DEBATE RÁDIO JORNAL

Na Rádio Jornal, João Campos diz ser vítima de ofensas de Marília durante a campanha

"Eu vou falar da cidade, porque isso sim é ter maturidade" disparou Campos, sendo rebatido por Marília, que afirmou "jamais ter feito críticas pessoais a ninguém".

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Publicado em 19/11/2020 às 14:22
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João Campos (PSB) no debate da Rádio Jornal - FOTO: YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
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Eleições de 2020 - Arte: JC

As propostas de governo e a troca de farpas entre os candidatos a prefeito do Recife, neste segundo turno, dividiram o espaço no debate promovido pela Rádio Jornal, nesta quinta-feira (19). O candidato a prefeito João Campos (PSB) saiu, em determinados momentos, da postura propositiva adotada durante a campanha do primeiro turno, para um posicionamento de enfrentamento com a deputada federal Marília Arraes (PT) - o prefeiturável acusou a petista de ter passado a maior parte de sua campanha desferindo ataques contra ele.

“Vocês viram que a minha adversária passou a campanha inteira fazendo ofensas a mim. Eu vou falar da cidade, porque isso sim é ter maturidade. Vocês sabem como o PT administrou o Recife. O PT de Pernambuco foram contra e a candidatura foi construída pelo PT nacional. O PT nacional sonha em ocupar o Recife que o Brasil conhece tão bem. Nós não aceitaremos isso. Vamos fazer mais uma vez uma campanha propositiva, com respeito, com propostas coerentes, mas que tem verdade”, declarou João Campos.

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A fala do socialista veio após Marília Arraes responder sobre como pretende capitalizar os votos dos eleitores que escolheram os candidatos da direita - apesar de Mendonça Filho (DEM), Delegada Patrícia (Podemos) terem declarado que não apoiariam nem o PSB e nem o PT, partidos como o PTB, PL e o próprio Podemos, tiveram suas lideranças acenando em prol da deputada federal.  

“O que está em jogo agora é a continuidade ou não do projeto do PSB. eu não vou flexibilizar o meu compromisso ideológico, quem faz isso é o PSB. O resultado mostrou que não adianta carga, obrigar cargo comissionado a ir para a rua, exercício de vereador. A gente faz política sem intermediário, é dessa maneira”, afirmou a candidata, esclarecendo também que nunca fez críticas pessoais a nenhum candidato.

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Neste mesmo bloco do debate, João Campos também rebateu a acusação de que passou a campanha eleitoral escondendo o prefeito Geraldo Julio (PSB), prestes a completar oito anos à frente da Prefeitura do Recife. “Não escondo Geraldo Júlio, mas quem concorre nesta eleição não é Lula, Geraldo Julio, Paulo Câmara, Bolsonaro. Eu não vou passar a eleição inteira escorada em um padrinho político”, cravou.

 

A estratégia de fazer comparativos entre as gestões do PSB e PT,  que tem sido confirmada por seus aliados sob o argumento de que os socialistas tem muito mais para mostrar ao Recife, do que os 12 anos do Partido dos Trabalhadores na administração municipal, também foi adotada no direcionamento das perguntas. No terceiro bloco do programa, com o déficit habitacional como tema, João Campos questionou sua adversária sobre como pretende zerar a palafitas da capital pernambucana.

Apesar de Marília afirmar que a política de habitação teria sido "estancada" por Geraldo Julio, e que foi no governo do PT que mais de duas mil palafitas foram removidas das áreas periféricas da cidade, João Campos apontou que as soluções dadas por ela não são verdadeiras. 

"Ela não respondeu à pergunta de como iria fazer, de quais seriam os custos e quantas unidades seriam. Então eu vou aqui mostrar para ela. Inclusive no livro que ela publicou, ela mesma afirma que são 26 mil palafitas. Se você pegar 26 mil palafitas e multiplicar por R$ 83 mil, que é o custo de uma unidade habitacional na faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida, dá R$ 2,1 bilhões", afirmou. O socialista faz um comparativo desse montante ao valor colado nestes seis anos, entre os governos Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao programa em Pernambuco. 

