Democracia

Para presidente da OAB-PE, fortalecimento das instituições é necessário para evitar episódio com o dos EUA no Brasil

Bruno Baptista defende que ataque ao capitólio nos Estados Unidos dá uma sinalização da necessidade de vigilância contínua do funcionamento das instituições democráticas do País

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 07/01/2021 às 19:23
ALYSSON MARIA/DIVULGAÇÃO OAB
VÍRUS Número de casos fez entidade voltar atrás em campanha para atendimento presencial na Justiça - FOTO: ALYSSON MARIA/DIVULGAÇÃO OAB
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O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Pernambuco (OAB-PE), Bruno Baptista, disse considerar que a invasão do Congresso dos Estados Unidos na quarta-feira (6) por extremistas apoiadores do presidente Donald Trump dá uma sinalização da necessidade de vigilância contínua do funcionamento das instituições democráticas do País.  

"A gente acha sempre que a nossa democracia está segura, consolidada, mas momentos como esse mostram que em todo lugar a gente está vigilante no tempo todo e, principalmente, não existe pessoa nenhuma acima das instituições", avaliou o presidente.

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Manifestantes extremistas invadiram o capitólio americano na quarta (6) para impedir a confirmação da eleição de Joe Biden pelo Congresso. "Acho que para todo mundo que estava assistindo, ver a democracia mais antiga e talvez mais consolidada do mundo ser alvo de um ataque como esse foi absolutamente surpreendente. Não foi uma revolta, uma revolução, está mais para uma revolta de pequenas proporções, mas o capitólio é um símbolo da democracia", disse ele.

Na visão de Bruno Baptista, no Brasil já existe um discurso de descredibilizar a apuração das eleições pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), assim como está sendo feito por Trump nos EUA. Esse discurso, segundo ele, pode servir como uma preparação para o negacionismo do próprio resultado do pleito. 

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Nesta quinta-feira (7), ao comentar sobre o episódio ocorrido no capitólio, Bolsonaro voltou a questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro. Ele afirmou que, caso o voto impresso não seja implementado no País nas próximas eleições presidenciais de 2022, "uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos", disse. 

Mais uma vez, Bolsonaro repetiu o discurso de Trump ao afirmar que houve fraude na apuração das eleições presidenciais dos Estados Unidos que sagraram Joe Biden como novo presidente. "Lá, o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente que votou três, quatro vezes, mortos votaram, foi uma festa lá. Ninguém pode negar isso daí", disse Bolsonaro, sem apresentar provas. "E aqui no Brasil, se tivermos o voto eletrônico em 2022, vai ser a mesma coisa. A fraude existe."

Espelho

Bruno admite a possibilidade ainda que remota de que um episódio como esse - em uma democracia consolidada como os EUA - ocorra no Brasil. "Mas acho que há uma diferença que no nosso sistema eleitoral é muito mais objetivo, não há necessidade de haver uma confirmação ulterior pelo Congresso. Não tem essas etapas que as eleições americanas tem. O que pode haver no pais é uma revolta a aqueles que foram derrotados nas urnas, com o discurso de fraude", projeta o presidente. 

Para o presidente da OAB, a resposta para evitar isso está no fortalecimento das instituições. "Eu acho que a gente tem que batalhar pela imprensa livre, a liberdade do congresso, do Judiciário, o sistema de freios e contrapesos. Eu acho que é fundamental nós ficarmos atentos e sempre repudiarmos qualquer tipo de manifestação antidemocrática. Aqueles que vem exaltando a ditadura, ou não viveram a ditadura ou então enquanto ditadura foram opressores, porque a gente sabe que a própria democracia é que permite que essas pessoas critiquem tragam as suas contribuições", completou Bruno.

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