, entre as mulheres. Pode ser o caso da presidente eleita no México, segundo analistas internacionais. O gênero da governante aparece com destaque e se expõe a críticas quando o protagonismo é feminino, num claro sinal da desconfiança que ainda impera na sociedade, em diversos países. Esse problema já foi apontado, por exemplo, pela primeira governadora a assumir o Palácio do Campo das Princesas, tendo outra mulher como vice. A liderança de Raquel Lyra e de Priscila Krause em Pernambuco não deixa de estar em constante questionamento, pelo fato de serem mulheres no poder. Nada que outras, no Brasil, na América Latina e outros continentes já não tenham passado, ou estejam passando, em pleno século 21.
O peso de ser a primeira mulher a governar o México certamente recairá sobre os ombros de Claudia Sheinbaum. Para a sorte dos mexicanos, a experiência das mulheres que exerceram o poder em outros lugares, no passado recente, bem como de várias que se encontram atualmente na função da responsabilidade pública, pode ser acessada com mais facilidade que em qualquer época da história humana. A história das mulheres no poder ainda tem um longo caminho pela frente, e quanto mais se puder formar redes de informações sobre gestão, governança e alternativas à política masculina, sobretudo ao machismo, melhor para toda a humanidade.

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