Governador de Pernambuco

'Não vamos admitir politização das polícias', diz governador de Pernambuco, Paulo Câmara

O socialista disse, porém, que causa preocupação o tipo de mobilização que tem sido feita para o protesto a favor do presidente Jair Bolsonaro no Dia da Independência

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Paulo Veras

Publicado em 26/08/2021 às 22:51 | Atualizado em 27/08/2021 às 2:25
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*Com informações de O Globo

Em entrevista ao jornal O Globo, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), afirmou que não vai admitir a possibilidade de uma politização da polícia no Estado, numa reação ao alerta feito no início da semana pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para os demais gestores estaduais do País.

O socialista disse, porém, que causa preocupação o tipo de mobilização que tem sido feita para o protesto a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Dia da Independência. O pernambucano também afirmou que, por a polícia ser muito grande, não é possível ter "100% de controle" sobre todos os policiais, embora tenha reforçado a sua confiança sobre a PM estadual.

"Obviamente, toda essa mobilização (para o 7 de setembro) causa preocupação. A corporação policial é muito grande, você não tem 100% de controle sobre todo mundo, mas eu tenho confiança na PM de Pernambuco. Quando tivemos aquele protesto do 'Fora, Bolsonaro', com reação policial e balas de borracha, tomamos as providências e afastamos quem cometeu excessos. Mas depois houve diversas manifestações, todas dentro da normalidade", afirmou Paulo Câmara.

"Essas ameaças do presidente, a coisa de 'esticar a corda' com as instituições, isso nos preocupa. Mas reafirmo que não vamos admitir politização das polícias. Queremos uma polícia forte contra o crime, mas que respeite os direitos humanos e a Constituição, e não vamos admitir que extrapole essas prerrogativas. Não podemos entrar nessa onda de intolerância e agressões que vemos muitas vezes por parte do presidente da República. Temos que ser duros se houver exagero, mas respeitar quem pensa diferente, dentro dos limites democráticos", explicou ainda o pernambucano.

ELEIÇÕES

Paulo Câmara evitou antecipar se o PSB apoiará a candidatura do ex-presidente Lula (PT) em 2022, mas lembrou o histórico de proximidade política entre os socialistas e o PT. "Desde a redemocratização, o PSB sempre caminhou muito mais ao lado do PT do que como adversário. Em 2018, na minha reeleição, estivemos coligados (em Pernambuco). Creio que todos os partidos do campo progressista e alguns mais ao centro estão conscientes de que a grande tarefa para 2022 é tirar Bolsonaro do poder, para restabelecer a paz social e o caminho das melhorias no Brasil. Minha última conversa presencial com Lula havia sido entre o fim de 2017 e o começo de 2018, então este encontro agora marcou a retomada de um diálogo entre PT e PSB muito importante para o futuro. Não vamos antecipar nenhum tipo de compromisso de aliança", argumentou.

Paulo Câmara também lembrou que, no PSB, há atualmente pessoas que defendam o apoio a Lula, uma aliança com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) e até o lançamento de uma candidatura própria. "Em 2022, vamos decidir, dentro das candidaturas postas, qual caminho vamos trilhar", prometeu.

Questionado se a ampliação do Bolsa Família poderia reverter a queda de popularidade de Bolsonaro, o governador defendeu que o programa tenha uma "porta de saída". "Não podemos de maneira alguma questionar políticas públicas que ajudem no enfrentamento da pobreza e das dificuldades da população neste momento", disse. "Se o governo estiver implementando apenas com finalidade eleitoral, não terá sustentabilidade lá na frente", prosseguiu.

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