Sertão

Ataque que matou uma pessoa não é comum em Petrolina, e enxames podem ter de 5 a 100 mil abelhas

Um idoso, de 71 anos, não resistiu aos ferimentos e faleceu no loca

Mayra Cavalcanti
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Mayra Cavalcanti
Publicado em 15/09/2020 às 10:47 | Atualizado em 06/07/2021 às 7:41
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Uma mulher foi atacadas por centenas de abelhas e socorrida por pessoas que estavam no local. - FOTO: REPRODUÇÃO/WHATSAPP
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Seis pessoas que ficaram feridas durante um ataque de abelhas ocorrido na tarde dessa segunda-feira (14) no Centro de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, receberam alta hospitalar. Após o ataque, que aconteceu nas proximidades do Cemitério Campo das Flores, as vítimas foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levadas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. Com ferimentos leves, depois de receberem medicação, foram liberadas. Na ocasião, uma mulher ficou ferida e foi encaminhada para um hospital particular do município. Um idoso, de 71 anos, faleceu no local.

De acordo com a Prefeitura de Petrolina, foram identificadas quatro colmeias nas imediações, sendo três dentro do Cemitério, e uma do lado de fora. Das quatro, a gestão acredita que apenas uma foi responsável pelo ataque, já que as abelhas das outras não estavam atacando. "O que a gente imagina é que alguém mexeu nesse enxame. Não é comportamento normal da abelha, ela só ataca se for atacada. Ao chegarmos lá isolamos a área, fizemos um levantamento e vimos que havia um enxame ativo, que acreditamos ser antigo pelo tamanho. Ele estava muito próximo ao local do ataque", comenta Marcelo Gama, diretor-presidente da Agência de Vigilância Sanitária de Petrolina.

Ele explica que as abelhas envolvidas no ataque são da espécie Apis mellifera, também chamada de abelha europeia ou italiana. Este é o tipo mais encontrado no Brasil e em Pernambuco. "É a abelha que normalmente é encontrada nos criadouros. Ela proporciona mais mel, e acredita-se que ela seja do norte da Europa", acrescenta. Os enxames podem conter de 5 a 100 mil abelhas, dependendo do tamanho e do tempo. No caso ocorrido nessa segunda, tanto pessoas ligadas ao SOS Abelha, quanto equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para isolar a área e controlar o ataque.

O SOS Abelha é um projeto coordenador pela Vigilância Sanitária do município, formado por servidores treinados pelo Centro de Manejo de Fauna e Caatinga (Cemafauna) da Univasf e pelos Bombeiros. O ataque causou tumulto entre os moradores de Petrolina, visto que motoristas e pedestres que passavam pela região foram atacados. As pessoas chegaram a abandonar seus veículos e parte do comércio da área foi fechado. Alguns, inclusive, utilizaram extintor de incêndio para tentar dispersar as abelhas.

Ataques de abelhas não são comuns em Petrolina

Marcelo Gama comenta que ataques de enxames não são comuns na cidade. O que acontece são casos envolvendo uma ou duas pessoas, mas não de forma comunitária como ocorrido nessa segunda-feira. Diariamente, o SOS Abelha trabalha recebendo denúncia de colmeias e enxames na cidade do Sertão de Pernambuco, há cerca de dois anos. Após o telefonema, uma equipe do projeto vai ao local e faz um levantamento do que está ocorrendo, durante o dia.

À noite, as abelhas são resgatadas e encaminhadas para uma associação de apicultores. "Esse transporte não pode ser feito durante o dia, porque, neste momento, as abelhas não estão dentro da colmeia, estão trabalhando. À noite, elas retornam", diz. No caso das abelhas que estavam no Cemitério, o SOS Abelha ainda não havia recebido chamados para o local anteriormente. "Os animais estavam dentro de uma catacumba, não tinha denúncia. Por isto acreditamos que elas conviviam lá tranquilamente. Alguém atiçou essas abelhas e foi a primeira vez que tivemos um ataque deste tipo".

Para realizar denúncias no SOS Abelha, basta ligar para o telefone (87) 3867.4774, de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h. O diretor-presidente da Vigilância Sanitária relata que não há um mapeamento das abelhas, mas que as ocorrências ocorrem no município como um todo. Nos meses de setembro, outubro e novembro, as denúncias se intensificam por causa da estação, já que na primavera as abelhas migram para a área urbana procurando alimentos. Apenas na terça-feira (8), o SOS Abelha havia recebido 23 denúncias. Em setembro, até esta terça (15), foram 66 contatos.

Acidentes com abelhas

A orientação para quem se deparar com um enxame é resguardar a vida. O ideal é tentar isolar a área e evitar se aproximar dos animais. "O mais importante é não mexer com as abelhas, porque pode acontecer o que ocorreu ontem. É importante respeitar o espaço delas. Lembrando que exterminar abelhas é um crime ambiental. Temos que prevenir os acidentes e resguardar esses animais, que são importantes para a nossa sobrevivência", alerta Marcelo. Caso a pessoa seja alérgica à picada da abelha, deve procurar imediatamente auxílio médico.

Abelha é o animal que mais mata

"Abelha é o animal que mais mata no mundo, ainda é a abelha porque ela existe em todos os continentes, não existe abelha em pequenas quantidades. Cemitério é um local tranquilo, onde elas podem achar ambiente adequado para fazer suas colmeias", explicou o veterinário Doralécio Lins e Silva, em entrevista ao programa Passando a Limpo da Rádio Jornal, na manhã desta terça-feira (15). Segundo ele, um cavalo pode morrer com apenas 400 picadas do inseto e, dependendo do grau de alergia, idade e resistência da pessoa, apenas uma abelha pode matar um ser humano.

O especialista ainda afirmou que não existe soro para tratar picadas de abelha. "Como primeiros socorros, você deve retirar os ferrões. A abelha só pica uma vez porque ela deixa o ferrão na pele e, ao lado do ferrão, é possível ver uma bolsa. Essa bolsa é a que contém o veneno. Então, quanto mais cedo você tirar esses ferrões, melhor", declarou. De acordo com ele, a retirada não deve ser feita com a mão. O ideal é que seja realizada na forma de raspagem. "Pode utilizar uma faca, uma régua, uma folha de papel dobrada, alguma coisa que raspe a pele, nunca pegando. Se você tiver uma pinça, ótimo".

Ouça a íntegra da entrevista:

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