INSEGURANÇA

Comerciantes da orla de Boa Viagem e do Pina aguardam requalificação de quiosques e colecionam relatos de assaltos

A Associação dos Barraqueiros de Coco do Recife firmou um acordo de cooperação com a prefeitura do Recife para a recuperação dos quiosques

JC
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Publicado em 26/08/2020 às 20:06
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Enquanto não há previsão para início da requalificação, os comerciantes seguem sendo alvos de assaltos. - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Os quiosqueiros da orla das praias de Boa Viagem e do Pina, na Zona Sul do Recife, colecionam boletins de ocorrência por assalto aos seus pontos comerciais. O pesadelo compartilhado por todos os que têm quiosques nas praias da capital começa a ganhar o esboço de uma solução, depois que um acordo de cooperação foi firmado entre a prefeitura do Recife e a Associação dos Barraqueiros de Coco do Recife (ABCR), no último dia 25 de julho. Entretanto, enquanto não há nada concreto, os comerciantes seguem sendo alvos de assaltos. 

O acordo de cooperação, que data do dia 25 de julho, prevê a recuperação dos 60 estabelecimentos e a expectativa dos donos é que o novo modelo dificulte a ação dos bandidos. Os proprietários apontam que o antigo projeto – entregue em 2009 - é um convite aos bandidos. A estrutura é precária. Foi construída com material pouco resistente e de baixa qualidade. A vidraçaria é alvo fácil das intempéries, o granito está em decomposição e a madeira utilizada durou pouco tempo em virtude da fragilidade do material. Assim, segundo os proprietários, tornou-se fácil arrombar os estabelecimentos. Desde então, os comerciantes vivem uma sensação de insegurança atrelada, quase sempre, ao prejuízo financeiro.

De acordo com a ABCR, o novo projeto contempla um estabelecimento mais seguro por ser mais robusto. Porém, a Associação ainda está em busca de parceiros para custear as obras. Alguns desses comerciantes contabilizam números inacreditáveis, tanto em relação aos sustos e às perdas como às idas à delegacia de Boa Viagem, como expõem os quiosqueiros Rafael Barsotti, de 30 anos, e Cícera Barbosa, de 55 anos.

Rafael Barsotti parou de contabilizar as vezes em que se dirigiu à delegacia de Boa Viagem para dar parte da ação de ladrões no seu quiosque. Não sabe se é o recordista entre comerciantes de água de coco, mas lembra ter de sobra boletins de ocorrência para contar essa história. Pelo menos uma vez por mês, ele é alvo de violência na orla de Boa Viagem. Já teve televisão, porta e até uma caixa registradora inteira levada por bandidos.

“Eu tenho a sensação de que, quando fizeram o projeto desses quiosques, 11 anos atrás, pensaram mais na beleza do que na segurança. Além disso, o material do quiosque sempre foi muito frágil. Os ladrões entram pelo teto, pela lona, pela cortina de vidro. A madeira é de baixa qualidade, quebra por nada. Vivemos essa angústia todos os dias. Fui casado e viajei em lua de mel e, já na cidade que escolhi para ficar com minha esposa, soube que minha barraca tinha sido roubada. Quem consegue viver com isso?”, indaga Rafael, que se manifestou por meio da assessoria da ABCR. 

Cícera Barbosa é dona de um quiosque e cuida de outro. Nos último dois anos, ela contabiliza que foi na Delegacia de Boa Viagem em 25 oportunidades. Coleciona todos os boletins de ocorrência. Costuma dizer que já está conhecida entre os policiais. Nos últimos quatro meses, quando os estabelecimentos que vendem água de coco estiveram fechados por conta da covid-19, sentiu a necessidade de ir todos os dias para o quiosque 36, do qual é a dona. Ela diz que deixou de ser comerciante no período da pandemia para se transformar em segurança do próprio patrimônio.

Para apoiá-la e diminuir os prejuízos, Cícera paga, ainda, uma segurança particular, que cuida do quiosque das 22h às 5h. Até ela chegar para “rendição” – agora sim, para trabalhar, com a liberação do Governo do Estado para a abertura do comércio de praia. Com tantos roubos relatados, diz que aprendeu a conviver com o perigo e minimizar as perdas. Nos dias atuais, parou de estocar produtos no quiosque. Tem no estabelecimento o necessário para as vendas diárias.

“Uma vez me roubaram R$ 5 mil, outras vezes, muitas mercadorias. Os quiosques estão muito acabados. A vidraçaria está quebrada. Eles entram por todos os lugares. São muitos os “noiados” ali na pracinha de Boa Viagem. Por isso, a expectativa de que o novo projeto seja logo entregue é muita. Talvez não melhore 100%, porque o ladrão sempre vai arrumar uma maneira de roubar, mas a estrutura vai melhorar, ficar mais forte e isso vai dificultar as coisas. É uma segurança a mais. Além de que, com quiosques mais seguros e bonitos, vamos atrair mais gente e lucrar mais. Assim, uma despesa extra, como essa da segurança particular que botei, vai poder ser paga de forma mais folgada”, explica a comerciante, também por meio da assessoria. 

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