Entrevista

'Espero que Ciro Gomes tenha uma posição menos agressiva com Lula', diz Humberto Costa após ataques sofridos pelo pedetista

Senador do PT disse que repudia agressões ao ex-governador do Ceará e afirmou que PT estará com Ciro no segundo turno

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 04/10/2021 às 10:46
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LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEME RODOLFO LOEPERT/DIVULGAÇÃO
Senador Humberto Costa e ex-governador Ciro Gomes - FOTO: LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEME RODOLFO LOEPERT/DIVULGAÇÃO
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Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, na manhã desta segunda-feira (4), o senador Humberto Costa (PT) afirmou que repudia os ataques sofridos pelo ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) durante as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no último sábado (2). O parlamentar, porém, disse esperar que o pedetista “tenha uma posição menos agressiva” contra o ex-presidente Lula e seu partido, o PT.

“Nós repudiamos qualquer tipo de agressão que se faça contra qualquer pessoa, não só aliados, que esteja na luta pelo impeachment. Como também somos contra qualquer agressão a quem defende o bolsonarismo”, afirmou o senador.

“Agora, também esperamos que o presidenciável Ciro Gomes tenha uma posição menos agressiva com Lula e com o PT, porque, afinal de contas, se ele for para o segundo turno e nós não formos, nós iremos apoiá-lo. E esperamos que isso aconteça também. Então, não há motivos para brigarmos. Nossa luta hoje é contra o bolsonarismo”, emendou Humberto.

Vaias e tentativa de agressão

Pré-candidato do PDT à Presidência da República, o ex-ministro Ciro Gomes foi alvo de vaias e de uma tentativa de agressão durante participação nos protestos contra Jair Bolsonaro realizados no sábado (2), em São Paulo.

Em discurso em um carro de som na Avenida Paulista, Ciro primeiro fez fortes críticas ao atual presidente, destacando o “fascismo travestido de verde e amarelo” como maior ameaça ao Brasil hoje. Depois da fala, enquanto se encaminhava para deixar a manifestação, o pedetista foi alvo de vaias de militantes contrários à sua presença nos atos.

Depois de Ciro deixar o protesto, um grupo de militantes seguiu o presidenciável, com um deles chegando a tentar arremessar uma garrafa de bebida contra o pedetista. Dois grupos de manifestantes a favor e contra Ciro entraram então em conflito, com a polícia usando spray de pimenta para conter a confusão.

Em nota, o PDT disse que as agressões partiram de "meia dúzia de militantes petistas que estavam em um bar, visivelmente alterados". "São atos covardes de quem não está interessado no país. Esses covardes não intimidarão quem quer que seja. Ciro e o PDT seguirão na luta contra Bolsonaro e a favor do Brasil".

O próprio Ciro se manifestou sobre o caso, dizendo que foi aos protestos "de peito aberto" e "sabendo que poderia enfrentar a deselegância de alguns radicais". "Eles nunca me intimidarão. Porque as ruas não têm dono. E a democracia não tem senhores".

Hoje praticamente confirmado na disputa presidencial para 2022, Ciro Gomes vem entrando em rota de colisão com a militância de esquerda há vários anos, desde que passou a subir o tom das críticas contra o PT e o ex-presidente Lula. Nas últimas pesquisas de opinião, o pedetista tem aparecido sempre em terceiro lugar, atrás de Lula e Bolsonaro, com até 6% das intenções de voto no primeiro turno.

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