MEDO

Após homicídio no Metrô do Recife, usuários do transporte têm sentimento de insegurança intensificado

O artista de rua Bruno Henrique dos Santos foi morto a facadas dentro de um vagão da Linha Sul do metrô na tarde dessa terça-feira (21)

Vanessa Moura
Vanessa Moura
Publicado em 22/09/2021 às 12:09
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SEVERINO SOARES/JC IMAGEM
PÂNICO Vítima foi esfaqueada dentro do vagão, que estava cheio de passageiros. Desespero foi grande - FOTO: SEVERINO SOARES/JC IMAGEM
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Quando se trata do Metrô do Recife, insegurança é a palavra utilizada por quem precisa utilizar o meio de transporte. O sentimento, que há tempos é latente na vida do passageiro, se intensificou após o homicídio registrado dentro de um vagão da Linha Sul do metrô na tarde dessa terça-feira (21)

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O crime, que foi praticado na frente dos demais passageiros, teve como vítima o artista de rua Bruno Henrique dos Santos, de 21 anos. Veja imagens:

O assassinato teria ocorrido enquanto o trem estava em movimento, transitando da Estação Imbiribeira para a Estação Antônio Falcão. Após praticar o crime, o suspeito teria acionado o freio de emergência e forçado a abertura das portas para fugir do local, entre duas estações. 

Até o momento, o que se sabe é que o suspeito seria um vendedor ambulante que trabalhava na plataforma. O artista e o suspeito teriam discutido um dia antes do crime. "Estamos correndo atrás para saber quem é essa pessoa com quem a vítima discutiu. Há indícios de que se tratava de um vendedor ambulante, então agora a investigação vai nesta direção", informou o delegado Victor Leite, responsável pela apuração do caso. 

A situação toda evidencia o medo que os passageiros sentem dia após dia. Para a dona de casa Sara Lima, que afirmou já ter presenciado outro assassinato no Metrô do Recife, utilizar o transporte público é algo que lhe causa bastante desconforto. Segundo ela, o pânico é constante. "Infelizmente, a gente tem que andar de metrô. Eu ando morrendo de medo. Tanto de ônibus quanto de metrô. Me sinto super insegura", afirmou

A sensação é a mesma para os camareiros Suzana Rufino e Elenildo Oliveira, que utilizam a Estação Antônio Falcão, na Imbiribeira, todos os dias. Segundo eles, frequentar o local os obriga a lidar com o descaso do poder público e a insegurança. 

"A gente fica sujeito a tudo aqui, né? Fico com bastante medo porque a gente nunca sabe o que vai acontecer", disse Elenildo. "Acredito que falte policiamento. Deveria ter mais policiais tanto na estação quanto dentro dos vagões do metrô", completou Suzana.

A reportagem do JC tentou entrar em contato com a Secretaria de Defesa Social (SDS) para solicitar dados a respeito do policiamento nas estações, mas ainda não obteve retorno. A matéria será atualizada. 

De acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), a segurança das estações é feita pelo policiamento ferroviário e policiais militares "Desde o dia 05 de janeiro do corrente ano, teve início o convênio firmado entre a CBTU e a Polícia Militar. Dezenas de policiais do Batalhão de Choque da PM estão atuando diariamente nas linhas Centro e Sul, reforçando a segurança dos usuários e funcionários e coibindo o comércio ilegal", diz trecho de nota enviada pela Companhia.

Além disso, a operadora afirmou que os policiais passaram por treinamento para conhecer o sistema e, durante o trabalho, estão em comunicação com os seguranças e com a central de monitoramento do metrô.

"O sistema de monitoramento da CBTU Recife possui 1380 câmeras de alta resolução, cujas imagens são analisadas 24 horas por dia", concluiu nota.

A morte de Bruno

assassinato de um artista de rua a facadas dentro do vagão do metrô do Recife, nesta terça-feira (21), chocou a população pernambucana. Bruno Henrique dos Santos, de 21 anos, fazia apresentações artísticas no transporte público quando foi atacado e morto, diante de diversos usuários. A mãe do jovem, Lucicleide Viana, contou que o filho era uma boa pessoa e não tinha desentendimento com ninguém.

"Bruno era um amor de pessoa, carinhoso, me dava tanto cheiro... Só queria dançar, somente. Ele ia todos os dias para o metrô trabalhar, para ganhar o pão de cada dia e pagar o aluguel. Tinha uma vida social como qualquer pessoa. Ele nunca falou sobre alguém o ameaçar", relatou a mãe, em entrevista à TV Jornal, na saída do Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro.

De acordo com o delegado Victor do Leite, da Polícia Civil de Pernambuco, o suspeito de cometer o crime, segundo relatos de testemunhas, trabalhava como vendedor ambulante na plataforma. Ainda segundo o delegado, a vítima e o suspeito teriam discutido nessa segunda (20), o que pode ter motivado a ação.

Apesar de Bruno nunca ter relatado ameaças, Lucicleide conta que sempre aconselhava o filho a trabalhar em outro local. "Eu me preocupava muito, todo o tempo. Eu pedia para ele sair de lá e ele dizia que era uma arte, que gostava de fazer aquilo", relata a mãe, visivelmente emocionada. Ela ainda descreve como foi a última vez que esteve com o filho: "Como mãe, a gente sente que isso vai acontecer. A última vez que o vi, ele me disse: 'ore por mim'", relatou a mãe.

Após o crime, o suspeito acionou a trava de emergência do trem e fugiu por um terreno entre as estações da Imbiribeira e Antônio Falcão. De acordo com o delegado Victor Leite, esse fato indica que ele teria premeditado a ação. "Possivelmente, foi um homicídio calculado, premeditado, sem se importar com testemunhas oculares", avaliou o delegado.

Mesmo diante da dor pela morte do filho, a mãe afirmou que perdoa o suspeito. "Não vai adiantar pedir justiça, porque a justiça de Deus não falha, mas as dos homens, sim. Eu perdoo quem fez isso com ele Eu perdoo você, viu, meu filho? Que Deus salve você também", afirmou.

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