PANDEMIA

Pazuello teria negociado Coronavac pelo triplo do preço, diz jornal

O caso foi divulgado nesta sexta-feira (16) pela Folha de S.Paulo

Larissa Lira
Larissa Lira
Publicado em 16/07/2021 às 15:19
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LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO
Pazuello comandou o Ministério da Saúde por cerca de 10 meses, entre 16 de maio do ano passado e 23 de março deste ano - FOTO: LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO
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Nesta sexta-feira (16), a Folha de S.Paulo revelou que Eduardo Pazuello, enquanto era ministro da Saúde, teria prometido a um grupo de intermediadores comprar 30 milhões de doses da vacina chinesa Coronavac, por US$ 28 a dose, quase o triplo do preço negociado pelo Instituto Butantan.

A negociação, segundo a Folha, aconteceu em uma reunião fora da agenda oficial, no ministério, em 11 de março. O desfecho foi registrado em vídeo, no qual o general Pazuello aparece ao lado de quatro pessoas que representariam a World Brands, uma empresa de Santa Catarina que lida com comércio exterior.

A gravação foi obtida pelo jornal e está em posse da CPI Covid no Senado. 

Proposta 

De acordo com a notícia, a proposta da World Brands, também obtida pela Folha, oferece as 30 milhões de doses da vacina do laboratório chinês Sinovac pelo preço unitário de US$ 28 a dose, com depósito de metade do valor total da compra (R$ 4,65 bilhões, considerando a cotação do dólar à época) até dois dias após a assinatura do contrato.

 

Contradições 

Além da discrepância no preço, o encontro contradiz o que Pazuello afirmou em depoimento à CPI da Covid, em 19 de maio. Aos senadores, o general disse que não liderou negociações com a Pfizer sob o argumento de que um ministro jamais deve receber ou negociar com uma empresa.

No relato da Folha de S.Paulo sobre o vídeo, é citado que um empresário agradece a oportunidade do ministro recebê-lo e diz que podem ser feitas outras parcerias “com tanta porta aberta que o ministro nos propôs”.

Gravações 

A gravação teria sido feita para servir como propaganda nas redes sociais para o avanço das negociações, no momento em que o governo era pressionado a ampliar o portfólio de vacinas. Depois disso, de acordo com os relatos colhidos pela Folha, parte da equipe do ministro pediu que os empresários não compartilhassem o vídeo.

Um dos assessores de Pazuello teria alertado o general após a reunião de que a proposta era incomum, acima do preço, e a empresa poderia não ser representante oficial da fabricante da vacina.

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