Perícia

"Ninguém vai pegar meu telefone", diz Bolsonaro sobre pedido de Celso de Mello

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desafia ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello a retirar pedido que fez à PGR para que analise solicitação de perícia no seu celular

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Publicado em 22/05/2020 às 22:27
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EVARISTO SA/AFP
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello pediu para Procuradoria Geral da República avaliar pedido de perícia em celular de Bolsonaro, solicitada pela oposição - FOTO: EVARISTO SA/AFP
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desafiou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, ao pedir que ele retire o pedido que fez à Procuradoria Geral da República (PGR) nesta sexta-feira (22) para que analise três notícias-crimes apresentadas contra ele que inclui, entre outras medidas, a solicitação para que seja feita uma perícia em seu celular. 

"Me desculpe ministro Celso de Mello: retire seu pedido. O meu telefone não será entregue. O que o senhor quer com isso? Ninguém vai pegar meu telefone", disse o presidente, em entrevista à CCN nesta sexta-feira (22), 

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Os despachos enviados nessa quinta-feira (21) foram apresentados pelos partidos PDT, PSB e PV e parlamentares ao ministro do STF. Eles pedem desdobramentos no inquérito que investiga a suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal (PF), a partir de denúncia do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, da qual Celso de Mello é relator no STF. No centro da investigação está a reunião ministerial realizada no dia 22 de abril no Palácio do Planalto, que segundo o ministro Moro, Bolsonaro demonstra sua intenção de interferir na PF. 

Reunião

Sobre a divulgação quase total do conteúdo da reunião ministerial por Celso de Mello - foram excluídos apenas dois trechos que citam a China e o Paraguai - Bolsonaro reafirmou sua posição de que fossem divulgados apenas os trechos que tivessem correlação com o inquérito. "O que não seri amais de dois minutos", disse o presidente em entrevista à Jovem Pan nesta sexta (22). 

Um dos trechos do vídeo, que já havia tido sua transcrição divulgada pela Advocacia Geral da União (AGU), Bolsonaro diz que tem o poder de interferir em todos os ministérios do seu governo, e reclama da falta de informações que recebe da PF e outros órgãos de inteligência.

"Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações. Eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. ABIN tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô! Aparelhamento etc. Mas a gente num (sic) pode viver sem informação", disse o presidente.

"Quando eu falo ali da questão das inteligências, que não funcionam como eu gostaria que funcionassem e bem como, no tocante ali, a segurança da minha família que é feita pela GSI, não PF. Fora isso, não tem nada a ver com Sérgio Moro, nada, zero", explicou o presidente. 

Na decisão de 55 páginas em que o ministro levantou o sigilo do vídeo da reunião ministerial, Celso de Mello advertiu o chefe do Executivo que o descumprimento de decisões judiciais configura "crime de responsabilidade".

"O Senhor Presidente da República, certamente atento à lição histórica de Alexander Hamilton, e mostrando-se fiel servidor da Constituição Federal, cumpriu ordem judicial emanada desta Corte e apresentou ao Supremo Tribunal Federal, por intermédio do eminente Senhor Advogado-Geral da União, a gravação que lhe havia sido requisitada", destacou Celso de Mello.

Carlos Bolsonaro

Nas notícias-crime também é solicitada a perícia no celular de um dos filhos dele, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro,  de Maurício Valeixo, ex-diretor geral da Polícia Federal exonerado por Bolsonaro, de Sergio Moro e da deputada federal Carla Zambelli (PSL - SP), além do depoimento do chefe do Executivo sobre o caso.

Em publicação no Twitter, Carlos questinou: "Meu celular? Enquanto isso os do ex-piçóu Adélio protegidos há mais de um ano, processos contra Botafogo, Calheiros e outros sentados em cima há anos. Que crime teria cometido para tamanha velocidade e abuso? Nenhum. A narrativa do sistema continua em pleno vapor!".

Vereador reavivou o debate sobre o homem acusado de dar uma facada no - na época candidato - presidente Bolsonaro, na época das eleições de 2018.

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