ELEIÇÕES 2022

Datena anuncia saída da Band para concorrer à presidência em 2022

Na declaração, o jornalista afirmou que o seu interesse na vida política é de ser "um bom brasileiro"

Estadão Conteúdo Julianna Valença
Estadão Conteúdo
Julianna Valença
Publicado em 13/10/2021 às 13:14
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REPRODUÇÃO DE VÍDEO/BRASIL URGENTE
Datena no Brasil Urgente desta quarta-feira (13) - FOTO: REPRODUÇÃO DE VÍDEO/BRASIL URGENTE
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O apresentador do Brasil Urgente, programa policial da Rede Bandeirantes, José Luiz Datena, afirmou que concorrerá à presidência da República em 2022. Na declaração ao vivo, nesta terça-feira (12), o jornalista disse que o seu interesse na vida política é de ser "um bom brasileiro", e que para a candidatura precisará deixar a emissora.

O apresentador é pré-candidato pelo Partido Social Liberal (PSL) - ex-partido do atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Platão, que foi um sábio, dizia: se você não entrar na política e não for um bom cidadão, com boa intenção - e meu único interesse em entrar na política é público, de ser um bom brasileiro - enquanto você não entrar na política, o mau político continuará lá e ele vai ocupar o lugar do bom político", declarou o apresentador.

Datena disse ainda que o desejo de concorrer a um cargo político já é antigo, mas que não havia tido a iniciativa antes devido a comentários negativos. "Um dia, um político importante disse que político não tem senso ridículo. O outro me disse que político não pode ter ética. Por essas frases e outras eu não entrei para a política até agora", afirmou.

União Brasil

Além de Datena, o União Brasil, fruto da fusão do PSL e do DEM, tem dois pré-candidatos a presidente: o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM). Pacheco também negocia uma filiação ao PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

O União Brasil ainda iniciou uma ofensiva para ter o ex-ministro da Justiça Sergio Moro como candidato em 2022. Um dos interlocutores da nova sigla com o ex-juiz da Lava Jato é o vice-presidente do PSL, deputado Júnior Bozzella (SP). "Excelente nome. Não podemos descartar nenhuma possibilidade. Estamos conversando", afirmou o parlamentar ao Estadão. Moro também mantém conversas com o Podemos.

De acordo com o deputado do PSL, uma definição sobre a filiação de Moro deve ocorrer em novembro. "Acredito que no mês que vem, quando ele voltar dos Estados Unidos. Dentro do nosso partido ele terá muitos apoios", disse Bozzella, que integra a comissão organizadora da fusão DEM-PSL. A união dos dois partidos foi aprovada anteontem pelos diretórios das legendas e, agora, depende de aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Moro tem conversado com Mandetta, de quem foi colega quando eram ministros do governo de Jair Bolsonaro. Hoje, os dois estão rompidos com o ex-chefe. O ex-ministro da Saúde elogiou a atuação de Moro no combate à corrupção. "Ele tem uma visão de combate à corrupção, uma parte da vida dele totalmente dedicada a esse tema, tem muita gente que o apoia e que quer uma clareza", afirmou Mandetta.

O político do DEM também declarou que Moro pode ser uma alternativa à polarização entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Temos aí esses dois polos extremos, e nesse tema (combate à corrupção), que é muito importante para ele, claramente não avançaram (Lula e Bolsonaro), muito pelo contrário, foi só retrocesso. É pertinente a discussão dele", disse o ex-titular da Saúde.

Pesquisas eleitorais

Em levantamento do Paraná Pesquisa, divulgado no mês de julho, Datena aparece com 7% das intenções de voto para presidente, firmando-se na liderança da "terceira via". O jornalista está só um pouco à frente de Ciro Gomes, do PDT, (7% a 6,8%), tem quase o dobro de João Doria, do PSDB, (3,9%) e põe Luiz Henrique Mandetta, do DEM, (1,8%) na zona de rebaixamento. A pesquisa mostrou ainda empate técnico entre o presidente Jair Bolsonaro (32,7%) e o ex-presidente petista Lula (33,7%). 

Já na pesquisa realizada pelo Ipec e divulgada no dia 22 de setembro, no primeiro cenário, Lula tem 48% ante 23% de Bolsonaro. Ciro aparece com 8%, à frente do governador de São Paulo, João Doria, que tem 3% e está empatado com Mandetta, também com 3%. Votos em branco e nulos somam 10% e não sabem ou não responderam, 4%.

No segundo cenário, Lula tem 45% e Bolsonaro 22%. Nesta sondagem, Ciro aparece com 6%, um ponto porcentual à frente do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro (sem partido), que tem 5%. Datena vem em seguida, com 3%, e Doria aparece com 2%. Mandetta e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), estão empatados com 1%. Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Simone Tebet (MDB-MS) não pontuaram. Votos em branco e nulos somam 9% e não sabem ou não responderam 5% dos entrevistados. Neste cenário, Lula aparece no limite da margem de erro para vencer em primeiro turno se as eleições fossem hoje.

