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Depoimento de Moro, em Curitiba, sobre "interferências" de Bolsonaro na PF já passa de sete horas

Moro começou a oitiva por volta das 14h deste sábado (02)

Thalis Araújo
Thalis Araújo
Publicado em 02/05/2020 às 22:02
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MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
FUTURO Ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro é cotado para eleições 2022 - FOTO: MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
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Já se passaram mais de sete horas desde que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, chegou à sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para ser ouvido pela chefe do Setor de Inquéritos Especiais do Supremo Tribunal Federal (STF), a delegada Christiane Corrêa Machado, nas apurações sobre 'interferência política' do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal. A oitiva é tomada por ordem do decano do STF e relator do caso, Celso de Mello.

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Durante a tarde, manifestantes a favor do governo e apoiadores de Moro se aglomeraram nas imediações da PF, mas se dispersaram no começo da noite deste sábado.

Ao anunciar a sua demissão, no dia 24 de abril, Moro acusou o presidente Bolsonaro de trocar o comando da Polícia Federal para obter informações e relatórios sigilosos de investigações. O Planalto anda preocupado com o seguimento de inquéritos que investigam esquemas de divulgação de 'fake news' e financiamentos de atos antidemocráticos que foram feitos em abril deste ano, em Brasília.

"O presidente me disse que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência, seja diretor, superintendente, e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm de ser preservadas. Imagina se na Lava Jato, um ministro ou então a presidente Dilma ou o ex-presidente (Lula) ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações", disse Moro sobre a troca de comando da PF.

'Provas no momento oportuno'

O ex-ministro disse, em entrevista à revista Veja, que iria apresentar as provas 'em momento oportuno', o que inclui áudios e várias trocas de mensagens pessoais e de governo pelo WhatsApp, aplicativo favorito de Bolsonaro para ordenar os seus subordinados. A investigação, além de Bolsonaro, mira Moro também. Este é investigado por suposta denunciação caluniosa e crime contra a honra, caso as acuações feitas contra o presidente sejam falsas.

Celso de Mello, quando autorizou a abertura do inquérito, na última segunda-feira (27), observou que Bolsonaro "também é súdito das leis", mesmo ocupando uma posição "hegemônica" na estrutura política do País, 'ainda mais acentuada pela expressividade das elevadas funções de Estado que exerce'.
Na véspera do depoimento de Sergio Moro, Jair Bolsonaro esteve reunido com o novo ministro da Justiça, André Mendonça, no Palácio da Alvorada, por cerca de três horas.

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