"Em seis anos o Minha Vida colocou R$ 1,5 bilhão em Pernambuco. Se você pegar tudo o que a prefeitura tem pra investir em quatro anos, pegando Educação, saneamento, saúde, não dá R$ 2 bilhões. A conta não fecha. Você está pegando um problema real, que deve ser enfrentado e dando uma solução que não é verdadeira. Não se brinca com a esperança das pessoas, não se brinca com a necessidade das pessoas. Tem que ter seriedade ao fazer compromisso, ao fazer projeto para a nossa cidade", disparou.

YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
Debate Marília Arraes e João Campos com Geraldo Freire na Rádio Jornal - YACY RIBEIRO/JC IMAGEM

SECRETARIA DE JUVENTUDE

Ainda no terceiro bloco do primeiro debate do segundo turno, realizado pela Rádio Jornal, João Campos relembrou que Marília Arraes foi secretária de Juventude e Qualificação Profisisonal na gestão de Geraldo Julio. Ele chamou atenção para o fato de a candidata ter somente críticas a respeito do Executivo, sem reconhecer ações positivas, como a Faixa Azul. 

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Em resposta, a ex-secretária de Juventude disse que ter feito parte da gestão teria sido justamente a "gota d'água" para perceber que não queria mais estar dentro desse grupo político. "Fora a questão ideológica, porque o PSB uma vez está de um lado, outra vez está de outro, tira foto com Aécio Neves, traz ele para cá, para apoiar ele para presidente. Depois está agarrado com Lula e depois está esculhambando Lula como você está fazendo agora, então realmente é um grupo que não me cabe", afirmou.  Sobre a Faixa Azul, a candidata afirmou que ela não contempla a todos "que realmente precisam ir trabalhar"

Em sua réplica, Campos não poupou a adversária e também apontou incoerências com relação aos apoios ofertados a candidatura do PT, nesta reta final. "Agora, causa estranheza também você falando isso e hoje estar se aliando com aqueles que criticam o PT de ser uma organização criminosa, que chamam o próprio Lula de ladrão. Hoje você está tirando foto com eles e querendo cobrar coerência. Nós temos lado. Em 2014, nosso candidato foi Eduardo Campos. Quem votou em Temer foi você, Temer era vice de Dilma. Quem colocou Temer como ministro da articulação política do governo de Dilma foi Dilma", pontuou. 

DEBATE

Com um tempo menor para fazer campanha até uma nova decisão das urnas, no dia 29 de novembro, o candidato a prefeito do Recife João Campos (PSB), considerou positivo o debate promovido pela Rádio Jornal, nesta quinta-feira. Segundo o postulante, a oportunidade serviu para que fossem apresentadas com mais clareza suas propostas. “Aqui a gente mostrou que sabemos fazer conta e cuidar das pessoas com responsabilidade. Fizemos o primeiro turno vitorioso, crescente a cada dia, e agora no segundo turno, mais uma vez, vamos intensificar agenda, poder ouvir as pessoas, poder levar nossas ideias, e poder consagrar o Recife no caminho do futuro”, declarou. 

Na ocasião, João Campos falou sobre suas propostas para a área da educação, com a ampliação do número de creches no Recife, e a oferta de bolsas de estudos para qualificação profissional de jovens da rede pública de ensino. Sobre emprego e renda, ele citou a criação da agência de fomento para trazer novos investimento a capital, e que irá fortalecer ações que impulsionem o empreendedorismo, principalmente nas áreas periféricas da cidade. 

"O político não tem que saber entregar tudo, fazer tudo, ele tem que saber ouvir e construir junto com as pessoas, ter humildade de ouvir. Estou pronto para ser o prefeito do Recife, para fazer o Recife avançar e largar na frente na retomada econômica do Brasil", afirmou o candidato.

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Marília Arraes e João Campos participam de debate na Rádio Jornal - YACY RIBEIRO/JC IMAGEM

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Marília Arraes e João Campos participam de debate na Rádio Jornal - FOTO:YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
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Eleições de 2020 - FOTO:Arte: JC
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Debate Marília Arraes e João Campos com Geraldo Freire na Rádio Jornal - FOTO:YACY RIBEIRO/JC IMAGEM

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