Eleição municipal

Yves Ribeiro e Francisco Padilha chegam ao segundo turno com exaltação à experiência em Paulista

Ambos os candidatos possuem passagens pela administração da cidade, seja como prefeito ou secretário

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 28/11/2020 às 7:00
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Yves Ribeiro (MDB) e Francisco Padilha (PSB) disputam segundo turno em Paulista - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Neste domingo, 29 de novembro, pela primeira vez na história, o município de Paulista, localizado na Região Metropolitana do Recife (RMR), realiza um segundo turno nas eleições municipais. A cidade tem população estimada de 334.376 pessoas e 216.859 eleitores aptos a votar.

Os candidatos na disputa são Yves Ribeiro (MDB), de 72 anos, que conseguiu 51.351 votos (34,98%) na primeira etapa do pleito, e Francisco Padilha (PSB), de 39 anos, que obteve 38.372 votos (26,14%). A coligação de Yves é composta pelos partidos MDB, Rede e PV e o candidato a vice-prefeito é Dido Vieira (MDB). Já Padilha conta com doze partidos na coligação: PMN, Patriota, PTC, PSL, PT, PL, PSB, Pros, PSC, Cidadania, PCdoB e DC. Robertinho Couto (PL) é o candidato a vice da chapa.

Confira o debate com Yves e Padilha realizado pela Rádio Jornal:

Mesmo em lados opostos, os candidatos já foram aliados, Padilha trabalhou na gestão de Yves, quando este foi prefeito de Paulista. Além disso, ambos apoiaram o nome de Júnior Matuto (PSB) para ser prefeito de Paulista na eleição de 2012.

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Yves Ribeiro governou o município por dois mandatos como prefeito, entre 2005 e 2012, sendo o primeiro mandato pelo antigo PPS e o segundo pelo PSB, partido que, agora, enfrenta na eleição. Ao fim das gestões, ele subiu no palanque de Matuto para fazê-lo seu sucessor.

Já Francisco Padilha foi escolhido secretário de Assuntos Jurídicos por Matuto, para seu primeiro mandato, em 2013, e, no segundo mandato, se tornou chefe de gabinete do prefeito. Ele também chegou a ficar responsável pela Secretaria de Políticas Sociais e Esportes por um período em 2019.

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Yves Ribeiro e Júnior Matuto - DIVULGAÇÃO
Jonson Pereira / Divulgação
Francisco Padilha teve sua candidatura oficializada com apoio do prefeito Júnior Matuto - Jonson Pereira / Divulgação

Os dois garantem que, pela experiência, têm condições de administrar Paulista pelos próximos quatro anos. “Estou preparado, tenho uma longa história, fui vereador em 1976, duas vezes prefeito de Igarassu, duas vezes de Itapissuma e duas vezes de Paulista. Em Paulista, começamos com 28 postos de saúde, hoje são 15, vamos reabrir. Conseguimos trazer o Hospital Miguel Arraes, vamos trazer a maternidade que o povo quer, trazer uma Upa 24 horas para as praias, vamos reabrir o centro de crianças especiais, que foi fechado na atual gestão. Vamos fazer o centro para tratamento de animais e voltar a construir casas, eu construí três mil casas e a população pede o desenvolvimento da cidade”, disse Yves Ribeiro.

Para o cientista político Hely Ferreira, pelas passagens na administração, Yves já possui um eleitorado que o segue naturalmente. “O candidato Yves Ribeiro tenta ser prefeito mais uma vez e não se pode desconsiderar a força de alguém que já exerceu dois mandatos em um município no cargo do Executivo. Ele tem, naturalmente, os eleitores que o acompanham a muito tempo”, destacou.

Confira imagens dos candidatos em campanha:

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Yves Ribeiro (MDB) durante a campanha a prefeito de Paulista - DIVULGAÇÃO
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Yves Ribeiro (MDB) durante a campanha a prefeito de Paulista - DIVULGAÇÃO
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Yves Ribeiro (MDB) durante a campanha a prefeito de Paulista - DIVULGAÇÃO
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Francisco Padilha (PSB) durante a campanha em Paulista - DIVULGAÇÃO
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Francisco Padilha (PSB) durante a campanha em Paulista - DIVULGAÇÃO
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Francisco Padilha (PSB) durante a campanha em Paulista - DIVULGAÇÃO

Por sua vez, Francisco Padilha disse ter ouvido as pessoas para fazer uma boa gestão. “Estou pronto, pois reunimos quinze anos de experiência na administração pública municipal, trabalhei na gestão de Yves, trabalhei na gestão de Júnior Matuto, sou filho de Paulista, não nascido, mas com oito dias de vida vim morar em Paulista. E reunimos condições, pois fizemos uma política diferente, fomos ao encontro das pessoas para nos ajudassem a construir um plano de governo e nos ajudar a administrar a cidade. O município avançou muito nos últimos oito anos, mas temos muitos problemas para resolver, como melhoria e eficiência do serviço de saúde, precisamos melhorar a infraestrutura e a educação e estou pronto, pois nos preparamos para ser o melhor prefeito que Paulista já teve”, afirmou o candidato do PSB.

