CAPITÃ CLOROQUINA

Saúde soube antes da falta de oxigênio em Manaus, diz Mayra Pinheiro na CPI da Covid

Mayra contradisse o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello sobre o momento em que a pasta foi informada do problema no abastecimento de oxigênio em Manaus, no início do ano

Estadão Conteúdo
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Publicado em 25/05/2021 às 23:17
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LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO
MINISTÉRIO 'Capitã cloroquina' combinou perguntas com governistas - FOTO: LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO
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Em depoimento de seis horas e meia à CPI da Covid, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, reforçou a suspeita da comissão de que houve omissão do governo Jair Bolsonaro no colapso do sistema de saúde do Amazonas. Informações prestadas pela médica aos senadores indicaram que o Ministério da Saúde soube com antecedência da crise de oxigênio no Estado e não agiu.
Mayra contradisse o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello sobre o momento em que a pasta foi informada do problema no abastecimento de oxigênio em Manaus, no início do ano. Pazuello afirmou que foi avisado sobre a crise em 10 de janeiro. Ela, por sua vez, declarou que conversou sobre o assunto com o general em 8 de janeiro.
Conhecida como "capitã cloroquina" pela defesa veemente do medicamento sem eficácia comprovada para o tratamento de covid-19, Mayra disse aos senadores que não teve informações sobre problemas quando esteve em Manaus. A visita ocorreu entre 3 e 5 de janeiro, às vésperas do colapso na rede hospitalar, quando pacientes infectados pelo coronavírus morreram por asfixia após o esgotamento dos estoques de oxigênio. "Não houve uma percepção de que faltaria", afirmou a médica.
A primeira vez que o Ministério da Saúde soube do ocorrido, segundo Mayra, foi no dia 7 de janeiro. "Pelo que tenho de provas, nós tivemos uma comunicação por parte da secretaria estadual, que transferiu para o ministro um e-mail da White Martins dando conta de que haveria um problema de abastecimento, segundo eles mencionado como um problema na rede", declarou a médica no Senado. E-mail de 7 de janeiro da White Martins, obtido pelo Estadão, informa à Secretaria de Saúde do Amazonas que, com o agravamento da crise, eram necessários "esforços adicionais". A mensagem foi enviada no mesmo dia ao Ministério da Saúde.
Aplicativo
Mayra ainda acusou falsamente o jornalista Rodrigo Menegat de hackear o aplicativo TrateCov, mas recuou ao ser questionada pelo relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL). Em janeiro, após o lançamento da plataforma que promovia remédios ineficazes contra a covid-19, o jornalista acessou o código público do site e fez simulações na área aberta da plataforma, identificando que esses remédios estavam sendo recomendados de forma indiscriminada. Segundo o jornalista, porém, não houve invasão do sistema nem extração indevida de dados.
Após a imprensa noticiar, na época, que o aplicativo promovia esses remédios, o ministério tirou o sistema do ar e passou a dizer que ele era apenas um protótipo.
 

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