Agenda do clima em voto
Pelas consequências já perceptíveis na vida da população, as mudanças climáticas não podem ficar de fora dos debates nas eleições municipais

Basta lembrar o impacto das chuvas fortes e das ondas de calor, no Brasil, nos últimos anos, em especial as inundações no Rio Grande do Sul, meses atrás, para saber que as alterações no clima vieram para transformar a vida coletiva nas cidades. Todas as questões estruturais que afetam os brasileiros são agravadas pelos fenômenos naturais intensos que podem passar a fazer parte do calendário em todo o país, assim como no mundo inteiro. As habitações enfrentam riscos dobrados, os espaços públicos precisam ser constantemente monitorados, e os cuidados com as variações do tempo atmosférico entram de vez na agenda da gestão pública, com repercussões possíveis em diversos serviços prestados, de um dia para outro.
Assim, não dá para esquecer a pauta das mudanças climáticas no debate eleitoral sobre o presente e o futuro das cidades. Temas como a aceleração de medidas de melhoria da infraestrutura, que servem de prevenção, e dos planos de ação para os casos de fenômenos extremos de chuva e calor, devem ser vistos por candidatas e candidatos como essenciais em seus programas de governo. Não apenas em providências concretas e específicas para minimizar os riscos, como também na adoção de políticas voltadas para o comportamento da população, a exemplo da educação ambiental nas escolas da rede pública. A responsabilidade dos titulares eleitos para as prefeituras não se resume a solicitar recursos dos governos estaduais e do governo federal. Assumir uma postura proativa em relação às mudanças climáticas é reconhecer a importância da pauta, e conceder ao poder municipal o devido lugar no esforço humano de reversão de largos impactos em nosso modo de vida, que talvez se encontrem em curso.
Os incêndios florestais nas regiões Norte e Centro-Oeste ilustram o tamanho de um problema que tende a crescer, com o fogo criminoso acoplado aos rigores das mudanças climáticas. As longas e severas estiagens integram o cenário no qual prefeitas e prefeitos eleitos irão se inserir a partir de 2025. O clima não apenas uma questão global, do interesse dos cientistas e dos diplomatas – trata-se de assunto municipal, que diz respeito ao cotidiano dos cidadãos, e se soma ao rol extenso de demandas para a gestão pública de qualquer município, de todo porte, do Oiapoque ao Chuí.
Temporais e deslizamentos de terra, níveis de umidade e as oscilações da temperatura geram urgências inadiáveis, mas que podem constar no planejamento municipal com antecedência, de maneira preventiva. Os debates entre candidatas e candidatos, além das propostas a serem analisadas pelo eleitorado, não podem minimizar as mudanças climáticas, a não ser que sejam negacionistas do clima, na contramão da população brasileira, que em sua maioria reconhece na ação humana as causas dessas mudanças. Também se espera um comportamento condizente com a dimensão do problema, dos integrantes das câmaras parlamentares municipais. Vereadoras e vereadoras também têm responsabilidade no futuro que as cidades irão ofertar aos habitantes.