Renovação

Prefeito de Paulista, Jorge Carreiro, exonera servidores comissionados da Saúde

Toda a equipe da pasta, composta por 220 funcionários foi trocada; a ex secretária rebateu acusações

Douglas Hacknen
Douglas Hacknen
Publicado em 24/07/2020 às 22:04
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Day Santos/JC Imagem
Prefeito era o vice de Júnior Matuto, afastado do cargo - FOTO: Day Santos/JC Imagem
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Empossado prefeito de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, na última terça-feira (21), Jorge Carreiro (PV) vem promovendo uma forte remodelação no quadro de funcionários comissionados do município. De terça até essa quinta-feira (23), todos os 1.095 comissionados foram exonerados sob o argumento de evitar o emprego de funcionários fantasmas na gestão. Os alvos mais recentes foram profissionais da Secretaria de Saúde, incluindo a própria secretária, Fabiana Bernart. Carreiro assumiu a prefeitura após o até então chefe do Executivo, Júnior Matuto (PSB), ser afastado do cargo por conta de duas operações da Polícia Civil, Chorume e Locatário. Ambas investigam irregularidades na gestão de Matuto.

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Jorge justificou que o motivo da exoneração coletiva na Saúde foi a falta de informações, por parte da secretária. De acordo com ele, a prefeitura realizou um pedido de informação à Secretaria e não obteve retorno. "Fizemos um pedido de informação perguntando em quais áreas os funcionários deveriam ser preservadas das demissões, para não ter problemas no atendimento. Quase 36h depois ela ainda não tinha respondido; a gente ficou sem saber o que fazer, por isso, tivemos que exonerar todos para poder descobrir quem era funcionário fantasma e substituir", disse em entrevista ao JC.

Fabiana Bernart foi trocada por Tereza Mouzinho na liderança da pasta. Além dos profissionais ligados à secretaria de Saúde, Jorge Carreiro ordenou a exoneração de outras 875 pessoas que ocupavam cargos em outros setores da administração do município.

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Mesmo tendo exonerado 100% dos funcionários, Jorge afirmou que não houve impacto no atendimento das unidades de saúde do município e que essas demissões só foram feitas para não continuar pagando funcionários fantasmas, que segundo ele, estavam presentes em todas as áreas da gestão anterior. "Isso foi feito para que nós possamos garantir que tudo funcione e sem pagar para quem não trabalha. As pessoas que foram exoneradas e comprovarem que realmente trabalhavam serão remanejadas, isso já está sendo feito", afirmou o prefeito, que confirmou que a reposição dos comissionados está sendo feita.

Hospital de Campanha

Uma reunião com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), foi solicitada para discutir o funcionamento do Hospital de Campanha do município. Em funcionamento desde o dia 11 de maio, a unidade de saúde, que tem 60 leitos, foi construída para atender pacientes com suspeita ou confirmação da covid-19.

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Jorge, contudo, argumentou que não tem porque a prefeitura manter um equipamento que custa mais de R$ 1 milhão por mês (além dos R$ 2,5 milhões investidos para construção), sendo que, no momento, está sem pacientes. Na reunião deve ser solicitado que os infectados pela doença que precisarem de atendimento na cidade sejam transferidos para os hospitais do Recife.

Dos R$ 2,5 milhões investidos para a construção da unidade de saúde, localizada no bairro do Nobre, R$ 2 milhões foram oriundos do Ministério da Saúde (MS). O restante foi injetado pela própria prefeitura, de acordo com comunicado emitido no dia da inauguração. Nem Matuto nem a então secretária de Saúde do município participaram da inauguração. Na época, a justificativa foi de que ambos estavam cumprindo distanciamento social.

Resposta

Procurada pela reportagem do JC, Fabiana Bernart se disse surpresa com a justificativa dada para a sua saída do comando da Secretária de Saúde. Fabiana informou que esteve com o prefeito na quarta-feira e prestou conta dos dados da pasta, incluindo unidades que estão prontas para inauguração e o estoque da farmácia do município, além de responder "prontamente" as dúvidas do mandatário. 

"Não entendi onde eu, como secretária, tenho que dizer quem tem que ser exonerado. A decisão de exonerar é dele, ele que é o prefeito. Ou cabe a mim dizer quem fica ou quem sai? Eu pedi por todos, todos necessitam do emprego", defendeu. 

Indagada sobre as denúncias de funcionários fantasmas, Bernart cobrou provas do prefeito de que esses ilícitos foram cometidos. "Se os funcionários são fantasmas, quais as provas que ele tem e quais são os funcionários fantasmas? É importante que ele deixe isso claro. Eu sei que existe um desentendimento natural pelo processo ocorrido, mas o vice-prefeito é da gestão, e sempre foi", afirmou. 

Sobre as exonerações em massa, Fabiana apresentou duas opções que, para ela, são as possíveis diante do cenário pandêmico que o mundo enfrenta: "ou o prefeito entendeu que as 220 pessoas que trabalhavam em cargo de comissão não eram importantes, ou ele achou que poderia ficar sem essas pessoas e isso não é real, tanto que ele está ligando para que voltem".

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