Depoimento

''Pazuello não tem como livrar a cara do governo Bolsonaro na CPI da Covid'', avalia Humberto Costa

O depoimento do ex-ministro foi remarcado, pois ele alegou que teve contato com dois assessores que contraíram covid e iria entrar em quarentena

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 05/05/2021 às 10:20
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JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
Humberto Costa é membro titular da CPI da Covid no Senado - FOTO: JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
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O senador Humberto Costa (PT) disse, na manhã desta quarta-feira (5), que o Exército não precisa se preocupar com a participação do general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na CPI da Covid, no Senado.

Nos últimos dias, o Exército estaria trabalhando para impedir que o depoimento de Pazuello prejudique a reputação da força. O comandante da corporação, general Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, conversou sobre o assunto na segunda-feira à noite com o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, segundo o jornal O Globo. Além disso, fez chegar a Pazuello recados para que o ex-ministro não associasse sua atuação no ministério aos papéis que desempenhou no Exército.

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Humberto Costa é membro da CPI e reforçou que Pazuello será ouvido como ex-ministro, não como general. "Não há como ele (Pazuello ) dissociar tudo que fez do governo Jair Bolsonaro, mas do Exército sim. Ele não estava no governo representando as Forças Armadas, ele estava como funcionário à frente do Ministério da Saúde, como qualquer civil. A responsabilidade não será cobrada com general, mas como ministro. Então, a preocupação do comandante é desnecessária, mas Pazuello querer livrar a cara do governo vai se difícil", disse o petista à Rádio Jornal.

Foi ele, Pazuello, que sentado com Bolsonaro em seu apartamento disse que a 'coisa é mais ou menos assim, um manda outro obedece'. Então, as decisões que ele tomou devem ter sido inspiradas pela posição do presidente.
Humberto Costa sobre atuação de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde

Depoimento

O depoimento do ex-ministro da Saúde estava marcado para esta quarta-feira (5), mas logo no início dos trabalhos dessa terça (4), já circulava entre os senadores a informação de que Pazuello iria faltar. A confirmação veio do presidente da CPI, senador Omar Aziz. Ele afirmou ter recebido uma ligação do comandante do Exército: “Ministro Pazuello teve contato com dois coronéis, auxiliares dele, esse final de semana que estão com Covid. Segundo a informação que eu tenho, ele vai entrar em quarentena e não virá depor amanhã. É essa a informação. Não é oficial, é extraoficial”.

Senadores governistas pressionaram por um depoimento virtual. “Já não ficou definido aqui para a comissão que poderia ser feito de forma virtual?”, questionou o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Omar Aziz respondeu: “Semi virtual, mas tem que ser comunicado com antecedência”. Alessandro Vieira, do Cidadania – SE, disse: “Sr. presidente, só para uma correção: este plenário não decidiu autorizar depoimentos virtuais em nenhum momento”.

Logo depois, o presidente da CPI se corrigiu e confirmou que o depoimento teria de ser presencial. “Se o ministro Pazuello está de quarentena, não tem problema a gente esperar 14 dias para ele vir aqui. Não tem problema – você está me entendendo? –, mas será presencial. Sabe por quê? Não haverá subterfúgios na minha presidência. Então, nós vamos esperar. Eu só quero que seja comunicado pelo comando do Exército que o ministro Pazuello teve contato”, declarou Aziz.

No documento, que não traz nenhuma comprovação de testes positivos dos auxiliares, o próprio Pazuello sugere que o depoimento poderia ser feito na mesma data/hora da audiência prevista anteriormente, alterando para a forma remota ou adiar o referido depoimento para um outro momento mais oportuno, a ser definido pela própria comissão.

E a proposta de adiar o depoimento acabou sendo aprovada pela CPI. “Eu proponho que ele seja ouvido dia 19, daqui a 15 dias, aqui nesse plenário. Fica dessa forma definido. Aqueles que concordam, permaneçam como estão. Está aprovado”, definiu Omar Aziz.

Pazuello ocupa, hoje, um cargo na Secretaria-Geral do Exército. Entre os temas que tem a explicar na CPI, está a crise do oxigênio em Manaus, a defesa do uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina, e a dificuldade na compra de vacinas. Fora da CPI, ele responde a inquéritos sobre esses assuntos.

Nesta quarta-feira (5), no lugar de Pazuello, a CPI irá ouvir o depoimento do ex-ministro Nelson Teich, que estava marcado para essa terça (4). Teich, que ficou menos de um mês no cargo, deve ser questionado sobre a pressão do governo para que ele defendesse o uso da cloroquina e as divergências sobre a necessidade de isolamento social - motivos que levaram à sua saída da pasta.

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