PERNAMBUCO

Bruno Araújo diz que Raquel Lyra só não será candidata a governadora 'se tomar a decisão de não ser'

Dirigente partidário concedeu entrevista à Rádio Jornal nesta quinta, quando também afirmou que o Estado precisa passar por "uma girada de ciclo político"

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 01/07/2021 às 17:29
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Raquel Lyra e com Bruno Araújo - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Presidente nacional do PSDB, o pernambucano Bruno Araújo afirmou, em entrevista à Rádio Jornal nesta quinta-feira (1º), que a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), só não será candidata ao governo estadual em 2022 se não tiver interesse na disputa. A gestora municipal é uma das cotadas no grupo de centro-direita que faz oposição ao governo Paulo Câmara (PSB) para o pleito, ao lado dos prefeitos de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), e de Petrolina, Miguel Coelho (MDB).

"Raquel é uma prioridade nacional do partido. Uma prioridade nacional de todo o conjunto de senadores, deputados federais e governadores do PSDB, no sentido não só de oferecer um palanque nacional para o partido em Pernambuco, mas também como uma aposta da virada de uma nova geração na política pernambucana. Raquel está experimentada, demonstrou capacidade administrativa, governa com apoio popular, tem o reconhecimento da população de uma das cidades mais importantes do Nordeste do país, símbolo da nossa tradição, da nossa força cultural, uma força econômica da região. Raquel está pronta, ela só não vai ser candidata se tomar a decisão de não ser", cravou Bruno, lembrando, contudo, que a construção da candidatura que representará o grupo nas urnas passará por debates coletivos que contarão com a participação de todos as siglas aliadas.

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Sobre a atual gestão estadual, comandada pelo governador Paulo Câmara, o dirigente partidário afirmou que os problemas que Pernambuco tem enfrentado em muito estão relacionados com o fato de que o PSB está no poder há quase 16 anos. "O Estado tem encontrado dificuldades importantes na gestão da pandemia, mas que se somam a um modelo de um governo que se estende já há um bom período no mesmo partido político. Nesse sentido nós começamos a conversar entre as forças políticas de Pernambuco, respeitando esse momento de pandemia, que é o foco total da gestão dos governantes, (...) sobre quais as alternativas que Pernambuco pode ter nesse campo. Junto com Armando (Monteiro, PSDB), Mendonça (Filho, DEM), com todas as forças políticas, nós temos chance de oferecer aos eleitores uma alternativa de permitir, de forma democrática, uma girada de ciclo político para que uma nova geração possa contribuir com a vida de Pernambuco", detalhou Bruno.

No cenário nacional, o ex-ministro das Cidades lembrou que o PSDB fará, em novembro deste ano, prévias para definir quem será o candidato da agremiação para o Palácio do Planalto. Segundo ele, o pleito será "o maior processo democrático interno da história do Brasil para escolha de um candidato à presidência".

"Nós temos hoje quatro pré-candidatos: o ex-governador do Ceará e atual senador da República, Tasso Jereissati; o governador Eduardo Leite; o ex-senador e ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, e o governador de São Paulo, João Doria. Com essas quatro pré-candidaturas, o PSDB está se preparando para, no dia 21 de novembro, fazer as suas eleições internas. O partido tem mais de 1 milhão de filiados no Brasil, e vão estar habilitados a votar um número expressivo de filiados: cerca de 4 mil vereadores, 60 prefeitos, sete senadores, 33 deputados federais, três governadores, mais de 100 deputados estaduais que vão, em Brasília e pelo aplicativo, escolher qual desses candidatos vai representar o partido como uma alternativa a essa polarização que está dividindo o País", observou Bruno.

JAIR BOLSONARO

Apesar de ter declarado voto no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no segundo turno das eleições de 2018, Bruno Araújo fez críticas duras ao militar da reserva durante a entrevista de hoje. De acordo com o ex-deputado federal, o chefe do Executivo cometeu inúmeros erros na condução da pandemia de covid-19, falhas estas que custaram as vidas de "dezenas de milhares de pessoas".

"Do ponto de vista da gestão da pandemia, as próprias pesquisas de opinião mostram que o presidente tratou com desdém, com menosprezo, a luta pela vida. Um presidente que negou a compra de mais de 70 milhões de doses de vacina no momento em que todo mundo se preparava, sobretudo os países que tinham condições de financiar e comprar e ter acesso a essas vacinas. (...) Um presidente que tem tido pouco papel de solidariedade nesse momento tão difícil da vida das pessoas e nesse ciclo difícil da humanidade. E as pesquisas de opinião mostram o decréscimo crescente do apoio popular dele, sobretudo pela forma desleixada e desrespeitosa com que ele fez o enfrentamento da pandemia", observou Bruno.

Sobre a CPI da Covid, o pernambucano afirmou que vê de maneira positiva as investigações a respeito da atuação federal na pandemia, mas frisou que crê que a ampliação do acesso às vacinas deve ser prioridade principal do País neste momento. "Tudo o que possa esclarecer onde houve erros e omissões do governo é positivo. O foco principal é como garantir o fornecimento de vacinas da forma mais rápida possível. Já aumentou o número de contratos firmados para vacinar a população, mais o Brasil poderia ter, com a antecedência de meses, chegado à vacinação plena da população, o que seguramente iria salvar um número substancial de vidas. Se uma vida é absolutamente fundamental e merece o esforço de todo o Páis, imagina dezenas de milhares de vidas. A CPI ninguém sabe como termina, já apareceram denúncias importantes com relação à compra de vacinas que colocam o presidente da República no centro de algo que ele sempre combateu, que era a condição de como se portar com relação à probidade na gestão pública, então tem muita água para passar ainda debaixo dessa ponte", detalhou o tucano.

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