CRISE

Mandetta eleva o tom e adverte Bolsonaro e ministros em reunião tensa sobre pandemia de coronavírus

O ministro da Saúde questionou: "Estamos preparados para ver caminhões do Exército transportando corpos pelas ruas?"

Carolina Fonsêca
Cadastrado por
Carolina Fonsêca
Publicado em 29/03/2020 às 8:07 | Atualizado em 29/03/2020 às 9:32
Isac Nóbrega/PR
Durante reunião, Mandetta afirmou que poderia ter que criticar Bolsonaro se o ele mantivesse a postura que tem diante da pandemia e o presidente rebateu que o demitira - FOTO: Isac Nóbrega/PR
Leitura:

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, elevou o tom e advertiu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e outros ministros durante reunião tensa no sábado (28), segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Frisando que a pandemia de coronavírus não é uma "gripezinha", o ministro alertou que, se morrerem mil pessoas, será o correspondente à queda de quatro Boeings. E questionou: "Estamos preparados para o pior cenário, com caminhões do Exército transportando corpos pelas ruas? Com transmissão ao vivo pela internet?". No sábado, os mortos chegaram a 114.

>> Mandetta precisa tratar Bolsonaro como criança para fazê-lo entender a gravidade da crise do coronavírus

>> Paulo Guedes diz que "Brasil vai sair primeiro dessa confusão", em referência à crise do coronavírus

>> Prefeito de cidade do Piauí morre vítima de coronavírus

>> Com cinco mortes, Pernambuco tem 68 casos confirmados de coronavírus

A tensão entre Bolsonaro e os governadores também esteve em pauta nesta reunião. Ainda segundo o Estado de S. Paulo, Mandetta pediu que o presidente criasse "um ambiente favorável" para um pacto entre União, Estados, municípios e setor privado para todos agirem em conjunto, unificar as regras e medidas e seguir sempre critérios científicos. A criação de uma central de equipamentos e pessoal, para possibilitar o remanejamento de leitos, respiradores e até médicos e enfermeiros de um Estado a outro também foi sugerido pelo ministro.

Mandetta também fez pedidos diretos a Bolsonaro, relacionados a postura que o presidente tem tido durante a pandemia de coronavírus e o clima ficou tenso entre os dois. O ministro pediu que o presidente não menosprezasse a gravidade da situação nas suas manifestações públicas, deixando claro que, se Bolsonaro o fizesse, seria obrigado a criticá-lo. E o presidente rebateu, afirmando que, nesse caso, iria demiti-lo.

Quanto a um pedido de demissão partindo do ministro da Saúde e sua equipe, Luiz Henrique Mandetta disse que não farão isso no meio de uma crise, mas estão prontos a sair depois dela se for o caso. Ele, inclusive, se colocou à disposição para assumir a função de "bode expiatório", em caso de fracasso, e se comprometeu a não capitalizar politicamente, em caso de sucesso. Mandetta disse ainda que não tem ambições polísticas e nem reivindica nenhuma posição de destaque.

Aliados de Mandetta no Democratas (DEM) e seus assessores na Saúde garantem que ele não pedirá demissão e repete sempre que não abandonará o barco mesmo quando a pandemia entrar na sua fase mais crítica.

Participaram da reunião, além de Bolsonaro e Mandetta, os ministros da Defesa, Fernando Azevedo, da Justiça, Sergio Moro, da Secretaria do Governo, Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, Braga Neto, do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho e o advogado-geral da União André Mendonça e o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.

Embora os momentos tensos da reunião tenham chamado a atenção, os ministros consideraram o resultado final bom, já que todos, inclusive Mandetta, concordaram com a preocupação de Bolsonaro em preservar ao máximo a economia, o funcionamento dos transportes e da infraestrutura em geral.

Carreatas

Em entrevista coletiva após a reunião com o presidente, o ministro da Saúde criticou as carreatas pela reabertura do comércio. Atos defendidos por Bolsonaro, que chegou a inclusive compartilhar vídeos nas redes sociais. "Fazer movimento assimético de efeito manada...Daqui a duas semanas, três semanas, os que falam "vamos fazer carreata", vão ser os mesmos que ficarão em casa. Não é hora", disse Mandetta.

Tanto no Palácio da Alvorada quanto na coletiva, Mandetta defendeu a uniformização das medidas de isolamento, disse que alguns setores realmente precisam funcionar e que o vírus não apenas mata pessoas como afeta todo o sistema de um País. Ele também freou a versão de que a hidroxicloroquina é uma "panaceia" e vai curar a doença a curto prazo.

Na quinta-feira (26), durante a reunião de presidentes e primeiros-ministros do G-20, Bolsonaro chegou a falar com entusiasmo do uso deste medicamento no combate ao coronavírus, mas Mandetta mantém cautela. "O estudos são muito incipientes", afirmou o ministro.

Assine a nova newsletter do JC e fique bem informado sobre o coronavírus

Todos os dias, de domingo a domingo, sempre às 20h, o Jornal do Commercio divulga uma nova newsletter diretamente para o seu email sobre os assuntos mais atualizados do coronavírus em Pernambuco, no Brasil e no mundo. E como faço para receber? É simples. Os interessados podem assinar esta e outras newsletters através do link jc.com.br/newsletter ou no box localizado no final das matérias.

O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Confira o passo a passo de como lavar as mãos de forma adequada

 

Comentários

Últimas notícias