INCÊNDIO

Pernambucana trans morreu ao inalar fumaça tóxica durante incêndio em clínica de São Paulo, diz prontuário

Ela estava sedada na unidade, na última quarta-feira (17), para realizar o procedimento de implante de seios quando o fogo começou

JC
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Publicado em 24/02/2021 às 11:00
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Lorena Muniz, 25 anos, viajou até São Paulo para realizar o procedimento de implante de seios - FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM
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O prontuário médico da pernambucana transexual Lorena Muniz, 25 anos, aponta que a morte dela, no domingo (21), pode ter sido causada por inalação de fumaça tóxica durante o incêndio que atingiu uma clínica particular em São Paulo. O documento foi obtido pelo G1. Ela estava sedada na unidade, na última quarta-feira (17), para realizar o procedimento de implante de seios quando o fogo começou. O corpo de Lorena ainda não chegou ao Recife. A família autorizou a doação dos órgãos da vítima.

Com a intoxicação, a vítima teria ficado sem oxigenação no cérebro e teve uma parada cardiorrespiratória por 17 minutos. Ela teve o nariz e uma das orelhas queimadas. A morte cerebral da paciente foi confirmada cinco dias depois, no domingo (21), pelo Hospital das Clínicas, unidade para onde ela foi socorrida.

A Polícia Civil ainda aguarda, entretanto, o resultado do laudo do Instituto Médico Legal (IML) com a causa oficial da morte para incluir no inquérito que investiga a morte de Lorena como incêndio e homicídio culposo, no qual não há intenção de matar.

A família denuncia que a paciente foi deixada para trás durante a evacuação do local, ficando exposta a grandes quantidades de fumaça. A jovem só teria sido socorrida com a chegada do Corpo de Bombeiros, que a levou até o Hospital das Clínicas.

À imprensa, a defesa da clínica afirmou que a paciente não ficou desassistida durante o incêndio. "Havia dois auxiliares de enfermagem que tentaram retirar a paciente, mas na esquina vinha vindo uma viatura e ela já interviu para que eles não entrassem lá e aguardassem o Corpo de Bombeiros", disse ao G1 o advogado Daniel Santana Bassani.

"Nós tentamos de tudo para retirar a paciente, mas os policiais militares, de forma coerente, não permitiram que fosse retirada por pessoas que não tinham capacidade para isso. Os bombeiros entraram e retiraram", acrescentou.

Nessa terça (23), a deputada estadual Erica Malunguinho e a vereadora Erika Hilton, ambas mulheres trans do PSOL, reuniram-se com a Defensoria Pública de São Paulo e pediram que o Ministério Público (MP) acompanhe as investigações.

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