Divisão interna

Após ter candidatura a prefeito do Recife rifada, Paulo Rubem critica ''atos antidemocráticos'' do PSOL

O ex-deputado federal diz, contudo, que mantém a sua postulação ao cargo. Na última semana, o partido decidiu apoiar a candidatura de Marília Arraes

Renata Monteiro
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Publicado em 13/07/2020 às 17:33 | Atualizado em 13/07/2020 às 17:33
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Paulo Rubem quer que seu nome seja apresentado como uma opção ao partido, para que os filiados possam decidir se sua candidatura é viável ou não - FOTO: Divulgação
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O professor universitário e ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago, que é filiado ao PSOL, divulgou, nesta segunda-feira (13), uma carta aos militantes, filiados e simpatizantes do partido explicando as razões pelas quais, apesar de a sigla ter desistido de lançar um candidato a prefeito no Recife, pretende manter sua postulação ao cargo. Na última terça-feira (7), em reunião plenária, a agremiação decidiu apoiar a candidatura da deputada Marília Arraes (PT) à prefeitura da capital pernambucana.

No texto distribuído aos meios de comunicação locais, Paulo Rubem conta que lançou-se ao páreo ainda em 2019, ao lado de outros dois pré-candidatos da sigla, Severino Alves, presidente estadual do PSOL, e Zé Gomes, que deixou a disputa pouco depois para apoiar o ex-parlamentar. Diante do cenário, conforme as regras do partido, deveriam ser realizadas prévias nos dias 18 e 19 julho para que, entre as opções postas, fosse escolhido o nome que representaria o PSOL nas urnas neste ano.

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"Até recentemente, com sete membros em sua composição, o DM (diretório municipal) Recife tinha três membros identificados com a minha candidatura, três com a de Severino Alves e um defensor de candidatura própria, João Andrade, da Corrente Interna Primavera Socialista, até então sem manifestar preferência por nenhum dos nomes. Eis que, dias antes da reunião para decidir a organização das prévias, ofício vindo de São Paulo, da direção da Corrente Primavera Socialista, destitui João Andrade de sua posição no DM Recife e indicando outro militante que, de forma diversa dos votos das chapas obtidas na convenção municipal realizada em 2017, passa a integrar o grupo defensor da outra Pré-Candidatura, que assim passou a ter quatro dos sete votos do Diretório Municipal do Recife", relatou Paulo Rubem.

Em reunião partidária realizada no último dia 7, Severino Alves retirou sua pré-candidatura e "apresentou proposta de coligação com candidatura externa ao PSOL", o que, caso fosse aceito, derrubaria a possibilidade de uma postulação própria. Na ocasião, quatro dos sete membros do DM concordaram com a ideia do presidente estadual do partido e os demais se abstiveram. "Como entendiam que haveria prévias e que a Tese vigente era de apresentarmos candidatura própria, a ser definida pela maioria dos filiados em convenção, os outros três membros do Diretório se recusaram a votar as alterações sugeridas por Severino Alves", disse o docente, afirmando, contudo, que não aceita a cassação da sua postulação.

"Contra a sucessão de atos antidemocráticos antes relatados, decidi manter minha pré-candidatura, candidatura coletiva que defende paridade em todas as instâncias da campanha, na chapa proporcional e para o governo da cidade, que expressa a voz dos que defendem um partido com autonomia política e independência de classe para decidir seus rumos na direção de uma frente de esquerda, por uma cidade com igualdade, direitos individuais e sociais e participação popular em sua gestão", cravou Paulo Rubem.

O que diz a direção do partido?

Em entrevista ao JC, Severino Alves classificou as declarações do correligionário como "choro de perdedor". O presidente do PSOL afirmou, ainda, que a aliança do partido com Marília é "martelo batido e ponta virada" e que a sigla não vai mudar sua decisão apenas por esse ser o desejo de Paulo Rubem.

"Eu não sei qual o interesse que Paulo Rubem tem na manutenção desse desgaste público. Para mim, isso é choro de perdedor, coisa de quem perdeu a disputa internamente e não quer aceitar. Ele fala que o partido não tem democracia interna, mas a composição atual do PSOL é fruto de um processo democrático, de uma votação. Ele sabe que as prévias só seriam realizadas se a tática do partido fosse de lançamento de candidatura própria, mas já decidimos pelo apoio, junto com outros partidos de esquerda, da candidatura de Marília Arraes. Isso é prego batido e ponta virada. Até no partido ele está isolado, pois os três membros do diretório que não foram favoráveis à aliança se abstiveram, não concordaram com a candidatura dele", disparou o dirigente partidário.

Na última semana, através da sua conta no Twitter, o presidente nacional do partido, Juliano Medeiros disse, após citar o apoio do partido em Pernambuco à candidatura de Marília, que "no PSOL quem dá a última palavra são os municípios" e que respeita "a realidade local".

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