FOLIA

Covid-19 tirou o Carnaval das ruas, mas não do coração e das casas de quem ama a folia

O cancelamento da folia por causa da pandemia não desestimulou foliões a enfeitarem suas casas para o Carnaval

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Margarida Azevedo

Publicado em 12/02/2021 às 18:09 | Atualizado em 12/02/2021 às 18:17
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"O Carnaval está dentro de nós, mora em mim". Assim a professora aposentada Edileuza Monteiro de Vasconcelos, 62, justifica o motivo de ter mantido a decoração na sua varanda com sombrinhas, máscaras, fitas e tecidos coloridos. Não seria a pandemia de covid-19 que a faria mudar uma tradição que já soma três décadas, desde que ela mudou-se para a casa que habita na Rua 9 de Janeiro, no Centro de Bezerros, Agreste do Estado. Terra do Papangu, a cidade tem uma das folias mais animadas do interior de Pernambuco.

"Sempre gostei de Carnaval. Não tanto de brincar, mas de ver os papangus, de observar as pessoas se divertindo. Curto de longe", conta Edileuza. "Entendo que muitas pessoas estão tristes porque não haverá festa. Mas não podemos abandonar o amor pelo Carnaval e nem nos incomodar porque esse ano não teremos nada. A vacina está aí e se Deus quiser ano que vem vamos todos aproveitar em dobro", afirma a professora. "Ainda mais em Bezerros, que possui um celeiro cultural tão forte e a festa está no nosso sangue."

Ela diz que reformou a varanda da casa recentemente, o que foi mais um motivo para encher o espaço de enfeites carnavalescos. "Coloco tecidos e me preocupo em não repetir no ano seguinte. Pode ser com bolinhas, xadrez, estampado. O frevo é representado com as sombrinhas. Tem também as máscaras", detalha a professora.

Acervo pessoal
Moradora de Bezerros, Edileuza faz questão de enfeitar sua varanda com sombrinhas e máscaras - Acervo pessoal

Quando os filhos eram adolescentes, ela os ajudava com as fantasias de papangu e com as roupas de mulheres para saírem no Bloco As Melindrosas, uma das agremiações mais tradicionais de Bezerros. Hoje, os filhos moram em São Paulo e Portugal. "Somos eu e meu marido em casa. Ele liga o som, coloca frevos e ficamos na varanda observando as pessoas", afirma.

CAPRICHO

A cerimonialista aposentada Glória Fernandes, 64, também fez questão de deixar a casa toda no clima de Momo. Ela mora no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife. "Nasci em fevereiro, em pleno Carnaval. Meu marido também. Adoramos brincar, começando na sexta e indo até a terça-feira. Vamos para o Homem da Meia Noite, Patusco, Amantes de Glória e A Cabra Alada", relata Glória, lamentando a falta da folia este ano. "Antes de casar morei na Rua 13 de Maio, na Cidade Alta de Olinda. Então sempre gostei da farra", diz.

"Não vai ter Carnaval, mas minha alegria é a mesma. Adoro ter minha casa arrumada em todas as festas. Decoro no Carnaval, na Páscoa, São João, Natal. No começo eu mesma fazia, com sugestões de pessoas conhecidas. Depois passei a chamar um arquiteto amigo que trabalha com decoração de festas", explica Glória.

Este ano, uma das portas do apartamento ganhou um arranjo com fitas, penas e tecidos coloridos. Do teto saem cordões com bolas espelhadas. Na varanda de Glória, como na de Edileuza, há sombrinhas de frevo e máscaras. Uma delas, maior, é de um arlequim. "Fico feliz em ver a casa bonita", ressalta Glória.

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