eleições 2020

Carlos Andrade Lima (PSL) quer implantar no Recife o "Corujão 2.0" para fazer exames de madrugada

O projeto é inspirado no programa lançado pelo então prefeito João Doria (PSDB) em São Paulo, que, durante três meses, disponibilizou a realização de exames em horários ociosos para desafogar lista de espera

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 02/10/2020 às 11:55
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Carlos Andrade Lima (PSL) foi o nono prefeiturável entrevistado em rodadas de sabatina da Rádio Jornal - FOTO: BETO/RÁDIO JORNAL
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O candidato à prefeitura do Recife pelo Partido Social Liberal (PSL), Carlos Andrade Lima, tem como uma das propostas de campanha a implantação do "Corujão 2.0 da Saúde" na cidade, em referência ao programa lançado pelo então prefeito João Doria (PSDB) em São Paulo, que, durante três meses, disponibilizou horários ociosos de hospitais e laboratórios privados para a realização de exames médicos. O projeto foi detalhado em entrevista à Rádio Jornal, nesta sexta-feira (2), em mais uma rodada de sabatinas promovidas com os prefeituráveis.

"A gente defende que vamos implementar o que chamamos de “Corujão 2.0”. O grande gargalo na saúde no Brasil é a questão dos exames. A gente anda nas comunidades e tem gente esperando há um ano para fazê-los. O então prefeito João Doria implantou esse projeto em São Paulo, em que hospitais das redes municipal e privada foram deixados abertos funcionando das 20h às 8h da manhã, para realizar exames. Ele praticamente zerou a fila de exames de uma cidade complexa como São Paulo", relatou Carlos Andrade.

Quando questionado por comunicadores do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação sobre a viabilidade do programa, o advogado afirmou que está "se debruçando sobre o assunto", mas que a contratação de novos profissionais para atuarem durante o período seria feita, principalmente, por meio de convênios com o governo federal. "Os profissionais poderiam vir desses convênios ou esses convênios fariam com que a gente tivesse receita para contratação de novos profissionais, a formatação dessa contratação está sendo estudada por nossas equipes técnicas, mas que vai haver, vai, até porque se eu estou propondo a abertura de hospitais em períodos que não haveria profissionais trabalhando a gente precisa, obviamente, de novos profissionais", garantiu.

Uma outra parte da captação de recursos citada pelo candidato seria através da diminuição no quadro de cargos comissionados, trabalho remoto para funcionários da prefeitura, diminuição da verba para propaganda e diminuição do "tamanho do estado", não só para esta proposta como para outros eixos. "Costumo dizer que sou um liberal nato que estou candidato. A gente defende a diminuição do tamanho do estado, desburocratização da máquina pública."

Autointitulado como um candidato da "nova política", Carlos diz não temer citar Doria, que é do PSDB, partido que forma a coligação do concorrente Mendonça Filho (DEM). "Estou citando um político de um partido cuja coligação está apoiando um adversário meu, mas pergunto ‘e daí?’, as pessoas não querem saber o que é coligação ou partido, elas querem que alguém resolva. Nem o nome do projeto eu me procurei em mudar, não dou valor a isso. Se o nome é corujão, corujinha, isso não tem a menor relevância. São esses conceitos de não se importar com a formatação velha da política, a política antiquada que a gente quer trazer, que é um conceito privado", alegou.

"Nova política"

Tanto Carlos Andrade, como a candidata à vice-prefeita em sua chapa, Rosaly Almeida (PSL), são estreantes na política. Ele conta que decidiu aceitar o pedido do partido por enxergar a necessidade de uma mudança política, principalmente após a pandemia da covid-19. "Houve um convite do presidente Luciano Bivar para o que, a princípio, era o maior desafio da minha vida. Conversei com família, sócios e amigos e resolvi topar, porque a gente entende que o mundo mudou, o mundo pós covid é um mundo novo, você não pode tratar saúde, transporte, educação como era antes. Você tem que repensar tudo isso. Você também não pode tratar política como era tratada antes, tendo os mesmo políticos agindo e pensando como agiam antes. Problemas novos exigem soluções novas", disse.

