Saúde

Ministério Público de Pernambuco recomenda que Timbaúba siga protocolo do Ministério da Saúde sobre uso da cloroquina

Na recomendação, assinada pelo promotor de Justiça João Elias da Silva Filho, ainda é requisitado que a cidade mantenha as medidas de prevenção e cuidados contra a covid-19

JC
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Publicado em 25/05/2020 às 8:26
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Apesar de a ciência não ter demonstrado os efeitos potencialmente benéficos da hidroxicloroquina contra o novo coronavírus, alguns países e líderes mundiais, como o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, defendem abertamente seu uso - FOTO: YURI CORTEZ/AFP
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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou à prefeitura do município de Timbaúba, na Zona da Mata de Pernambuco, a seguir o novo protocolo do Ministério da Saúde sobre o uso da cloroquina, da hidroxicloroquina e da azitromicina no tratamento de pacientes com casos leves do novo coronavírus. Na recomendação, assinada pelo promotor de Justiça João Elias da Silva Filho, ainda é requisitado que a cidade mantenha as medidas de prevenção e cuidados contra a covid-19. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), até esse domingo (24), Timbaúba tinha 31 casos confirmados de coronavírus.

O MPPE firmou o prazo de 10 dias úteis para que a recomendação seja seguida. O documento, destinado ao prefeito Ulisses Felinto Filho e à secretária Municipal de Saúde de Timbaúba, Cynthia de Albuquerque Ferreira Lima, foi remetido na última sexta-feira (22). A recomendação é para que haja "a urgente disponibilização, para fornecimento gratuito aos pacientes, de toda a medicação prescrita pelos citados profissionais (médicos), a exemplo do Difosfato de Cloroquina, Sulfato de Hidroxicloroquina e Azitromicina", diz o documento.

Na última quarta-feira (20), o Ministério da Saúde divulgou o protocolo para uso dos três medicamentos em tratamento contra o coronavírus desde o primeiro dia da doença. Essa recomendação era desejo do presidente Jair Bolsonaro, considerado defensor do medicamento. A orientação do ministério é pela prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina, ambas combinadas com azitromicina, mesmo para casos leves.

As doses dos medicamentos se alteram conforme o quadro de saúde. O documento avisa que cabe ao médico prescrever, e que o paciente deve assinar um termo de "ciência e consentimento" sobre o uso da droga. Na sexta-feira (22), um estudo com quase 100 mil pacientes com covid-19 descartou que os medicamentos são eficazes contra a doença.

A hidroxicloroquina é normalmente usada para tratar artrite, enquanto a cloroquina é empregada no tratamento da malária. Os autores do estudo, publicado na revista científica The Lancet, enfatizam que os dois medicamentos não tiveram efeito em pacientes hospitalizados com o novo coronavírus.

A recomendação do MPPE cita outro artigo. "Em reforço da posição pró uso off label no tratamento da covid-19 dos medicamentos hidroxicloroquina + azitromicina, já há artigo científico publicado (Tratamento precoce de pacientes com covid-19 com hidroxicloroquina e azitromicina: uma análise retrospectiva de 1.061 casos em Marselha, França), devidamente avaliado e aprovado por pares, apontando-nos para uma posição científica mais avançada do que a de artigos ainda não avaliados e aprovados ou ensaios".

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