COVID-19

Barraqueiros das praias querem trabalhar nos fins de semana e planejam mobilização contra restrições do governo de Pernambuco

Restrições das atividades sociais e econômicas em vigor em Pernambuco serão prorrogadas até o próximo dia 6 de junho

Rute Arruda Luisa Farias
Rute Arruda
Luisa Farias
Publicado em 20/05/2021 às 20:26
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TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
DINHEIRO Estimativa é de que 5.597 profissionais sejam beneficiados - FOTO: TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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Com a prorrogação das medidas restritivas em Pernambuco, anunciadas nesta quinta-feira (20) pelo governo estadual, as atividades econômicas não-essenciais seguem com horário reduzido de funcionamento. As restrições vão seguir por mais duas semanas, até o dia 6 de junho. No caso das praias, o comércio na faixa de areia continua sem poder funcionar nos fins de semana e feriados, dias em que a circulação de pessoas, e consequentemente o faturamento, costuma ser maior. Os trabalhadores desse segmento já cogitam até uma mobilização para apelar à liberação do funcionamento nos fins de semana. 

Nos dias úteis, as atividades estão permitidas, das 9h às 16h. Os banhistas, por sua vez, podem frequentar a praias e os calçadões, sem aglomeração. O uso de caixas de som está proibido. 

Os representantes das associações de trabalhadores das praias do estado devem se reunir em breve para deliberar sobre como a categoria vai responder ao anúncio da prorrogação das restrições. Está sendo cogitada inclusive a realização de uma manifestação, caso não consigam dialogar com o Governo de Pernambuco.

Eles estão se mobilizando para criar uma federação com associações de diversos segmentos com atuação nas orlas, como barraqueiros, ambulantes, artesãs, bugueiros e mergulhadores. 

Para o presidente da Associação dos comerciantes da orla de Jaboatão dos Guararapes, Sandoval Berto, a prorrogação vai prejudicar ainda mais a categoria.

"Na verdade, todos são impactados. Quando a gente não coloca o bar na faixa de areia, isso intimida muito o turista a descer para a areia para fazer passeios. A gente sabe que a ameaça do vírus é letal, mas nós precisamos trabalhar. A gente sabe exatamente onde é o maior vetor de contaminação desse vírus (transporte), que é uma coisa que o governo não consegue manter (sem aglomerações), mas geralmente a corda rompe para o lado mais fraco", afirmou Sandoval.

Segundo Sandoval, a abertura de segunda a sexta acaba não sendo viável. Ele aponta que cerca de 70% dos comerciantes da orla de Jaboatão optam por não abrir nos dias úteis. 

Para o presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes e Artesãos de Artigos Diversos de Ipojuca (Avadir), Carlos Nunes, conhecido como "Carlão", a categoria está insatisfeita com o anúncio do governo estadual. 

"Existe o plano de convivência com o vírus, porque foi nos passado os protocolos que foram criados pelo próprio governo e com isso a gente vem respeitando eles. Isso (prorrogação das restrições) está trazendo um grande prejuízo para toda a classe trabalhadora de toda a orla do estado de Pernambuco. Estamos sem trabalhar os sábados e domingos, eles dizendo que é o maior índice de aglomeração", reclamou. 

Ele argumenta que os comerciantes tem seguido à risca os protocolos sanitários, há redução do número de barracas, os trabalhadores utilizam EPIs e ainda incentivam a população a utilizar máscara e álcool em gel.

Carlão relata que a categoria já propôs o funcionamento em um dia do final de semana, ainda que com horário reduzido, em troca de um dia útil com as atividades suspensas.

"A nossa esperança fica nos finais de semana. O que está acontecendo é a fome que está se alastrando. Inclusive vários barraqueiros, ambulantes fizeram empréstimos e essa paralisação tem afetado o pessoal que não consegue honrar os seus compromissos", disse.

