Reparação

Paulo Câmara determina que feridos em protesto no Recife recebam assistência do Estado e indenização

O adesivador Daniel Campelo da Silva, 51 anos, e o arrumador Jonas Correia de França, 29, estão internados no Hospital da Restauração com lesões nos olhos ocasionadas pelos tiros que os atingiram. Nenhum dos dois participava do protesto

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 30/05/2021 às 13:38
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A carta é assinada pelo governador Paulo Câmara (PSB) e outros 18 governadores brasileiros - FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM
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Em comunicado divulgado à imprensa neste domingo (30), o governador Paulo Câmara (PSB) informou que determinou à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) que acompanhe a assistência médica que está sendo prestada aos dois homens feridos durante o protesto contra o governo Bolsonaro que ocorreu no último sábado no Recife. As vítimas, que foram atingidos por balas de borracha disparadas por policiais militares no ato, correm o risco de perder a visão.

"Assim como estamos acompanhando a investigação que está sendo realizada pela Corregedoria, também vamos seguir de perto a assistência às pessoas que resultaram feridas", afirmou Paulo Câmara, que também acionou a Procuradoria Geral do Estado para, em conjunto com a SJDH, iniciar o processo de indenização aos atingidos.

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O adesivador Daniel Campelo da Silva, 51 anos, e o arrumador Jonas Correia de França, 29, estão internados no Hospital da Restauração com lesões nos olhos ocasionadas pelos tiros que os atingiram. Nenhum dos dois participava do protesto.

Na manhã de hoje, durante entrevista à TV Jornal, familiares das duas vítimas afirmaram que não estavam recebendo qualquer assistência do governo e que precisaram, inclusive, custear medicamentos que não estavam disponíveis no HR para o tratamento da lesão.

"No hospital passaram cerca de cinco colírios e pomadas muito caras e o governo não arcou com as consequências. Eles não tinham a medicação e o pai e o irmão dele tiveram que comprar. O governo não nos deu assistência nenhuma, isso é um absurdo", afirmou Daniela Barreto de Oliveira, esposa de Jonas.

Júlio Sena, filho de Daniel, afirmou que também não havia sido procurado pelo governo e até iniciou uma campanha de arrecadação de recursos para o pai. "Nós agradecemos muito a todos que têm ajudado o meu pai e àqueles que ainda puderem ajudar com qualquer valor. Ele é autônomo, não tem uma renda fixa, tem uma criança autista de três anos e outra de três meses. Nós não temos nem previsão de quando ele vai conseguir voltar a trabalhar, então temos que segurar as pontas como der", disse. Quem puder ajudar o adesivador, pode enviar qualquer quantia para o PIX 70951990438, de Evelyn Maria.

O governo estadual afirmou, ainda, que já iniciou a tomada de depoimentos sobre o caso. Ontem, o governador determinou o afastamento do comandante da operação e dos policiais que agrediram a vereadora do Recife Liana Cirne (PT).

PSB

Na manhã de hoje, o PSB de Pernambuco, que é presidido pelo secretário estadual de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude de Pernambuco, Sileno Guedes, lançou uma nota na qual afirma que "não compactua e repudia os atos de violência que foram vivenciados no Recife" no último sábado. O texto diz que a liberdade de expressão faz parte do sistema democrático brasileiro e que "qualquer ato que queira pôr em risco esse direito deve ser repudiado".

O texto segue afirmando que o partido apoia o posicionamento de Paulo Câmara de afastar os envolvidos na ação e apurar as responsabilidades pelo "fato desastroso, que resultou em consequências físicas, morais e psicológicas".

Confira tudo o que aconteceu no protesto contra Jair Bolsonaro no Recife:

 

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