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Com demanda 30% maior, fábrica de pano de chão aposta no trabalho de reeducandos em Pernambuco

A Algo Bom, em Paulista, no Grande Recife, contratou 20 reeducandos dos regimes aberto e semiaberto

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Publicado em 04/09/2020 às 13:46
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Trabalhadores foram contratados para as áreas de costura e embalagem do parque industrial - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Com a pandemia do coronavírus e o aumento na demanda do setor de produtos de limpeza e higiene, uma fábrica de pano de chão de Paulista, no Grande Recife, viu o número de pedidos crescer em 30%. Para dar conta da procura, a Algo Bom contratou em junho 20 reeducandos dos regimes aberto e semiaberto de Pernambuco para trabalhar nas áreas de costura e embalagem do parque industrial.

A Algo Bom tem convênios de empregos com o Patronato Penitenciário e com a Seres desde 2000. Os contratados são vinculados ao Patronato Penitenciário, da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), e à Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres). Atualmente, há 52 reeducandos na fábrica pelo programa e mais 16 pessoas que concluíram a pena sob regime CLT.

Um dos trabalhadores é Ailton Luís dos Santos, de 35 anos. Cumprindo o regime aberto, ele trabalha há mais de 4 anos na fábrica. Foram três meses de procura até conseguir um emprego. “É muito difícil como reeducando, tem a discriminação ainda”, comentou.

Ailton chegou inicialmente na faxina; depois virou embalador e agora está na área de expedição. “Foi muito bom e está sendo até hoje”, afirmou.

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Trabalhadores foram contratados para as áreas de costura e embalagem do parque industrial - DIVULGAÇÃO
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Trabalhadores foram contratados para as áreas de costura e embalagem do parque industrial - DIVULGAÇÃO

O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, classificou que a ressocialização é sinônimo de empregabilidade. “Essa também é uma meta do governo, oferecer mais empregos para aqueles que estão presos. Porque a ressocialização exige o aperfeiçoamento da atividade da pessoa”, definiu. “Nós temos claro que o nível de reincidência criminal para aqueles que estão trabalhando não chega a 3%. Quando o pessoal deixa a prisão e não tem oportunidade, principalmente os mais jovens, corre o risco de ser capturado por organizações criminosas, sobretudo do tráfico de drogas”, falou.

Segundo ele, há 1.206 egressos do sistema aberto trabalhando em órgãos públicos e privados de um universo de 9 mil. “Além disso, temos gente trabalhando em empresas que funcionam dentro das unidades prisionais”, acrescentou.

O chefe da pasta explicou que, enquanto a inserção no mercado de trabalho favorece a ressocialização dos reeducandos, também beneficia as empresas, que são dispensadas do pagamento de obrigações sociais e previdenciárias. “Os inscritos estão dentro de um programa que a legislação federal dispõe, até como forma de incentivo às empresas para contratarem ex-apenados. O egresso recebe o salário mínimo, material de EPI, vale refeição e transporte”.

O diretor da Algo Bom, Antônio Carlos Cisneiros, pontuou que o objetivo maior é dar oportunidades. “O reeducando que trabalha na fábrica, ao final da pena, tem a carteira de trabalho assinada e todos os direitos de acordo com a CLT”, garantiu.

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