 

Restrições mantidas

As restrições, anunciadas nesta quinta-feira (20) em coletiva de imprensa do Governo de Pernambuco,  foram mantidas devido a situação crítica da pandemia no estado. O secretário André Longo apresentou os dados da semana epidemiológica nº 19 (de 9 a 15 de maio) em Pernambuco, que registrou uma situação de estabilidade alta, chamada de platô. De acordo com o secretário, houve um aumento de 4% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) em relação à semana 18 (2 a 8 de maio), embora tenha sido registrada uma redução de 1% em relação à semana nº 17 (25 de abril a 1º de maio).

Os dados da Central de Regulação de Leitos mostraram um incremento de 5,8% nas solicitações da semana epidemiológica 19 em relação à semana 18. Desses, 3% é de aumento das UTIs e 9% dos leitos de enfermaria.

"Ainda estamos em uma fase bastante crítica da pandemia aqui no nosso estado. Após análise desses números feito pelo Comitê Multidisciplinar de Enfrentamento à Covid-19 em Pernambuco, nós decidimos por ampliar as medidas restritivas vigentes no decreto atual, que se encerrariam agora no dia 23 de maio, por mais 15 dias, até o dia 6 de junho. Essas medidas são extremamente necessárias para que a gente possa conter o avanço da pandemia aqui no nosso estado.", afirmou Ana Paula Vilaça.

Atualmente, as atividades econômicas fora da região Agreste só podem funcionar até as 18h nos finais de semana. Isto vale para os estabelecimentos que abrirem às 10h. Para os que começarem a funcionar às 9h, o horário limite fica reduzido para as 17h. De segunda a sexta-feira, o horário para todos é de 10h às 20h, com duração máxima de funcionamento de 10 horas.

As celebrações religiosas presenciais podem ser realizadas dos dias de semana entre 5h e 20h. Já nos sábados, domingos, o horário passa a ser de 5h às 18h.

Em qualquer dia, estão proibidas atividades de clubes sociais, esportivos e agremiações, equipamentos culturais, parques de diversão, competições e práticas esportivas coletivas, com exceção para jogos de futebol.

Agreste

Diante da situação mais crítica no Agreste, o Governo de Pernambuco resolveu restringir ainda mais o funcionamento das atividades econômicas e sociais na região, dos dias 18 a 31 de maio. Essas medidas vão ser mantidas no tempo estipulado.

Foi verificado um aumento rápido no número de internações e procura por hospitais na região. "Para se ter uma ideia, enquanto nas outras regiões os casos de Srag tiveram queda ou oscilações abaixo de 5%, no agreste, o aumento foi acima de 10%, quando consideramos todas as solicitações de leitos", disse o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, durante coletiva nesta quinta (20). 

As restrições valem para 53 municípios do Agreste que integram as 4ª e 5ª Gerências Regionais de Saúde (Geres), com sede em Caruaru e Garanhuns, respectivamente.

De segunda à sexta, os serviços não-essenciais - atividades econômicas e sociais, incluindo os templos religiosos - estão proibidos de funcionar das 18h às 5h do dia seguinte. Nos sábados e domingos, só poderão funcionar atividades essenciais, como farmácias, supermercados, padarias, postos de gasolina e feiras livres de produtos alimentícios.

Ana Paula Vilaça alertou que o Plano de Convivência com a Covid-19 pode ser revisto a qualquer momento, a depender da evolução dos números da doença no estado. E que assim como foram adotadas medidas mais restritivas nas 53 cidades agreste pernambucano, elas podem se estender para outros municípios caso seja necessário.

"Nós avaliamos e fazemos esse equilíbrio do funcionamento das atividades econômicas e sociais e os números da saúde, para que o governo consiga atender na sua rede hospitalar todos os pacientes, garantindo a preservação da vida das pessoas", afirmou.

A secretária também pediu comprometimento da população em geral, dos comerciantes, prestadores de serviços "para que cumpram e sigam os protocolos sanitários que foram construídos e elaboramos em parceria com todos os segmentos", disse.

Ela também reforçou a necessidade de seguir os protocolos sanitários para evitar a infecção pelo novo coronavírus. "O nosso comportamento também é um diferencial: o uso da máscara de forma correta e o tempo inteiro, evitar aglomerações, respeitar o distanciamento social, eventos sociais, corporativos, festas, que permanecem proibidos nesse momento", salientou.

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