Seu principal objetivo, conforme fala na entrevista, é reduzir a ação assistencialista do estado. "Ganhar ou perder eleição é consequência, mas eu queria deixar um conceito, que foi o que me trouxe até aqui, e que me fez concorrer à prefeitura da cidade do Recife. As pessoas precisam entender que aquele estado grande, gordo, assistencialista, não vai resolver todos os problemas, isso é uma ilusão. É preciso que haja união entre estado, entes privados e a comunidade. Essa é a única forma para resolver os problemas das pessoas. Se eu deixar esse conceito como bandeira, mesmo perdendo eleição, já fui vitorioso."

Afinidade com Bolsonaro

Quando questionado, o candidato deixa claro o apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), apesar das desavenças entre seu partido, PSL, e o chefe do executivo. "Eu votei no presidente Jair Bolsonaro, sou apoiador de primeira hora, adoraria ter o apoio dele, mas acho que o presidente, ou as pessoas ligadas a ele, é quem têm que dizer quem ele apoia. A relação PSL-Bolsonaro é eminentemente política, conceitual. Acho que isso tem que se resolver no âmbito da política", afirmou.

Para ele, Luciano Bivar, presidente do PSL, é um político que pensa "de forma nova", e espera que a aposta dele em sua candidatura seja exitosa, como aconteceu com a de Bolsonaro. "Luciano pensa política de uma forma nova, é tanto que investiu dois anos atrás em quem ninguém acreditava. Acho que posso me considerar prova viva desse conceito. Tenho muita admiração pelo presidente Bolsonaro e espero que a fórmula se repita no Recife, porque é inegável que ele vem mudando o país."

Porém, Carlos afirma que chapa não é "inocente, e que sabe que precisa da "câmara dos vereadores para governar". "Temos uma chapa com dois políticos recentes, não coligamos com partidos, nosso secretariado será 100% técnico, mas não somos inocente, sabemos que precisamos da Câmara dos Vereadores para governar. Mas é sem o troca-troca, é sem a forma antiga de ver política, a gente precisa dialogar com os vereadores e mostrar o que é melhor para a cidade. Isso pode parecer um discurso meio lúdico, mas a gente acredita nessa forma de governar", disse.

Políticas habitacionais

Para sanar um déficit habitacional de 71 mil casas, Carlos propõe um projeto de uso misto, habitacional e comercial, e traz no plano de governo a criação de um zoneamento financeiro urbano, atrelado a um programa de incentivo ao pagamento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), a partir de uma equação direta, quanto mais efetiva a assiduidade no pagamento do imposto, mais benefícios vão retornar diretamente para a comunidade.

"Primeiro a gente precisa pensar em regularizar as áreas. Não é quem paga mais, é quem paga com mais assiduidade. As pessoas não estão em dificuldade porque querem, a gente entende que o melhor programa social é o emprego. A comunidade quer fazer, quer ajudar, não tratamos de volume de valor, mas de assiduidade. A gente tem toda uma política pensada para essa área social", explicou.

O candidato afirma que é preciso criar incentivos para que as pessoas ocupem o centro do Recife, o que, segundo ele, geraria empregos e melhoraria a mobilidade. "É momento de dar incentivo, a gente não vê outra formatação se não incentivar não só ocupação residencial, mas também comercial, a gente precisa criar novas ocupações de uso misto, então você tem que dar incentivos, de IPTU, de ISS, para que as pessoas se interessem em vir. Isso melhoraria não só a questão da mobilidade, mas geraria emprego, fomentaria o empreendedorismo. Eu defendo que essa tematização (saúde, habitação, educação, etc.) dos problemas do Recife é uma forma antiga de ver, as coisas se completam, precisamos ver o Recife como um todo."

O bairro do Recife também é, para o candidato, um problema a ser solucionado, principalmente após a pandemia. "O Porto Digital é uma referência para o mundo, é um case de sucesso, talvez o maior da nossa capital. Só que seguindo o que o bairro do Recife está passando, ele está enfraquecendo. Com a covid, muita gente fez o “home office” e viu que é possível trabalhar de casa. A gente precisa incentivar que o comércio venha e que as pessoas voltem a residir lá, por meio de incentivos fiscais."

