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'Não quero fazer dessa eleição um ringue local', ressalta Julio Lossio Filho sobre corrida à Prefeitura de Petrolina

Lossio Filho afirmou que o campo político "sempre foi tirar a Compesa de Petrolina"

Alice Albuquerque
Alice Albuquerque
Publicado em 14/09/2020 às 22:05
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Julio Lossio Filho afirmou que a política corre nas suas veias e que cresceu no meio "falando de política, conversando sobre". "Quando meu pai assumiu a Prefeitura, a gente adentrou com ainda mais força nesse debate. Também nunca me furtei de debater sobre as questões de Petrolina, não simplesmente apareci agora, apesar de ser uma pessoa que era do bastidos". - FOTO: JCTV
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Pré-candidato a prefeito de Petrolina e filho do ex-prefeito Julio Lossio, Julio Lossio Filho (PSD) defendeu que uma das principais pautas caso vença a eleição, será a criação de uma empresa estatal para o tratamento de água e esgoto do município, substituindo a Compesa, empresa que faz o serviço atualmente. O pré-candidato também acredita que pela primeira vez Petrolina poderá ter uma disputa no segundo turno e será propositiva para que haja um maior debate sobre as questões próprias da cidade.

Julio Lossio Filho foi o entrevistado desta segunda-feira (14), do programa Resenha Política da TVJC, que está fazendo uma série de lives com os pré-candidatos à Prefeitura.

Pré-candidato aos 26 anos, tendo a primeira campanha política concorrendo à majoritária, Lossio Filho afirmou que a idade não é um problema, e Petrolina tem um histórico de prefeitos jovens, como "o próprio Miguel Coelho". "A gente entende que a experiência e capacidade administrativa não está na idade, sim na condução do processo, nos apoios que recebe, na vontade de trabalhar e fazer diferente. Tenho convicção que estamos preparados para fazer os caminhos dessa cidade, até porque a juventude sempre foi protagonista desses momentos históricos no Brasil, e por que não conduzir os rumos, processos, cidades e Estados?", questionou.

Com relação a possibilidade de haver uma disputa no segundo turno no município, Lossio ressaltou que é uma possibilidade positiva, já que o debate passa a ser voltado para a cidade, não para falar dos candidatos. "Eu não sou candidato para falar mal de ninguém, sou candidato para falar de Petrolina e penso que isso é o que importa, que o cidadão de Petrolina quer ouvir. A gente vai fazer a crítica a administração, como a gente fará melhor. Não quero fazer dessa eleição um ringue local, que o cidadão vai ver pessoas brigando, mas nada será do seu interesse. Tenho convicção que teremos um segundo turno. Petrolina é uma cidade exigente, politizada, que gosta de debater política e vai ver a importância de se ter um segundo turno para esse debate enriquecer a discussão sobre os problemas e soluções para a cidade".

Compesa

Questionado sobre o que pretende fazer com relação a Compesa, tendo em vista o apoio do governador Paulo Câmara (PSB) na cidade, Lossio Filho lembrou que a tentativa de tirar a empresa de Petrolina também foi pauta nos dois mandatos do pai. "Inclusive, o que permite hoje a concessão para que a Compesa saia de Petrolina foi decisão judicial em junho de 2016, quando conseguiu que o STF reconhecesse a titularidade do sistema de água e esgoto para Petrolina. O nosso campo político sempre foi tirar a Compesa de Petrolina, diferente do atual prefeito que, quando era aliado ao governo estadual, era a favor, e só virou contra quando rompeu politicamente. A nossa posição de mantém, não temos duas conversas", ponderou.

Ele explicou que a pretensão é que o serviço de água e esgoto devam ser assumidos pela própria Prefeitura, "o cidadão tem que saber a quem cobrar". "Acreditamos que no lugar da concessão, a gente deve assumir o serviço de água e esgoto. Temos, no mundo, cidades que antes tinham a concessão, como Berlim e Paris que, agora, estão entendendo a importância de se ter o controle do sistema nas mãos do próprio Estado e município. Eu até tinha a ideia de privatização antes mas, sobretudo o covid-19, me mostrou a importância de ter o Estado controlando e demandando as questões prioritárias. Tratamento de água é saúde pública e precisa estar nas mãos do ente federado por aquele sistema. De diferente na nossa proposta é que vamos tirar a Compesa e assumir o sistema, até porque um dos grandes problemas daqui é que o cidadão não sabe a quem cobrar".

