Bolsonaristas dominam repercussão nas redes sobre denúncia da PGR com o dobro de interações da esquerda
Em entrevista à Rádio Jornal, o especialista em mídias digitais Manoel Fernandes detalhou o panorama atual de esquerda e direita nas redes sociais

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta sexta-feira (21), o jornalista e especialista em mídias digitais Manoel Fernandes analisou a repercussão nas redes sociais sobre a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. Segundo Fernandes, os bolsonaristas conseguiram o dobro de interações em comparação à esquerda.
De acordo com Fernandes, os aliados do presidente Lula têm buscado ampliar o debate, mas com certa cautela, aguardando os desdobramentos das denúncias da PGR. O especialista apontou que a disputa nas redes, hoje, é equilibrada.
Essa abordagem cautelosa faz parte de um padrão observado sempre que a direita está sob ataques, de acordo com o especialista. Fernandes destacou ainda que o governo federal tem questões mais urgentes para resolver do que focar em ataques ao ex-presidente.
"Esse é um padrão que eles adotam quando estão sob ataques. Eles ficam esperando alguma fragilidade nos argumentos. A gente tem que entender que a gente tá a 48 horas da denúncia. Então, eles ficam tentando entender onde encontram a fragilidade do argumento para entrar e tentar destravar”, detalhou.
“Tem um detalhe importante em relação ao governo: ele tem muito assunto para resolver antes de ficar atacando o Bolsonaro”, complementou.
Desafios econômicos e comunicação governamental
Ainda de acordo com Fernandes, um dos principais desafios do governo Lula no momento é a alta dos preços dos alimentos, o que pode impactar sua popularidade e, consequentemente, a efetividade na disputa das redes sociais.
“O governo está diante de situações bem desafiadoras nos próximos meses, porque está reformulando a comunicação, mas está diante de uma situação muito grave. O preço do ovo variou 68% nos últimos 15 dias", explicou.
A situação econômica tem influenciado a estratégia comunicacional do governo, vista por alguns como uma das alternativas para uma melhora da opinião pública sobre o governo Lula. Segundo Fernandes, a própria cúpula do governo tem evitado responder aos ataques bolsonaristas.
“Por isso que o Planalto está um pouco em silêncio, porque tem outros assuntos que são muito mais urgentes a resolver. A gente tem que lembrar, sem entrar aqui na discussão, que aconteceram eventos semelhantes com o presidente Lula e a direita pode fazer uso disso para relembrar algo que o governo não deseja”, pontuou.
A diferença na presença digital entre direita e esquerda
Fernandes também analisou as diferenças de atuação de esquerda e direita nas redes sociais. De acordo com o especialista, a direita tem marcado território no X (antigo Twitter) e no Youtube, enquanto a esquerda tem presença forte no Facebook, Instagram e Tiktok, mas não surtem o mesmo efeito como a direita aplica nas plataformas onde tem domínio.
“No Twitter, que agora se chama X, lá é um campo mais aberto, mais livre para a direita, que acaba tendo maior controle daquele universo. No campo do YouTube, eles entenderam que fazer vídeos, promover cortes nos vídeos, impacta mais do que escrever alguma coisa para alguém ler, porque a leitura pressupõe processamento cognitivo, que demora um tempo”, analisou, sobre a direita.
Ainda de acordo com Fernandes, o uso dos vídeos se destaca pelo fato do Youtube ser a plataforma com maior audiência do que as demais.
“O vídeo e o corte geram mais impacto e por isso a direita sabe muito bem fazer uso disso. Facebook, Instagram e TikTok são coisas mais focadas nas classes A e B”, complementou.
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