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CHUVAS EM PERNAMBUCO: não chovia tão forte em Itaíba há mais de 20 anos, segundo Defesa Civil

Segundo a Defesa Civil de Itaíba, três pessoas ficaram feridas e há 74 famílias desabrigadas. Cidade tem 26 mil habitantes

Margarida Azevedo
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Margarida Azevedo
Publicado em 02/07/2022 às 21:14 | Atualizado em 02/07/2022 às 21:55
DEFESA CIVIL
Chuva em Itaíba neste sábado (2) - FOTO: DEFESA CIVIL
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Uma das cidades mais afetadas no Estado pelas fortes chuvas, neste fim de semana, foi Itaíba, no Agreste de Pernambuco e distante 332 quilômetros do Recife. Segundo o coordenador municipal de Defesa Civil, Gonçalo Francisco, há mais de 20 anos não chovia tanto no município. A prefeitura decretou situação de emergência

Pelo menos 74 famílias estão desalojadas. Ruas ficaram alagadas e o comércio não abriu neste sábado (2) por causa da enchente.

DEFESA CIVIL
Chuva em Itaíba - DEFESA CIVIL
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Chuva em Itaíba - DEFESA CIVIL
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Chuva em Itaíba - DEFESA CIVIL
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Chuva em Itaíba - DEFESA CIVIL

"Entre o fim da tarde de sexta-feira até o sábado à tarde registramos mais de 130 milímetros de água. Não temos registro desse volume desde 1999", afirma Gonçalo Francisco. As chuvas mais intensas foram no começo da noite da sexta-feira e na madrugada do sábado. Três pessoas ficaram feridas no distrito de Alto das Negras, zona rural de Itaíba.

"Uma casa desabou no Alto de Negras. Havia três pessoas na hora. Duas tiveram ferimentos leves. Um rapaz precisou ser hospitalizado porque uma parede caiu por cima dele. Mas ele está bem, sem gravidade", explica o coordenador da Defesa Civil.

As famílias desabrigadas estão na Escola Municipal Presidente Médici, transformada em abrigo. "Recebemos muitas doações de roupas. Há também muitos voluntários para ajudar essas famílias", diz Gonçalo. A prefeitura está com equipe médica e outra para preparar refeições no local.

O Hospital João Vicente, na zona urbana, ficou isolado. Duas muretas da agência do Banco do Brasil caíram. O posto policial ficou alagado e vários veículos que estavam no local ficaram cheios de água.

"Na unidade básica de saúde perdemos vacinas e equipamentos pois também foi tomada pela água", conta Gonçalo. Neste domingo o dia será para limpar a cidade.

Na zona rural, as barragens do Sítio Facão, Queimada Redonda e Barra Formosa romperam, conforme o coordenador da Defesa Civil. Os povoados de Melancia, Serra Velha e Sítio Facão estão sem passagens por causa das chuvas. A cidade tem cerca de 26 mil habitantes.

Chuva forte atingiu 18 cidades do Agreste e da Mata Sul

Dezoito cidades de Pernambuco, localizadas no Agreste Meridional e Zona da Mata Sul, foram as mais afetadas pelas fortes chuvas que caíram no Estado nessas regiões na sexta (1) e neste sábado (2), segundo balanço da Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe).

Embora os temporais tenham causado alagamentos e quedas de barreiras no interior, não houve registro de mortes. Quatro pessoas ficaram feridas, mas sem gravidade, conforme o secretário executivo de Defesa Civil, Leonardo Rodrigues: três em Itaíba e uma em São Benedito do Sul.

Em Maraial, cinco pessoas que estavam ilhadas na zona rural, numa comunidade chamada Sertãozinho, precisaram ser resgatadas por uma aeronave do Corpo de Bombeiros.

"Como a Apac havia emitido alerta de chuva forte nessas regiões, na sexta-feira, as defesas civis municipais estavam de prontidão, com seus planos de contingência ativados. Tivemos alagamentos, pequenos deslocamentos de encostas, comunidades rurais ilhadas", explica Leonardo Rodrigues.

As cidades mais atingidas foram Água Preta, Angelim, Barreiros, Bom Conselho, Canhotinho, Correntes, Cortês, Itaíba, Jaqueira, Quipapá, São Benedito do Sul, Maraial, Tamandaré, Lagoa do Ouro, Palmerina, Brejão, Garanhuns e Palmares.

Alerta da Defesa Civil de Pernambuco

O secretário da Codecipe alerta para que as populações que vivem nas áreas às margens dos rios fiquem atentas.

"O acumulado de chuvas requer atenção. Moradores que estão nas áreas ribeirinhas devem prestar atenção porque alguns rios estão com cota de inundação ou em alerta", diz Leonardo.

Mas ele assegura que não houve rompimento de barragens no Estado. "Está circulando fake news de que houve barragens estouradas. É boato", diz. 

"A de Serro Azul, por exemplo, está com vertimento natural. Por conta do volume de chuvas na bacia do Rio Una está mais cheia, mas não tem risco de romper. Pedimos que a população procure informações oficiais com as defesas civis das suas cidades", ressalta Leonardo.

Segundo a Secretaria Estadual de Infraestrutura, a Barragem de Serro Azul, que fica em Palmares, está, neste sábado, com 46,62% de água acumulada. O local tem capacidade para armazenar 303 milhões de metros cúbicos de água.

Quatro rios de Pernambuco estão em nível de alerta e seis em pré-alerta

Com as fortes chuvas que caíram na Zona da Mata e no Agreste, quatro rios que cortam cidades dessas regiões estão em nível de alerta e dois já transbordaram. Outros seis rios do Estado estão no estágio de pré-alerta. As informações são da Codecipe, que está monitorando as áreas ribeirinhas juntamente com as equipes de Defesa Civil dos municípios.

São três níveis classificados pela Codecipe: inundação, alerta e pré-alerta. Os rios Pirangi, que passa por São Benedito do Sul, e Jacuípe, que fica na divisa entre Pernambuco e Alagoas, próximo às cidades de Água Preta e Barreiros, transbordaram, ou seja, estão na cota de inundação. Por isso, a atenção é redobrada nessas regiões.

Conforme a Codecipe, em nível de alerta estão os rios Amaragi, em Ribeirão; Sirinháem, na cidade de Joaquim Nabuco; Panelas, no município de Belém de Maria; e Canhotinho, na cidade de mesmo nome.

"Esses estão com volume acima da cota normal, mas não transbordaram", explica o secretário executivo da Codecipe, Leonardo Rodrigues. O levantamento foi feito até 16h deste sábado.

No estágio de pré-alerta estão os rios Capibaribe, em São Lourenço da Mata; Ipojuca, em Caruaru; Amaragi, na cidade de mesmo nome; Pirangi, no trecho que passa por Catende; Una, em Palmares; e Inhuna, em Palmerina.

Previsão do tempo para domingo em Pernambuco

A Apac informou que na última avaliação meteorológica a previsão é de as chuvas diminuam seus volumes nas regiões da Mata Sul e Agreste, devendo permanecer na intensidade de fraca a moderada em todas as regiões do Estado.

O órgão seguirá acompanhando um sistema denominado Distúrbio Ondulatório de Leste que pode atingir a Zona da Mata Norte neste domingo.

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