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Técnicos fazem perícia na escada de serviço de prédio no Recife onde morreu menino Miguel

Esta é a terceira perícia no condomínio desde o incidente que tirou a vida do pequeno Miguel, de 5 anos

JC
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Publicado em 08/06/2020 às 10:42
 WELLINGTON LIMA
A equipe do IC é composta por fotógrafo, desenhista, engenheiros civil, mecânico e nuclear - FOTO: WELLINGTON LIMA
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Com informações da TV Jornal

O Instituto de Criminalística (IC) chegou, por volta das 9h desta segunda-feira (8), ao condomínio de luxo do Edifício Pier Maurício de Nassau, também conhecido como Torres Gêmeas, para realizar a terceira perícia no local desde o incidente que tirou a vida do pequeno Miguel, de 5 anos.

O endereço é onde o menino, filho da empregada doméstica Mirtes Renata Santana de Souza, morreu depois de ser enviado sozinho de elevador pela patroa da mãe, Sarí Côrte Real, a um andar mais alto e cair de uma altura de 35 metros enquanto a procurava.

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A equipe do IC é composta por fotógrafo, desenhista, engenheiros civil, mecânico e nuclear. De acordo com o perito André Amaral, responsável pelo caso, a perícia foi feita na área da escada de serviços, onde não há câmeras de segurança.

Os técnicos mediram quanto tempo Miguel gastou para sair do quinto andar e chegar até o nono. A inspeção ainda estava acontecendo por volta das 12h. O resultado será anexado ao inquérito. 

O caso

A patroa, Sarí Côrte Real, esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB), foi presa em flagrante, indiciada por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), e liberada após pagamento de fiança de R$ 20 mil.

O fato aconteceu na tarde da última terça-feira (2), quando Sarí mandou Mirtes passear o cachorro da família e se responsabilizou por olhar o garoto.

Imagens do circuito interno de vigilância, divulgadas pela Polícia Civil de Pernambuco na quarta-feira (3), mostram que a patroa deixou a criança entrar sozinha no elevador para procurar a mãe e o enviou para um andar acima do que estavam. Perdido, o pequeno Miguel teria entrado no vão de um dos condensadores de ar, e, ao ver Mirtes no térreo, teria caído de uma altura de 35 metros.

Ao voltar para o prédio, a empregada se deparou com o filho praticamente morto, com múltiplas fraturas. Miguel ainda foi socorrido, mas não resistiu. Para ela, faltou paciência da patroa com o filho.

Hoje, Mirtes e demais parentes clamam por justiça. Na última sexta-feira (5), às 15h, a família se uniu a manifestantes para protestar em frente ao edifício onde Miguel morreu.

O caso vem gerado repercussão e comoção nacional. Mais de 2,5 milhões de pessoas já haviam assinado a petição que cobra por justiça pela vida do menino até às 18h55 deste domingo. O abaixo-assinado, criado na quarta, faz um apelo à Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

Caso pode ter rumo diferente

A conclusão do inquérito policial deverá ser encaminhada ao MPPE nos próximos dias. Sarí foi autuada por homicídio culposo, - crime cuja pena pode chegar a até 3 anos de detenção -, porque, na visão do delegado Ramon Teixeira, a suspeita foi negligente por deixar Miguel usar um elevador sozinho, mas não teve a intenção de matá-lo.

Mesmo assim, o caso pode ter um rumo diferente ao chegar no Ministério Público. Caberá ao promotor de Justiça responsável analisar provas materiais e depoimentos e decidir se denunciará Sarí Côrte Real por homicídio culposo ou doloso (quando há intenção de matar).

Advogados criminalistas, ouvidos em reserva pela coluna Ronda JC, afirmam que o promotor pode, sim, interpretar que a patroa da mãe de Miguel agiu com dolo eventual, pois uma criança daquela idade jamais poderia estar sozinha em um elevador.

Na visão dos criminalistas, ela era responsável pelo menino naquele momento e deveria ter impedido a ação. Caso o promotor decida denunciar por homicídio doloso, Sarí Côrte Real poderá ser levada à júri popular. Neste caso, a pena pode chegar a 20 anos de prisão.

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