A pesquisa do Ipec foi realizada de 16 a 20 de setembro e ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios. A margem de erro é de 2 pontos para mais e para menos. O nível de confiança é de 95%.

Outros apresentadores que se candidataram

Datena se torna mais um apresentador a entrar (ou demonstrar interesse) na política brasileira.

Silvio Santos
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O fenômeno é antigo e começa em 1989, quando Silvio Santos, dono do SBT, oficializou sua candidatura pelo Partido Municipalista Brasileiro. O anúncio causou grande repercussão, o que fez surgir vários pedidos de impugnação. Em novembro daquele ano, por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral considerou o partido ilegal e a candidatura foi considerada inválida. Quem ganhou a eleição foi Fernando Collor. Silvio também se candidatou para a Prefeitura de São Paulo, em 1922, mas a história se repetiu. O episódio foi desdobrado no livro "Sonho sequestrado: Silvio Santos e a campanha presidencial de 1989" (2020), de Marcondes Gadelha.

João Doria

Empresário famoso em São Paulo, João Dória tornou-se conhecido na TV nos anos 1990, ao apresentar programas como "Business", na Rede Manchete. A atração seguiu para a RedeTV! com o nome "Show Business", em 1999. A fama como apresentador se consolidou mesmo com a sétima e a oitava temporada de "O Aprendiz", entre 2010 e 2011, na Bandeirantes. Ele ainda apresentou o "Aprendiz Universitário", o "Aprendiz Empreendedor" e o talk show "Face a Face", mas saiu da atração para ficar à frente da campanha para prefeito de São Paulo, sendo eleito em 2017. Ele saltou do cargo municipal para governador em 2019, mas sua história com a política é mais antiga: Dória foi Secretário Municipal de Turismo de São Paulo, em 1983, e Presidente da Embratur, em 1986.

Ratinho

Muita gente não lembra, mas Carlos Roberto Massa, o Ratinho, foi vereador de Jandaia do Sul (PA) nos anos 1970, vereador de Curitiba (PA) nos anos 1980 e até deputado federal do Paraná pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN), entre 1991 e 1995. Ele fez o caminho inverso, já sendo político quando entrou na TV, em 1991, com o programa "Cadeia", na Rede OM (atual CNT). Ratinho largou a política para se dedicar integramente ao mundo da TV, mas deixou como legado o filho Carlos Roberto Massa Júnior, o Ratinho Jr, que já foi deputado estadual, deputado federal, secretário de Estado e atualmente é o governador do estado do Paraná.

Clodovil

O estilista e apresentador de TV Clodovil Hernandes entrou para a política três anos antes de falecer, em 2006. Ele candidatou-se e elegeu-se deputado federal por São Paulo pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), sendo o terceiro mais votado do estado. Na época, ele tornou-se o primeiro homossexual assumido a ser eleito para o cargo. Apesar do feito, Clodovil causava polêmica entre a esquerda ao se declarar contra o movimento LGBT brasileiro e a Parada do Orgulho LGBT. Apesar disso, apresentou um projeto para regulamentar a união civil de pessoas do mesmo sexo.

Jorge Kajuru

O jornalista esportivo, radialista e apresentador de televisão Jorge Kajuru, que comandou atrações na Rede TV!, Cultura, Band, SBT, entre outras emissoras, entrou para a política como vereador de Goiânia (GO), em 2017. Em 2019, foi ele senador por Goiás pelo Partido Republicano Progressista (PRP).

Luciano Huck

Apresentador do "Caldeirão" por quase 20 anos, Luciano Huck passou a se posicionar politicamente a partir de 2014, quando era próximo do tucano Aécio Neves. Desde então o país especulou a sua entrada definitiva para a vida política. Em 2018, ele chegou a aparecer nas pesquisas variando entre 3% e 5% das intenções de votos - e até 8%, em cenários sem Lula. A Globo chegou a afirmar, em nota, que não proibiria a candidatura. Contudo, em caso da saída da emissora, ele não seria readmitido. Hulk encerrou por vez as especulações neste ano, ao assumir o "Domingão" após a saída de Fausto Silva.

Roberto Justus

Assim como João Dória, que também apresentou "O Aprendiz", Roberto Justus chegou a ser questionado sobre a possibilidade de entrar para a política numa entrevista em 2016. "Quem sabe, não é? Se eu me candidatar... Eu nunca tinha pensado, mas agora eu comecei a pensar na possibilidade, mas não é nada ainda definido", comentou, sorrindo.

 

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