Mobilidade urbana

O advogado critica o projeto "Rios da Gente", do governo do Estado, que prevê mobilidade no Rio Capibaribe. Para ele, é inviável que saia do papel por inviabilidade de recursos, e apresenta a sua proposta para o transporte fluvial. "Esse projeto exigia barcos grandes, dragagens e píeres monumentais, tudo isso vai aumentando os custos e inviabilizando o projeto. Nós temos um projeto cujos barcos, que já estão desenhados, têm o calado menor, transportam até 20 passageiros, com píeres distribuídos desde a Zona Norte até o Centro da cidade. Você compra a passagem por aplicativo. Esse é um projeto que dá para fazer, com as características e a natureza que o rio tem hoje."

Na contramão da candidata Delegada Patrícia Domingos (Podemos), que afirmou que, se eleita, vai retirar a capital pernambucana do Consórcio Grande Recife de Transporte, empresa responsável pelo gerenciamento do transporte por ônibus na Região Metropolitana, o liberal afirmou que é preciso melhorar o transporte público, mas que tirar o Recife do consórcio é "inviável".

"Com relação ao transporte de ônibus, a gente sabe que o Recife faz parte do transporte metropolitano e o tem direito de exigir certo tipo de melhora, a gente tem que rever todo esse consórcio, não vou ter a responsabilidade de dizer que vamos sair dele, como já disseram. Tirar o Recife do consórcio metropolitano é tirar o Recife de dentro da cidade, é inviável. Mas podemos rever todo esse consórcio e exigir das empresas uma maior qualidade e maior quantidade de ônibus. Também é um problema de gestão, porque há linhas hoje que têm mais ônibus do que precisa e outras que estão caóticas", disse.

Maiores defeitos do Recife

Quando questionado sobre quais seriam os maiores defeitos do Recife, hoje, Carlos Andrade Lima defende que o pior seria o "tamanho do Estado". "Esse é um conceito da latino-americana que é o oposto do que a gente defende", contou. O segundo, ele explica, seria a falta de procura do governo federal para trazer novos recursos. "O Recife tem baixíssimo poder de investimento, praticamente tudo o que entra sai. Precisamos trazer novos recursos."

Turismo

Ele também detalha algumas propostas para o turismo no Recife. "A gente tem uma característica de um turismo de negócio, o tem mais o turismo de praia, que a gente tinha. A gente tem uma das mais belas praias do mundo, um centro cultural referência no brasil todo, uma tradição culinária secular e não conseguimos trazer o turista para ver isso. Nossos mercados precisam ser revitalizados, a gente tem que repensar a orla de Boa Viagem e o centro da cidade, penso também em fazer portais quem chega de carro no Recife", completou.

Trajetória e ideias de Carlos Andrade Lima

Aos 39 anos, o advogado Carlos de Andrade Lima, que trabalha na área privada desde 2004, decidiu entrar na vida pública como candidato a prefeito do Recife pelo Partido Social Liberal (PSL) na eleição 2020. Casado e com dois filhos, CAL, como também é conhecido, formou-se em direito na Universidade Católica de Pernambuco em 2004 e atuou, primordialmente, no direito empresarial. Compondo a chapa puro sangue, CAL terá como vice a psicóloga Rosaly Almeida. 

Pertencente ao partido com maior verba do Fundo Eleitoral e tempo de rádio e televisão, o advogado entende a necessidade do tempo de propaganda para se tornar conhecido. Ele acredita que, por estar compondo uma chapa puro sangue, a dificuldade do reconhecimento em torno do seu nome se torna maior, já que só se filiou ao partido em março deste ano.

Na defesa do liberalismo, da diminuição do Estado e da desburocratização da máquina pública - tendo a inovação com justiça social como lema de campanha, o candidato diz ter os ideais parecidos com o do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O chefe do Executivo foi eleito pelo PSL em 2018, e acabou saindo da sigla por divergências com o presidente nacional, o recifense Luciano Bivar.

>> Com fim das convenções, veja os candidatos a prefeito do Recife nas eleições 2020

Uma das propostas para o Recife, se eleito, é investir no teleatedimento, na teletriagem e educação à distância, além da inovação.

Confira o plano de governo do candidato:

JC
Eleições 2020 - FOTO:JC
Costa Neto/Divulgação
PSL oficializou candidatura de Carlos Andrade Lima à prefeitura do Recife - FOTO:Costa Neto/Divulgação

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