PRONUNCIAMENTO

Bolsonaro promete vacina ''para quem quiser'' em 2021, diz que não obrigou ''ninguém a ficar em casa'' e é alvo de panelaços

Presidente adotou discurso de priorização à saúde das pessoas e das empresas durante a pandemia, exaltando ações da gestão e eximindo-se da responsabilidade sobre o avanço da pandemia no País

JC Estadão Conteúdo
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Estadão Conteúdo
Publicado em 02/06/2021 às 21:01
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ALAN SANTOS/PR
De acordo com os dados que Bolsonaro apresentou, o Brasil tinha chegado somente à metade do número de mortos vitimados pela pandemia, como se fosse pouco - FOTO: ALAN SANTOS/PR
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Na noite desta quarta-feira (2), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um pronunciamento em rede nacional para exaltar ações do governo federal durante a pandemia e eximir a gestão do avanço da doença e dos entraves econômicos vividos no País como reflexo das medidas de isolamento contra a crise sanitária. O presidente disse que sempre defendeu o combate à pandemia, mas também a "preservação dos empregos". O pronunciamento foi acompanhado de panelaços em diversos bairros do Recife, e Bolsonaro garantiu que todos os brasileiros "que quiserem" serão vacinados ainda em 2021. 

"Nosso governo não obrigou ninguém a ficar em casa. Não fechou comércio, igrejas e escolas. Não tirou sustento de trabalhadores informais. Sempre disse que temos dois problemas pela frente: O vírus e o desemprego, que deveriam ser tratados com a mesma responsabilidade e de forma simultânea", afirmou o presidente. 

Bolsonaro enfrenta nesta quarta-feira um cenário de maior desgaste do que o de seu último pronunciamento, no dia 23 de março. Na CPI da Covid, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) já sinalizou que há provas suficientes para comprovar que o governo não quis comprar vacinas para enfrentar a pandemia no País. Por outro lado, o presidente também tem visto sua popularidade cair nas últimas pesquisas. Em maio, segundo o Datafolha, a aprovação do mandatário recuou seis pontos e chegou a 24%, pior marca do mandato.

A realização de atos em pelo menos 170 cidades brasileiras também somam à conjuntura de maior preocupação para o governo. Além de críticas à condução federal na pandemia, manifestantes pediram a retomada do auxílio emergencial de R$ 600 e a vacinação em massa da população. 

Em março, Bolsonaro recuou do tom negacionista e prometeu vacinas aos brasileiros. Naquele dia, o Brasil tinha 298.843 mortos. Hoje já são mais de 465 mil.

Ainda assim, nesta quarta-feira, Bolsonaro voltou a prometer vacina aos brasileiros. Desta vez disse: " O Brasil é o quatro (país) que mais vacina no planeta. Neste ano (2021) todos os brasileiros que assim o desejarem serão vacinados. Ontem assinamos acordo de transferência de tecnologia para produção de vacina, entre AstraZeneca e Fiocruz e fio cruza, integrando a elite de cinco países que produzem vacina", gabou-se. 

O País tem, até agora, apenas 21,58% da população vacinada com a primeira dose contra a covid-19.

O presidente finalizou o pronunciamento exaltando o governo e o que, segundo ele, representou avanços da agenda governamental no Congresso. Do auxílio emergencial, passando pelo Pronampe, recursos enviados a Estados e municípios, medidas como a independência do Banco Central, leilões de infraestrutura e resultados do PIB e do Caged, o presidente elencou medidas que, para ele, colocam o Brasil entre os países que mais cresceram em meio à pandemia, que segue vitimando milhares no País desde 2020.

Assista o pronunciamento completo 

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