LAVA JATO

Bolsonaro diz que Fachin é ligado ao PT e que povo não quer Lula candidato

Em entrevista à CNN Brasil, presidente defendeu que decisão sobre processo de Lula na Lava Jato deveria ser do plenário do STF

Paulo Veras
Paulo Veras
Publicado em 08/03/2021 às 18:29
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ALAN SANTOS/PR
O presidente disse que já está se "acostumando a sofrer e apanhar por tudo que os outros façam ou deixem de fazer" - FOTO: ALAN SANTOS/PR
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (8), em entrevista à CNN Brasil, acreditar que o povo brasileiro não quer ter o ex-presidente Lula (PT) como candidato a presidência. Ele também criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que anulou as condenações de Lula na Operação Lava Jato. De acordo com Bolsonaro, Fachin é "ligado ao PT" e a decisão sobre os processos devia ser do plenário do Supremo, não de um único ministro.

"Qualquer decisão dos 11 ministros, é possível você prever o que eles pensam e o que botam no papel. O Fachin sempre teve uma forte ligação com PT. Então, não nos estranha uma decisão nesse sentido. Mas obviamente, é uma decisão monocrática. Vai ter que passar pela turma, eu não sei, ou pelo plenário para que tenha a devida eficácia. Agora, todo mundo foi surpreendido com isso daí. Afinal de contas, as bandalheiras que esse governo fez estão claras perante toda a sociedade. Você pode até supor a questão do sítio de Atibaia, do apartamento. Mas você tem coisa dentro do BNDES que o desvio chegou na casa do trilhão de reais com obras fora do Brasil. O desvio na Petrobras foi enorme. Foi mais de R$ 2 bilhões o que o pessoal na delação premiada devolveu. Então, foi uma administração, realmente, catastrófica do PT no governo", afirmou Bolsonaro.

O presidente também disse esperar que o colegiado do Supremo "restabeleça o julgado". "Eu acredito que o povo brasileiro não queira sequer ter um candidato como este em 2022. Muito menos pensar numa eleição dele. Você pode ver a Bolsa já foi lá para baixo e o dólar já foi lá para cima. Todos nós sofremos com uma decisão como esta daí", disse o presidente da República.

Questionado se acredita que a decisão não deveria ter sido dada monocraticamente, Bolsonaro afirmou não ter dúvida disso pelo mal que o governo do PT causou ao País. "Não pode, em hipótese alguma, um homem só ser o senhor de um julgamento como este. Então, não sou especialista, mas eu acho que não é uma questão nem de turma. Tem que ser do plenário", defendeu.

Fachin

Formado pela Universidade Federal do Paraná, Fachin atuou como advogado e professor de Direito por muitos anos. Ele é especialista em Direito Civil e de Família. Também tinha uma relação próxima com movimentos sociais. Por indicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), integrou a Comissão da Verdade do Paraná.

Em 2015, foi indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para o Supremo na vaga deixada por Joaquim Barbosa, relator do Mensalão. Na Suprema Corte, adotou uma postura moderada, sem os arroubos de outros colegas, e com decisões favoráveis ao combate à corrupção.

Em 2017, após a morte do ministro Teori Zavascki, foi sorteado para se tornar relator dos casos da Operação Lava Jato. Na época, a escolha dele foi celebrada por movimentos de combate a corrupção pelo seu perfil.

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