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Covid-19: Paulista, no Grande Recife, vacinou adolescentes com dose da AstraZeneca, que não é autorizada pela Anvisa

Para este público, o único imunizante liberado é o da Pfizer. Paulista começou a vacinar adolescentes de 12 a 17 anos com comorbidades ou deficiência no último sábado (21)

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 26/08/2021 às 18:55
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Myke Sena/MS
Paulista começou a vacinar adolescentes de 12 a 17 anos com comorbidades ou deficiência - FOTO: Myke Sena/MS
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A vacinação de adolescentes com mais de 12 anos contra a covid-19 já uma realidade no Brasil. Em Pernambuco, diversas cidades já inciaram a imunização deste público, mas é preciso usar, exclusivamente, o composto da Pfizer. Em Paulista, no Grande Recife, porém, dois adolescentes receberam a vacina da AstraZeneca, ainda não autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas com menos de 18 anos. A cidade está vacinando, desde último sábado (21), adolescentes de 12 a 17 anos com comorbidades ou deficiência.

Vale lembra que a liberação da vacinação com a dose da Pfizer para adolescentes foi feito pelo governo de Pernambuco no dia 17 de agosto, o que para o público e suas respectivas famílias foi motivo de alívio. No entanto, para a estudante Larissa Brunnele, de 17 anos, o que era motivo de alegria se tornou uma preocupação, nesta terça-feira (24), quando ela compareceu ao Shopping Norte Janga, em Paulista, para ser imunizada contra o novo coronavírus.

"Quando ela chegou no local viu que a profissional de saúde marcou no cartão de vacina que ela iria tomar a dose da Astrazeneca. Ela e a minha esposa, que também estava no momento, conversaram com duas pessoas da equipe que estava aplicando e eles disseram que estava correto, mesmo elas explicando que minha filha se tratava de uma adolescente com comorbidade", declarou o pai da jovem, Lindomar da Silva, de 44 anos.

De acordo com ele, Larissa e a mãe depositaram sua confiança nos profissionais e, já que acreditavam que eles, por serem da saúde, estariam melhor informados do que elas. Com isso, a jovem tomou a vacina e, após sair do posto de vacinação, resolveu pesquisar na internet sobre a vacinação para menores de idade. Foi aí que mãe e filha tiveram certeza do erro.

"Elas voltaram e falaram com uma terceira pessoa, a enfermeira responsável, que confirmou que a dose não deveria ter sido aplicada. Foi um momento de muita agonia e a situação só ficou mais calma quando o secretário de saúde da cidade compareceu ao local", contou Lindomar.

A liberação da vacina da Pfizer foi feita pela Anvisa foi feita em junho. Com isso, a bula da vacina passou a indicar esta nova faixa etária para o Brasil. A ampliação foi aprovada após a apresentação de estudos desenvolvidos pelo laboratório que indicaram a segurança e eficácia da vacina para este grupo. 

Monitoramento

Por meio de nota, a prefeitura de Paulista afirmou que está monitorando o caso de Larissa e de um outro adolescente, que também foi vacinado com o imunizante errado. "A Secretaria de Saúde procurou as famílias dos jovens e está oferecendo todo o acompanhamento necessário. Eles estão sendo monitorados constantemente", disse trecho do texto.

Ainda segundo a nota, a conduta da equipe de saúde que estava ministrando os imunizantes será investigada pelo órgão. "A conduta dos profissionais da saúde que cometeram o equívoco está sendo apurada e as medidas cabíveis serão tomadas. Não temos registro nem notícia de nenhum outro caso do tipo no município".

Em conversa com a reportagem do JC, Lindomar da Silva confirmou que está recebendo toda assistência do órgão e explicou que segue em alerta com o estado de saúde da filha, que, segundo ele, apresentou reações adversas à vacina, mas nada fora do comum.

"Ela já sentiu febre, moleza no corpo e dor na região do braço, onde foi aplicada a dose. Também sentiu um pouco de mal-estar, mas nada fora do comum. Demos um analgésico e estamos acompanhando o estado de saúde dela", contou o pai.

A prefeitura de Paulista afirmou que, em conformidade com protocolo do Governo do Estado, as notificações estão sendo encaminhadas à Gerência Regional de Saúde (Geres), vinculada à Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), para seguir as orientações devidas quanto à aplicação da segunda dose do imunizante nos dois adolescentes.

O que diz a SES-PE

A SES-PE também se manifestou por meio de nota. Der acordo com o órgão, a Secretaria foi informada sobre os casos por meio do Programa Estadual de Imunização (PNI-PE). Além disso, o texto diz que o PNI está dando todo o apoio técnico e solicitou que o município faça o monitoramento dos casos. "Nesses casos, a orientação é monitorar a evolução do caso. Sobre a segunda dose, deverá ser aplicada a Pfizer com 60 dias", diz trecho da nota.

O texto também afirma que o PNI-PE realiza, periodicamente, capacitações com os municípios para orientar sobre o processo vacinal contra a covid-19, além de repassar as devidas orientações nas reuniões da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) e prestar apoio técnico sempre que necessário. "Também foram produzidos diversos documentos, como notas técnicas, inclusive com material específico sobre a vacinação de adolescentes, que deve ser feita exclusivamente com a vacina da Pfizer", concluiu o texto.

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