Perguntado se em um mandato, ou seja, o prazo de quatro anos, seria possível fazer a construção de uma estatal, com gasto de contratação de pessoal o que, caso não dê certo, possa vir a gerar problemas para a cidade, o pré-candidato ressaltou que o tempo é suficiente, "porque tem muita gente boa que possa trabalhar". "Nesse sentido, a Prefeitura vai poder trazer essas pessoas para fazer essa condução. Não é porque está nas mãos da Prefeitura que ela não pode ter o suporte do mercado privado, técnicos privados, pessoas que tenham nohall e conhecimento necessário para tocar isso".

De acordo com Lossio, o orçamento projetado para o próximo ano é de R$ 1 bilhão, "sem mencionar que a Compesa é superavitária, então sobra dinheiro". "Para esse tipo de atuação, o que precisamos é direcionar esforços e recursos. O que não dá é para ficar nesse jogo de empurra. Os esforços financeiros, técnicos e administrativos que forem necessários, serão feitos para viabilizar o projeto e o sistema de água e esgoto de Petrolina".

Na defesa de uma Guarda Municipal armada, Lossio ressaltou que é necessário valorizar e respeitar a classe com reajuste salarial. "Que precisa ser feito há muito tempo e nada foi feito nesse sentido. Precisamos colocar ela na rua. Aqui em Petrolina, se você passar qualquer hora do dia, vai ver 16 carros novos, zero quilômetros, que chegaram do governo federal e estão parados há mais de meses, porque não bota para rodar. Está faltando gestão, planejamento, vontade de colocar a Guarda na rua para valorizar a segurança pública", criticou.

O advogado disse, ainda, que o atual prefeito Miguel Coelho (MDB) "não cuidou da educação". "Pela primeira vez desde quando foi implantado, o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] caiu na cidade. Todos os anos vinha em constante crescimento, inclusive, na gestão do pai do prefeito [Fernando Bezerra Coelho]. Isso também aconteceu na atuação na saúde, está muito deficitária. Não ampliaram com a vontade e o vigor necessário. A atenção básica da cidade, voltaram ao modelo antigo do posto de saúde, que não tem médico, não tem medicamento. A gente tem um déficit absurdo de políticas públicas nos projetos irrigados, que é o motor da economia da cidade e precisamos de uma atuação forte na área social, ambiental, sobretudo na inovação".

De acordo com Julio Lossio, há desigualdade na cidade e a diferença é gritante. "Essa realidade precisa ser combatida. Costumo dizer que governar é basicamente fazer três escolhas: definir para onde vão os recursos, para onde vai mais recursos e para onde vai primeiro; e o que vamos fazer é diminuir e combater, mandando mais recurso para onde tem menos e mandar primeiro para onde não. A gente precisa fazer com que a política pública chegue onde as pessoas precisam".

Apoio do PSB

O pré-candidato comentou que o acordo com o PSB é baseado na construção de novas ideias para Petrolina e para o povo. "Meu pai sempre foi crítico das gestões, prioridades. O representante era o grupo do atual prefeito, não tenho nenhum interesse de estadualizar ou nacionalizar a eleição, quero debater Petrolina, discutir problemas e apontar as soluções que acreditamos possíveis para a cidade. Quando ao governador, ficamos honrados com seu apoio, ele ganhou as eleições aqui e por mais que se fale, tem o respaldo e aprovação popular. Ficamos honrados de caminhar junto, porque isso vai nos ajudar lá na frente, na construção de novas ideias para Petrolina e o nosso povo", pontuou.

>> Igor Maciel: Apoio do PSB a Julio Lossio Filho em Petrolina é confirmação de estratégia com "um pé em cada barco"

"O PSB está no nosso palanque e ficamos felizes com esse apoio, que não é pautado em troca política de cargo, favores, mas pautado em ideias e ideais. A gente também entende as outras candidaturas no campo da oposição, entendemos como Marco Maciel dizia, que entre tudo o que nos separa, há de agir um que há de convergir, e é por ela que a gente deve caminhar. Penso que esse é o caminho que toda oposição de Petrolina está querendo seguir, não acreditamos no projeto que está e queremos um novo olhar para a cidade".


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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