Coronavírus

Recife seguia protocolo anterior do Ministério da Saúde em relação ao uso da cloroquina

Segundo Jailson, a prefeitura não é contrária ao uso da medicação, mas a utilização ficará a critério do médico e do paciente

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Publicado em 20/05/2020 às 11:24
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OMS ressaltou que ainda não há muitos artigos científicos que comprovam eficácia da cloroquina - FOTO: YURI CORTEZ/AFP
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O secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, afirmou, em coletiva de imprensa online, na manhã desta quarta-feira (20), que o município seguia o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde anteriormente no que diz respeito ao uso da cloroquina.

Segundo Jailson, a prefeitura não é contrária ao uso da medicação, mas a utilização fica a critério do médico e do paciente, que terá que assinar um termo de consentimento, já que o remédio não tem eficácia comprovada por estudos científicos. Isso já era adotado pelo Recife.

A coletiva ocorreu minutos antes de o Ministério da Saúde divulgar o novo protocolo para o uso da cloroquina e mais dois medicamentos no tratamento contra o novo coronavírus.

"Chegando comprimidos e o Ministério da Saúde colocando esse uso na atenção primária, a prefeitura do Recife distribuirá isso para as suas unidades de saúde, deixando a critério do médico, lá na ponta, respeitando sua autonomia, em conversa com o paciente. Porque, como não é um uso ainda regulamentado, é necessário que o paciente assine um termo de consentimento", explicou Jailson.

O secretário de saúde ainda disse que, no Recife, através do Núcleo de Evidências da prefeitura, há a busca constante pela atualização dos protocolos de uso hospitalar da substância. "O Ministério da Saúde, através de uma nota técnica informativa, já prevê o uso da cloroquina para pacientes hospitalizados. Esse é o protocolo que existe no Ministério da Saúde e esse é o protocolo que é seguido pela Prefeitura do Recife nos seus hospitais provisórios", declarou.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quarta-feira (20), o médico George Trigueiro, que preside o Sindicato dos Hospitais de Pernambuco(Sindhospe), afirmou que o protocolo sugerido pelo Ministério da Saúde é uma recomendação que os médicos já fazem desde o começo da pandemia no Brasil. Ele ainda disse que o médico tem liberdade para prescrever ou não o medicamento.

A reportagem solicitou uma nota à Secretaria de Saúde do Recife com a atualização sobre o posicionamento da prefeitura após a divulgação do novo protocolo divulgado pelo Ministério da Saúde, mas ainda não obteve resposta.

Ministério da Saúde divulga novo protocolo

O Ministério da Saúde divulgou na manhã desta quarta-feira (20) o protocolo para uso da cloroquina e mais dois medicamentos (Azitromicina e Sulfato de Hidroxicloroquina) em tratamento contra os sintomas do coronavírus. Essa recomendação era um desejo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), considerado defensor do medicamento. A insistência no remédio levou a divergências, e por consequência a queda, de dois ministros da Saúde: Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

No documento do ministério, que não possui a assinatura de médicos, foi destacado que "até o momento não existem evidências científicas robustas que possibilitem a indicação de terapia farmacológica específica para a covid-19" e que "a manutenção do acompanhamento da comunidade científica dos resultados de estudos com medicamentos é de extrema relevância para atualizar periodicamente as orientações para o tratamento".

Segundo a orientação da pasta, o uso dos três medicamentos deve seguir a sintomatologia do paciente, de acordo com a gravidade do quadro da doença (sinais leves, moderados ou graves). O ministério também ressalta os riscos da automedicação e que qualquer uso de remédios deve ter acompanhamento de um médico.

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