Entrevista

Aras pediu ação contra Sérgio Reis para não parecer "capitão do mato de Bolsonaro", diz ex-desembargador de Pernambuco

Nesta sexta-feira (20), a Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca e apreensão contra Otoni de Paulo e o cantor Sérgio Reis

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 20/08/2021 às 11:44
Isac Nobrega
Presidente Jair Bolsonaro e PGR Augusto Aras - FOTO: Isac Nobrega
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Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o ex-desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) Francisco Queiroz afirmou, nesta sexta-feira (20), que o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) mandados de busca e apreensão contra o cantor Sérgio Reis e o deputado bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ) para não parecer "capitão do mato de Bolsonaro".  

"Eu acho que o Aras, isto é, o que o que me parece, é só uma impressão, tem um postura meio dúbia. Essa medida que ele requereu agora parece ser uma sinalização como: 'olhe, eu estou acenando para vocês, porque eu estou nesse processo para ter meu nome convalidado pelo Senado e eu não quero mostrar que eu sou o capitão do mato de Bolsonaro'", afirmou o desembargador Francisco Queiroz.

O jurista explicou ainda que, no caso da ação da PF contra Reis e Otoni, não há erros no procedimento, sobretudo porque o Judiciário não agiu de ofício, mas foi instado pela Ministério Público. "Nessa caso de Sérgio Reis, formalmente, o procedimento está correto. Quem requisitou a providência foi a Procuradoria Geral da República. O STF deferiu o que a Procuradoria pediu", destacou o jurista.

Na mira da Polícia Federal

Nesta sexta-feira (20), a Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca e apreensão contra Otoni de Paulo e o cantor Sérgio Reis. As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atendeu a um pedido da PGR.

“O objetivo das medidas é apurar o eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições, bem como contra os membros dos Poderes”, diz a PF em comunicado.

Ao todo, 29 mandados foram autorizados pelo magistrado, levando a PF a, pelo menos, quatro endereços no Rio de Janeiro e em Brasília ligados ao cantor, na casa e no gabinete de Otoni, na Câmara. Também estão sendo cumpridos mandados em Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso, Ceará e Paraná.

Áudio, ameaças e 'cancelamento'

Desde o último fim de semana, a artista, que também é ex-deputado federal, se vê envolvido em polêmicas. O vazamento de um vídeo em que convoca caminhoneiros e a população a saírem às ruas em defesa do governo, e para pedir o impeachment dos ministros do STF, fez com que o sertanejo fosse “cancelado” nas redes sociais, com muitas críticas, inclusive de colegas artistas e políticos. Os cancelamentos, no entanto, também atingiram a agenda e o bolso do cantor.

“Querem me massacrar. Já estou tendo prejuízo. Cancelaram quatro shows e dois comerciais que ia fazer agora. Tiraram do ar um que faço para um supermercado de Curitiba. Vão tirar por um mês do ar e esperar para ver o que acontece”, contou o artista, agora alvo de ação da PF.

Na segunda-feira (16), segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a mulher de Sérgio Reis contou que ele ficou deprimido com a má repercussão do áudio. "Ele está muito triste e depressivo porque foi mal interpretado. Ele quer apenas ajudar a população. Está magoado demais", disse a mulher de Reis, Angela Bavini.

Investigação na Polícia Civil

A Polícia Civil do Distrito Federal abriu, na segunda-feira (16), um inquérito para apurar as ameaças feitas pelo cantor Sérgio Reis sobre um áudio que circulou pelas redes sociais no último fim de semana. A investigação acontecerá por meio do Departamento de Combate à Corrupção.

De acordo com o que o delegado Leonardo de Castro, da delegacia de Combate à Corrupção (Decor), informou, na segunda, o cantor sertanejo será investigado pela prática de, pelo menos, três crimes.

"O objetivo é investigar suposta associação criminosa voltada para a prática de alguns crimes, da qual ele seria integrante", afirmou o delegado. "Ele será investigado pelos crimes de ameaça (art. 147 do CP), dano (art. 163 do CP) e atentado contra a segurança de meio de transporte (art. 262 do CP)."

A previsão, segundo a Polícia Civil, era de que Sergio Reis fosse intimado a depor nos próximos dias, ainda em agosto, mas não foi informada data para a convocação.

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