ESTADO DE SAÚDE

Ferido em ação da Polícia Militar no Recife perde totalmente a visão do olho atingido

Jonas Correia de França, 29 anos foi atingido no olho direito

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 04/06/2021 às 16:29
FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
PUNIÇÃO PM que atirou em Jonas Correia foi afastado da corporação - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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O arrumador de contêiner Jonas Correia de França, 29 anos, atingido por tiro de bala de borracha durante ação da Polícia Militar em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no último sábado (29) no Centro do Recife, perdeu completamente a visão do olho direito. A informação foi confirmada pela Fundação Altino Ventura (FAV) na tarde desta sexta-feira (4). 

De acordo com a unidade de saúde, a vítima passou por uma reavaliação oftalmológica nesta sexta e foi confirmado o dano permanente na visão. "Quanto ao dano causado à visão, apesar de todos os esforços dos oftalmologistas da FAV, não pode ser revertido", diz o boletim.

Após a avaliação, Jonas recebeu alta médica por causa de uma melhora "importante do edema na região em volta do olho direito; sangramento intraocular também está sendo contido".

O paciente será acompanhado semanalmente na Fundação Altino Ventura até que a lesão ocular esteja completamente sanada.

O boletim aponta, ainda, que os exames de ressonância magnética mostraram cortes internos no globo ocular. No entanto, "esteticamente e externamente, o globo está íntegro". Os médicos então decidiram não realizar nenhum procedimento cirúrgico no olho lesionado.

Ato contra Bolsonaro no Recife

O ato contra o governo de Jair Bolsonaro que aconteceu na manhã do dia 29 de maio no Centro do Recife foi surpreendido pela ação de forças policiais, que usaram spray de pimenta e bala de borracha para dispersar a multidão. O protesto era, até então, pacífico, mas aconteceu em descumprimento ao decreto estadual que proíbe aglomerações de pessoas devido à crise sanitária causada pela covid-19. Por volta das 13h, o grupo já estava disperso. Houve militantes feridos e presos.

Os policiais montaram uma barricada em cima da Ponte Duarte Coelho, que liga a Avenida Conde da Boa Vista à Avenida Guararapes, e avançaram contra os manifestantes, que afastavam-se do confronto em direção à Rua da Aurora. Bombas de gás lacrimogênio foram lançadas contra os militantes. Havia cerca de dez viaturas da PM no local. E, ainda, um helicóptero da Secretaria de Defesa Social (SDS) rondava a Avenida Conde da Boa Vista.

"Estávamos tranquilos, chegando na Avenida Guararapes, quando fomos confrontados pelo Choque e recebidos com bala de borracha. Foi desnecessário. Você diz que está protegendo a saúde do trabalhador, mas estava ferindo e colocando em risco a integridade física dos manifestantes. A polícia agiu de maneira arbitrária e truculenta por mais de 40 minutos. Tivemos companheiros feridos e presos", relatou Antônio Celestino, que integra a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Pernambuco (OAB-PE).

Daniela Barreto, esposa de Jonas, relatou que o marido tentou explicar aos policias que não participava do ato, mas que não foi ouvido. "Ele estendeu a mão e disse ‘eu não estou fazendo parte desse protesto, sou trabalhador e evangélico. Eu tenho dois filhos para criar, não faça isso comigo não’. Mesmo assim eles atiraram, na covardia com meu esposo, que é um pai de família que traz o pão de cada dia para casa", afirmou.

Além dos dois homens feridos nos olhos, outras pessoas também foram atingidas por balas de borracha. É o caso do advogado Roberto Leandro, que foi machucado nas costas e na perna. De acordo com ele, a polícia parecia saber do trajeto dos manifestantes com antecedência.

Um vídeo que circulou na internet mostrou a vereadora Liana Cirne (PT) recebendo um jato de spray de pimenta lançado por um policial militar de dentro de uma viatura da RadioPatrulha. A parlamentar é atingida exatamente no rosto e, sob efeito do gás, cai no chão, sendo socorrida por uma amiga.

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