Júnior Matuto

Paulista vem passando por instabilidade na administração da cidade com afastamentos e retornos do atual prefeito Júnior Matuto. No último dia 19 de novembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou a volta de Matuto à prefeitura. É a segunda vez que o STF decide reintegrar o prefeito, depois de afastamentos causados por investigações de crimes como peculato e lavagem de dinheiro.

Hely Ferreira aponta que esse vai e vem de Matuto impacta na candidatura de Padilha. “O PSB, com dois mandatos consecutivos do atual prefeito, tem o seu legado em Paulista. Mas, nos últimos tempos, os afastamentos e retornos do prefeito têm fragilizado, e muito, quem recebe o apoio da atual administração (Padilha). Assim, Yves Ribeiro mantém seu eleitorado e vem colhendo votos dos que estão insatisfeitos com a situação da cidade. Além disso, o PSB precisa se fortalecer na Região Metropolitana, pois o partido não teve sucesso nas eleições em grandes colégios eleitorais como Caruaru, que é o maior do Agreste, Petrolina, maior do Sertão, Vitória de Santo Antão, o maior da Zona da Mata, e em Jaboatão, que é o segundo maior colégio eleitoral do Estado. Assim, é preciso apostar suas fichas no Recife e em Paulista, neste segundo turno”, destacou.

Na mesma linha, a cientista política Priscila Lapa faz um comparativo entre Paulista e Recife, dois municípios onde o PSB disputa o segundo turno das eleições. "O caminho de Padilha é mais complicado, pois se comparar ao Recife, há um gestor mal avaliado, que pretende fazer o sucessor. Há, então, o desafio de mostrar que é uma continuidade, mas tentando se diferenciar, dizendo os erros do prefeito são do prefeito. Ele (Padilha) destaca a experiência e tenta se credibilizar, mas num cenário de desgaste. Em Paulista, envolve a questão judicial e no Recife, tem a questão dos respiradores, mas que implicou secretários e não diretamente o prefeito (Geraldo Julio), que não foi afastado. Em Paulista, há um prefeito que é afastado, recorre e volta, criando o elemento da insegurança nas pessoas e isso pesa de forma mais expressiva contra Padilha”, disse.

Por outro lado, a especialista destaca que a campanha de Francisco Padilha vem conseguindo colar em Yves a imagem de "forasteiro", mesmo tendo governado a cidade por duas vezes, mas sendo natural de Igarassu. “Yves é muito popular, mas o fato de não ser do município pesa contra ele e as pessoas têm a desconfiança de que ele trará pessoas de fora para os cargos da prefeitura. Nestes municípios mais provincianos, essa questão traz desconfiança nas pessoas, tanto que é o mote de campanha de Padilha. Ele aponta que Yves não olharia para a cidade como alguém de dentro”, comentou. “Yves também não tem o perfil da nova política e Padilha usa isso, dizendo que ele representa o velho, e não é só idade, é o estilo de fazer política, um estilo mais populista, menos focado em questões técnicas. Ele conhece bem a cidade por ser ter sido prefeito, mas não traz a discussão para um aspecto mais técnico, ele não tem como embalar como algo novo. E o município tem, hoje, esse sentimento de mudança, de desgaste da velha política. Ainda assim, isso não é de todo ruim para Yves, pois, ele tem a vantagem de ser experiente, sabe o que está fazendo, para restaurar a ordem, em contexto de terra devastada, alguém que domina a cena política se torna mais tranquilo ao eleitor”, completou Priscila Lapa.

Debate

Na última semana antes da definição de quem será o prefeito, Yves Ribeiro e Francisco Padilha ficaram frente a frente no debate promovido pela Rádio Jornal. E o candidato do MDB não perdeu a chance de questionar o adversário sobre o sentimento que ele tem ao representar a atual gestão do município, cujo prefeito já foi afastado do cargo por três vezes. “Paulista está passando por um momento difícil, com presença nas páginas policiais”, disse o Yves. Ao responder a pergunta, Padilha tentou se descolar do prefeito Júnior Matuto. “O problema que ele tem pra resolver, ele que resolva. Padilha é Padilha. Matuto é Matuto”, afirmou.

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