Investigação

Caso Miguel: Síndico de prédio onde menino morreu presta depoimento à polícia

O síndico justificou que a tela de proteção não se fez necessário, pois, a altura da janela está 5 cm acima do que a legislação exige

Douglas Hacknen
Douglas Hacknen
Publicado em 10/06/2020 às 20:01
TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
Carlos Nobre foi sindico do prédio e saiu no dia 19 de maio - FOTO: TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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O síndico do prédio onde o menino Miguel Otávio, de 5 anos, caiu do nono andar, no último dia 2 de junho, Carlos Nobre, prestou depoimento à Polícia Civil na noite desta quarta-feira (10), na delegacia localizada no bairro Santo Amaro, área central do Recife. Durante o dia de hoje, o zelador do prédio e o advogado de Sarí Corte Real, suspeita de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, também estiveram no local.

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Carlos Nobre, que estava trabalhando no momento da queda da criança, explicou que durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19) houve uma eleição para definir o novo síndico do condomínio Pier Maurício de Nassau, mas a votação foi contestada por alguns moradores, por isso, ele tomou a frente da movimentação e no apoio à Polícia dentro do condomínio. Ele ocupou o cargo, oficialmente, até o dia 19 de maio, mas continuou exercendo as funções enquanto uma nova pessoa não era eleita.

"Foram feitas perguntas básicas, nada fora do padrão. O depoimento foi bem claro", relatou. Perguntado sobre a necessidade de tela de proteção na área onde a criança caiu, Nobre justificou que "não existe obrigatoriedade da tela. A legislação exige a tela em [alturas de] 1,10 e 1,20 metro, lá [no prédio] está com 1,25 metro. A alvenaria exigida seria 1,10 metro e lá está em 1,15 metro, portanto, está acima do que a legislação exige".

Segundo o Advogado de Sarí, que também esteve no local, ainda não há previsão de quando a sua cliente vai explicar à Polícia porque deixou a criança sozinha no elevador. "A versão dos fatos tem que ser dada ao delegado, que não pode saber da versão dela através da imprensa", disse Pedro Avelino.

O caso

Miguel havia sido levado pela mãe, Mirtes Renata, para a casa onde trabalhava porque ela não tinha com quem deixar a criança em função da pandemia. A patroa, Sari Mariana Côrte Real, pediu a ela que fosse passear com o cachorro. Ao fazer isso, Mirtes deixou o filho no apartamento, com a dona da casa.

A patroa deixou o menino entrar em um elevador, sozinho, para encontrar a mãe e voltou para casa para fazer a unha com uma manicure. O menino entrou no elevador, no quinto andar, e foi até o nono, de onde caiu.

 

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