JÚRI POPULAR

Tragédia da Tamarineira: saiba tudo o que aconteceu no primeiro dia do julgamento do caso

Sete testemunhas foram ouvidas no primeiro dia de julgamento do júri popular e, nesta quarta-feira (16), mais outras duas irão depor, além do réu, João Victor Ribeiro

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Filipe Farias

Publicado em 15/03/2022 às 21:57 | Atualizado em 16/03/2022 às 19:20
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Uma sessão tensa e bastante acalorada marcou o primeiro dia do júri popular de João Victor Ribeiro, réu que provocou a colisão que matou três pessoas e deixou mais duas feridas no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife, em novembro de 2017. 

Por diversas vezes ao longo dos testemunhos, nesta terça-feira (15), a juíza Fernanda Moura de Carvalho, que presidiu a sessão na 1ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum Rodolfo Aureliano, teve de intervir e pedir ordem aos que insistiam em se manifestar na plateia. O próprio réu, em determinado momento da sessão, precisou ser contido por policiais ao entrar em desespero durante o depoimento da vítima (Miguel Arruda da Motta Silveira Filho) e, aos gritos, falou: "Eu não queria fazer isso, me perdoe, me mate, me mate, eu não queria machucar a sua família, me perdoe por favor", gritou João Victor.

A primeira testemunha ouvida no júri popular foi Gleibson José de Santana, que passava pelo local no momento da colisão. Na sequência, o advogado Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, sobrevivente da colisão, foi ouvido.

"A ele, só posso dizer que peça perdão a Deus, tente seguir em frente no caminho de Deus e saber que as atitudes que a gente toma aqui podem machucar alguém, podem ferir e, no caso dele, matou minha esposa, o amor da minha vida, matou meu filho e a babá Roseane, e a filhinha dela na barriga; sequelou minha filha, acabou com minha vida", declarou Miguel.

Depois, foram ouvidos Matheus Pinto Peixoto e, em seguida, Artur Donato Sales da Silva, ambos amigos de João Victor, e que estavam com ele no bar antes do trágico acidente.

Após o intervalo do almoço, a juíza chamou para testemunhas o perito criminal Vinícius Nogueira Trajano, que disse em depoimento que o semáforo estava funcionando normalmente e, no momento da colisão, estava verde para a família há 22 segundos, quando João Victor ultrapassou sinal vermelho e colidiu no veículo de Miguel Arruda da Motta. "Analisei o isolamento do local, se estava isolado de forma adequada. Começamos a fazer o registro fotográfico pelas vias, fotos panorâmicas, detalhes de vestígios na via, avarias, a sinalização das vias. Fazemos o registro para chegar à dinâmica do acidente. Procuramos entender a sinalização da via, o desenho da via e os sinais funcionando de forma adequada. Não estava chovendo, a via estava seca e com visibilidade satisfatória", disse o perito criminal Vinícius Nogueira.

Em seguida, começaram os depoimentos das testemunhas arroladas pela defesa. A primeira a falar foi Cláudia Noêmia Moreira Ribeiro, tia do réu. Em sua fala, a técnica de enfermagem lembrou que estava de plantão no Hospital Agamenon Magalhães (próximo ao local do ocorrido) na hora do acidente envolvendo o seu sobrinho e afirmou que ele era dependente de álcool. "Ele é doente, alcoólatra. Mas nunca fez mal a ninguém por conta da bebida. Ele teve dois internamentos (em clínicas de reabilitação) aqui no Recife. Ele é doente. Foi um acidente. João Victor não saiu de casa jamais com a intenção de matar ninguém", falou Cláudia Noêmia.

Na sequência, testemunhou a advogada Emily Necília Leandro Diniz, na condição de madrinha do acusado perante o programa Narcóticos Anônimos (NA).

Após esse depoimento, por volta das 19h10, a juíza decidiu por suspender a sessão e reiniciar nesta quarta-feira (16), com o início previsto para as 9h. Ainda terá a oitiva de duas testemunhas restantes. Também está previsto o interrogatório do réu, além da fase de debates entre a defesa e o Ministério Público. A previsão é que o término do julgamento ocorra ainda nesta quarta. 

Foram arroladas no processo 22 testemunhas, mas, até o momento, apenas sete foram ouvidas. Na quarta-feira (16), mais três - incluindo o réu. Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ), as demais testemunhas podem estar programadas para os próximos dias de acordo com a decisão dos advogados de defesa e acusação.

ACUSAÇÃO

Responsável pela colisão, João Victor Ribeiro de Oliveira, 29, está preso desde 2017. O réu é acusado por triplo homicídio doloso duplamente qualificado e por dupla tentativa de homicídio. A perícia do Instituto de Criminalística revelou que João Victor trafegava a uma velocidade de 108 km/h. O máximo permitido na via, entretanto, era de 60 km/h. Ele ainda avançou o sinal vermelho. O teste de alcoolemia realizado no motorista registrou nível de 1,03 miligrama de álcool por litro de ar, três vezes superior ao limite permitido por lei.

A vítima, Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, perdeu no acidente a esposa Maria Emília Guimarães da Mota Silveira e o filho Miguel Arruda da Mota Silveira Neto. Além disso, a filha, Marcela Arruda da Mota Silveira, ficou com sequelas devido ao trágico acidente no cruzamento da Rua Cônego Barata com a Estrada do Arraial, no bairro da Tamarineira. A babá das crianças que também estava no carro, Roseane Maria de Brito Souza, também morreu com a colisão.

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