Imunização

Pernambuco pede mais doses da vacina contra gripe ao Ministério da Saúde. Recife e outros municípios zeraram estoques

Desafio do Ministério da Saúde será fornecer novas doses aos Estados, diante do surto de gripe no Brasil e da produção de vacinas para a campanha de 2022 ainda em andamento no Instituto Butantan, com entrega prevista entre fevereiro e março

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 08/01/2022 às 20:04
BRUNO CAMPOS / JC IMAGEM
Municípios pernambucanos começam a solicitar mais doses em função da demanda, mas expectativa é de que falte - FOTO: BRUNO CAMPOS / JC IMAGEM
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O surto de gripe em Pernambuco está zerando os estoques da vacina contra influenza em alguns municípios do Estado. No Recife, o prefeito João Campos (PSB) solicitou ao Ministério da Saúde (MS) mais 160 mil doses, em caráter imediato, para garantir a imunização da população por mais um mês. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) adianta que recebeu pedido de reabastecimento de vacinas da I Gerência Regional de Saúde (Geres) e procurou o Ministério da Saúde para pedir mais doses. A SES não informou o volume solicitado. Com a epidemia espalhada por vários estados do País, o MS poderá enfrentar dificuldade para atender a demanda. Isso porque o saldo da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza 2021 já está sendo utilizado e as doses para a campanha 2022 ainda está em produção no Instituto Butantan, em São Paulo. A expectativa é que as doses sejam entruegues entre fevereiro e março. 

No ano passado, o Ministério disponibilizou 80 milhões de doses a estados e municípios pelo País. Desse total, 67,9 milhões de doses foram aplicadas e as 12,1 milhões restantes é o que está sendo utilizada atualmente pelas regiões. Para 2022, o Butantan está produzindo outras cerca de 80 milhões de doses. Pernambuco recebeu 3,8 milhões de vacinas e aplicou 2,8 milhões, ficando 1 milhão que estão em utilização. 

Com o aumento dos casos de gripe, o governo de Pernambuco precisou aumentar a testagem de covid-19 e influenza, ampliar o número de leitos nos hospitais, reforçar as equipes de saúde e agilizar a distribuição das vacinas. À medida em que a demanda cresce, aumentam as filas nos centros de atendimento, a demora na entrega dos resultados dos exames e no serviço Atende em Casa, com filas virtuais tão longas que as pessoas não conseguem se consultar.  

Para efeito de comparação, antes da aceleração de casos de influenza no Estado, eram realizados no centro de testagem para detecção da covid-19 do Geraldão, o maior ponto sob gestão estadual, uma média de 474 testes por dia. Agora, são 1 mil testes/dia.

"(...) nos últimos dias, recebemos solicitação da I Gerência Regional de Saúde (Geres) de reabastecimento de vacinas contra a influenza para alguns municípios da região. Todo o estoque remanescente do Programa Nacional de Imunizações (PNI-PE) foi enviado para a I Regional, que prontamente iniciou o processo de distribuição dessas doses para as cidades que informaram falta de vacina. Os insumos foram distribuídos de acordo com o quantitativo em estoque e as necessidades de cada município. A I Geres também está em constante diálogo com as gestões municipais, para que as cidades que disponham de sobra de doses disponibilizem os seus insumos para doação a outros municípios. A SES-PE também já solicitou ao Ministério da Saúde (MS) mais doses de vacina contra a influenza e está aguardando posicionamento do órgão federal", diz a SES. 

A I Geres é integrada por 20 municípios da Região Metropolitana do Recife e do interior, como Abreu e Lima, Araçoiaba, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Chã Grande, Chã de Alegria, Glória de Goitá, Fernando de Noronha, Igarassu, Ipojuca, Itamaracá, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Olinda, Paulista, Pombos, Recife, São Lourenço da Mata e Vitória de Santo Antão. Paulista foi um dos municípios que precisou suspender a vacinação por falta de doses, mas depois teve o serviço retomado. Também pediram doses extras Igarassu, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, Ipojuca e Araçoiaba. 

Espera e novidade boa

Os casos de gripe pelo País devem fazer o governo Federal antecipar a Campanha de Vacinação, que historicamente é iniciada em abril. Se as doses forem entregues em fevereiro, o País deverá se preparar para a imunização. A boa notícia é que a vacina contra a influenza é atualizada todos os anos. Com isso, o imunizante que será distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2022 é trivalente, composto não só pelo vírus H3N2 (subtipo Darwin), mas também pelo H1N1 e pela cepa B.

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